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Liturgia diária

4º Domingo da Quaresma

Domingo, 15 De Março Cor litúrgica: Roxo

16,1b.6-7.10-13a.

1 Naqueles dias, o Senhor disse a Samuel: «Enche a âmbula de óleo e parte. Vou enviar-te a Jessé de Belém, pois escolhi um rei entre os seus filhos».
6 Quando chegou, Samuel viu Eliab e pensou consigo: «Certamente é este o ungido do Senhor».
7 Mas o Senhor disse a Samuel: «Não te impressiones com o seu belo aspeto, nem com a sua elevada estatura, pois não foi esse que Eu escolhi. Deus não vê como o homem: o homem olha às aparências, o Senhor vê o coração».
10 Jessé fez passar os sete filhos diante de Samuel, mas Samuel declarou-lhe: «O Senhor não escolheu nenhum destes».
11 E perguntou a Jessé: «Estão aqui todos os teus filhos?». Jessé respondeu-lhe: «Falta ainda o mais novo, que anda a guardar o rebanho». Samuel ordenou: «Manda-o chamar, porque não nos sentaremos à mesa enquanto ele não chegar».
12 Então Jessé mandou-o chamar: era ruivo, de belos olhos e agradável presença. O Senhor disse a Samuel: «Levanta-te e unge-o, porque é este mesmo».
13 Samuel pegou na âmbula do óleo e ungiu-o no meio dos irmãos. Daquele dia em diante, o Espírito do Senhor apoderou-Se de David.

23(22),1-3a.3b-4.5.6.

R/ Habitarei para sempre na casa do Senhor.

1 O Senhor é meu pastor: nada me falta.
2 Leva-me a descansar em verdes prados,
conduz-me às águas refrescantes
3 e reconforta a minha alma.

3 Ele me guia por sendas direitas por amor do seu nome.
4 Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos,
não temerei nenhum mal, porque Vós estais comigo:
o vosso cajado e o vosso báculo me enchem de confiança.

5 Para mim preparais a mesa,
à vista dos meus adversários;
com óleo me perfumais a cabeça,
e o meu cálice transborda.

6 A bondade e a graça hão de acompanhar-me
todos os dias da minha vida,
e habitarei na casa do Senhor
para todo o sempre.

5,8-14.

8 Irmãos: Outrora vós éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor.
9 Vivei como filhos da luz, porque o fruto da luz é a bondade, a justiça e a verdade.
10 Procurai sempre o que mais agrada ao Senhor.
11 Não tomeis parte nas obras das trevas, que nada trazem de bom; tratai antes de as denunciar abertamente,
12 porque o que eles fazem em segredo até é vergonhoso dizê-lo.
13 Mas todas as coisas que são condenadas são postas a descoberto pela luz,
14 e tudo o que assim se manifesta torna-se luz. É por isso que se diz: «Desperta, tu que dormes; levanta-te do meio dos mortos, e Cristo brilhará sobre ti».

9,1-41.

