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Liturgia diária

Sábado da 3ª semana da Quaresma

Sábado, 14 De Março Cor litúrgica: Roxo

6,1-6.

1 Vinde, voltemos para o Senhor. Se Ele nos feriu, Ele nos curará. Se nos atingiu com os seus golpes, Ele tratará as nossas feridas.
2 Ao fim de dois dias, Ele nos fará viver de novo; ao terceiro dia nos levantará e viveremos na sua presença.
3 Procuremos conhecer o Senhor: a sua vinda é certa como a aurora. Virá a nós como o aguaceiro de outono, como a chuva da primavera sobre a face da terra.
4 «Que farei por ti, Efraim? Que farei por ti, Judá?», diz o Senhor. «O vosso amor é como o nevoeiro da manhã, como o orvalho da madrugada que logo se evapora.
5 Por isso vos castiguei por meio dos Profetas e vos matei com palavras da minha boca; e o meu direito resplandece como a luz.
6 Porque Eu quero a misericórdia e não os sacrifícios, o conhecimento de Deus, mais que os holocaustos».

51(50),3-4.18-19.20-21ab.

R/ Eu quero a misericórdia e não os sacrifícios.

3 Compadecei-Vos de mim, ó Deus, pela vossa bondade,
pela vossa grande misericórdia, apagai os meus pecados.
4 Lavai-me de toda a iniquidade
e purificai-me de todas as faltas.

18 Não é do sacrifício que Vos agradais
e, se eu oferecer um holocausto, não o aceitareis.
19 Sacrifício agradável a Deus é um espírito arrependido:
não desprezareis, Senhor, um espírito humilhado e contrito.

20 Pela vossa bondade, tratai Sião com benevolência,
reconstruí os muros de Jerusalém.
21 Então Vos agradareis dos sacrifícios devidos,
oblações e holocaustos;
21 então serão oferecidas vítimas sobre o vosso altar

18,9-14.

9 Naquele tempo, Jesus disse a seguinte parábola para alguns que se consideravam justos e desprezavam os outros:
10 «Dois homens subiram ao Templo para orar; um era fariseu e o outro publicano.
11 O fariseu, de pé, orava assim: "Meu Deus, dou-Vos graças por não ser como os outros homens, que são ladrões, injustos e adúlteros, nem como este publicano.
12 Jejuo duas vezes por semana e pago o dízimo de tudo quanto possuo".
13 O publicano ficou a distância e nem sequer se atrevia a erguer os olhos ao céu; mas batia no peito e dizia: "Meu Deus, tende compaixão de mim, que sou pecador".
14 Eu vos digo que este desceu justificado para sua casa e o outro não. Porque todo aquele que se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado».

Comentário ao Evangelho

A humildade do coração

Muitas vezes, o justo que é vencido pela adversidade – tal como aconteceu ao bem-aventurado Job, que, depois de uma vida justa, foi atingido por uma série de flagelos – é obrigado a relatar as suas boas ações. Mas, quando ouve a palavra do justo, o injusto vê nela orgulho em vez de sinceridade, pois julga as palavras do justo com o seu próprio coração e não acredita que as palavras do sábio possam ser proferidas com humildade. Com efeito, se é uma grave falta reivindicar o que não se é, muitas vezes não há falta em reconhecer humildemente a virtude que se possui. Assim, acontece frequentemente o justo e o injusto proferirem as mesmas palavras; mas os respetivos corações estão muito longe de se assemelharem e, consoante vêm do injusto ou do justo, as palavras ofendem ou agradam ao Senhor.

Assim, o fariseu que foi ao Templo dizia: «Jejuo duas vezes por semana e pago o dízimo de tudo quanto possuo»; mas o publicano saiu do Templo justificado, e ele não. Também o rei Ezequias, estando gravemente enfermo e próximo do fim da vida, dizia, compungido, na sua oração: «Lembrai-Vos, Senhor, como tenho procedido fielmente e de coração sincero na vossa presença» (Is 38,3); e o Senhor não responde a essa declaração de perfeição com desprezo ou a rejeição, mas atende imediatamente a sua oração. Temos, pois, o fariseu, que se declarou justo nas suas obras, e Ezequias, que afirmou ser justo até nos seus pensamentos: a mesma atitude e, contudo, um ofendeu o Senhor e o outro não. Porquê?

Porque Deus omnipotente pesa as palavras de cada um de nós segundo os nossos pensamentos, e o seu ouvido não escuta orgulho em palavras que vêm da humildade do coração. Por isso, ao descrever as suas boas obras, o bem-aventurado Job não se encheu de orgulho diante de Deus, pois descrevia humildemente o que tinha realmente feito.

São Gregório Magno (c. 540-604) papa, doutor da Igreja MOrais sobre Job, livro XII, SC 212

Santo do Dia