1 Naquele tempo, Jesus encontrou no seu caminho um cego de nascença.
2 Os discípulos perguntaram-Lhe: «Mestre, quem é que pecou para ele nascer cego? Ele ou os seus pais?».
3 Jesus respondeu-lhes: «Isso não tem nada que ver com os pecados dele ou dos pais; mas aconteceu assim para se manifestarem nele as obras de Deus.
4 É preciso trabalhar, enquanto é dia, nas obras daquele que Me enviou. Vai chegar a noite, em que ninguém pode trabalhar.
5 Enquanto Eu estou no mundo, sou a luz do mundo».
6 Dito isto, cuspiu em terra, fez com a saliva um pouco de lodo e ungiu os olhos do cego.
7 Depois disse-lhe: «Vai lavar-te à piscina de Siloé»; «Siloé» quer dizer «Enviado». Ele foi, lavou-se e ficou a ver.
8 Entretanto, perguntavam os vizinhos e os que antes o viam a mendigar: «Não é este o que costumava estar sentado a pedir esmola?».
9 Uns diziam: «É ele». Outros afirmavam: «Não é. É parecido com ele». Mas ele próprio dizia: «Sou eu».
10 Perguntaram-lhe então: «Como foi que se abriram os teus olhos?».
11 Ele respondeu: «Esse homem que se chama Jesus fez um pouco de lodo, ungiu-me os olhos e disse-me: "Vai lavar-te à piscina de Siloé". Eu fui, lavei-me e comecei a ver».
12 Perguntaram-lhe ainda: «Onde está Ele?». O homem respondeu: «Não sei».
13 Levaram aos fariseus o que tinha sido cego.
14 Era sábado esse dia em que Jesus fizera lodo e lhe tinha aberto os olhos.
15 Por isso, os fariseus perguntaram ao homem como tinha recuperado a vista. Ele declarou-lhes: «Jesus pôs-me lodo nos olhos; depois fui lavar-me e agora vejo».
16 Diziam alguns dos fariseus: «Esse homem não vem de Deus, porque não guarda o sábado». Outros observavam: «Como pode um pecador fazer tais milagres?». E havia desacordo entre eles.
17 Perguntaram então novamente ao cego: «Tu que dizes daquele que te deu a vista?». O homem respondeu: «É um profeta».
18 Os judeus não quiseram acreditar que ele tinha sido cego e começara a ver. Chamaram então os pais
19 dele e perguntaram-lhes: «É este o vosso filho? É verdade que nasceu cego? Como é que ele agora vê?».
20 Os pais responderam: «Sabemos que este é o nosso filho e que nasceu cego;
21 mas não sabemos como é que ele agora vê, nem sabemos quem lhe abriu os olhos. Ele já tem idade para responder; perguntai-lho vós».
22 Foi por medo que eles deram esta resposta, porque os judeus tinham decidido expulsar da sinagoga quem reconhecesse que Jesus era o Messias.
23 Por isso é que disseram: «Ele já tem idade para responder; perguntai-lho vós».
24 Os judeus chamaram outra vez o que tinha sido cego e disseram-lhe: «Dá glória a Deus. Nós sabemos que esse homem é pecador».
25 Ele respondeu: «Se é pecador, não sei. O que sei é que eu era cego e agora vejo».
26 Perguntaram-lhe então: «Que te fez Ele? Como te abriu os olhos?».
27 O homem replicou: «Já vos disse e não destes ouvidos. Porque desejais ouvi-lo novamente? Também quereis fazer-vos seus discípulos?».
28 Então insultaram-no e disseram-lhe: «Tu é que és seu discípulo; nós somos discípulos de Moisés.
29 Nós sabemos que Deus falou a Moisés; mas este, nem sabemos de onde é».
30 O homem respondeu-lhes: «Isto é realmente estranho: não sabeis de onde Ele é, mas a verdade é que Ele me deu a vista.
31 Ora, nós sabemos que Deus não escuta os pecadores, mas escuta aqueles que O adoram e fazem a sua vontade.
32 Nunca se ouviu dizer que alguém tenha aberto os olhos a um cego de nascença.
33 Se Ele não viesse de Deus, nada podia fazer».
34 Replicaram-lhe então eles: «Tu nasceste inteiramente em pecado e pretendes ensinar-nos?». E expulsaram-no.
35 Jesus soube que o tinham expulsado e, encontrando-o, disse-lhe: «Tu acreditas no Filho do homem?».
36 Ele respondeu-Lhe: «Quem é, Senhor, para que eu acredite nele?».
37 Disse-lhe Jesus: «Já O viste: é quem está a falar contigo».
38 O homem prostrou-se diante de Jesus e exclamou: «Eu creio, Senhor».
39 Então Jesus disse: «Eu vim a este mundo para exercer um juízo: os que não veem ficarão a ver; os que veem ficarão cegos».
40 Alguns fariseus que estavam com Ele, ouvindo isto, perguntaram-Lhe: «Nós também somos cegos?».
41 Respondeu-lhes Jesus: «Se fôsseis cegos, não teríeis pecado. Mas como agora dizeis: "Nós vemos", o vosso pecado permanece».

Comentário ao Evangelho

Os que não veem ficarão a ver»

«Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos e a verdade não está em nós» (1Jo 1,8). Esta é uma afirmação luminosa para as almas grandes, as almas santas; pois, estando mais próximas de Deus, que é o Sol da justiça e santidade imaculada, apercebem-se com mais clareza das imperfeições que as maculam; o brilho, a vivacidade da luz divina em que habitam faz que as suas mais pequenas falhas surjam, em contraste, com um marcante relevo; o seu olhar interior, purificado pela fé e pelo amor, penetra mais profundamente nas perfeições divinas; têm uma visão mais clara da sua insignificância; medem melhor o abismo que as separa do infinito. [...]

A sua atitude habitual de arrependimento e detestação do pecado é uma constante demonstração de delicadeza sobrenatural, que não pode deixar de agradar a Deus e de inclinar para as suas almas a infinita misericórdia do Senhor. Além disso, o estado de espírito que estamos a examinar não é de modo nenhum, como se poderia supor à primeira vista, incompatível com a confiança e a alegria espiritual, com as efusões de amor e devoção a Deus. Muito pelo contrário! [...] Longe de encontrarem um obstáculo na atitude habitual de arrependimento que é a compunção, o amor e a alegria apoiam-se nela como em sólido fundamento e os seus impulsos brotam dela como de um trampolim.

Beato Columba Marmion (1858-1923) abade A compunção do coração

Santo do Dia