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Liturgia diária

Quarta-feira da 29ª semana do Tempo Comum

Quarta-Feira, 20 De Outubro Cor litúrgica: Verde

6,12-18.

12 Irmãos: Não reine o pecado no vosso corpo mortal, obedecendo aos seus desejos.
13 Não ofereçais os vossos membros como arma da injustiça ao serviço do pecado; mas oferecei-vos a Deus, como homens que revivem de entre os mortos, e oferecei os vossos membros como armas da justiça ao serviço de Deus.
14 E o pecado não vos dominará, porque não estais sob o regime da Lei, mas sob o regime da graça.
15 Como, então? Havemos de pecar, porque não estamos sob o regime da Lei, mas sob o regime da graça? De modo nenhum.
16 Não sabeis que, se vos ofereceis como escravos a alguém, para lhe obedecerdes, vos tornais escravos daquele a quem obedeceis, quer seja do pecado, que leva à morte, quer da obediência, que vos leva à justiça?
17 Mas dêmos graças a Deus, porque, se éreis escravos do pecado, agora vos submetestes de todo o coração à norma de doutrina que vos foi transmitida.
18 E assim, libertos do pecado, vos tornastes servos da justiça.

124(123),1-3.4-6.7-8.

R/ A nossa protecção está no nome do Senhor.

1 Se o Senhor não estivesse connosco,
que o diga Israel,
2 se o Senhor não estivesse connosco,
os homens que se levantaram contra nós
3 ter-nos-iam devorado vivos, no furor da sua ira.

4 As águas ter-nos-iam afogado,
a torrente teria passado sobre nós:
5 sobre nós teriam passado as águas impetuosas.
6 Bendito seja o Senhor,
que não nos abandonou como presa dos seus dentes.

7 A nossa vida escapou como pássaro
do laço dos caçadores:
quebrou-se a armadilha e nós ficámos livres.
8 A nossa proteção está no nome do Senhor,
que fez o céu e a Terra.

12,39-48.

39 Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Compreendei isto: se o dono da casa soubesse a que hora viria o ladrão, não o deixaria arrombar a sua casa.
40 Estai vós também preparados, porque, na hora em que não pensais, virá o Filho do homem».
41 Disse Pedro a Jesus: «Senhor, é para nós que dizes esta parábola, ou também para todos os outros?».
42 O Senhor respondeu: «Quem é o administrador fiel e prudente que o senhor estabelecerá à frente da sua casa, para dar devidamente a cada um a sua ração de trigo?
43 Feliz o servo a quem o senhor, ao chegar, encontrar assim ocupado.
44 Em verdade vos digo que o porá à frente de todos os seus bens.
45 Mas se aquele servo disser consigo mesmo: "O meu senhor tarda em vir"; e começar a bater em servos e servas, a comer, a beber e a embriagar-se,
46 o senhor daquele servo chegará no dia em que menos espera e a horas que ele não sabe; ele o expulsará e fará que tenha a sorte dos infiéis.
47 O servo que, conhecendo a vontade do seu senhor, não se preparou ou não cumpriu a sua vontade, levará muitas vergastadas.
48 Aquele, porém, que, sem a conhecer, tenha feito ações que mereçam vergastadas, levará apenas algumas. A quem muito foi dado, muito será exigido; a quem muito foi confiado, mais se lhe pedirá».

Comentário ao Evangelho

«Não me canso de esperar o Senhor» (Sl 39,2)

O remédio mais eficaz para o coração humano é a paciência, conforme as palavras de Salomão: «O homem manso é o médico do coração» (Prov 14,30). Ela extirpa a ira, a tristeza, a preguiça, a vanglória e a soberba, bem como a volúpia e todos os vícios: «A longanimidade faz a prosperidade dos reis», diz também Salomão (Prov 25,15). Quem é sempre manso e tranquilo não se deixa inflamar pela ira nem consumir pela angústia do tédio e da tristeza, não se dispersa nas fúteis buscas da vanglória nem consente em se elevar pela soberba: «Há superabundância de paz para aqueles que amam o nome do Senhor e nada é para eles ocasião de queda» (Prov 118,165). Na verdade, o sábio tem razão em dizer: «O homem paciente vale mais que o soldado corajoso; quem domina a sua cólera tem mais valor que o homem que toma uma cidade» (Prov 16,32).

Porém, enquanto não alcançamos esta paz sólida e duradoira, devemos contar com múltiplos assaltos. Muitas vezes, teremos de dizer entre lágrimas e gemidos: «Sou miserável, estou afligido sem medida, todo o dia esmagado pela tristeza, os meus rins encheram-se de ilusões» (Sl 37,7-8). [...] Enquanto a alma não chegar ao estado de pureza perfeita, passará frequentemente por estas alternativas, que são necessárias à sua formação; até que, por fim, a graça de Deus lhe preencha todo o desejo, tornando-a firme para sempre. Então, poderá dizer com plena verdade: «Não me cansei de esperar o Senhor e Ele olhou para mim. Ele ouviu a minha oração, retirou-me do fosso da minha miséria, dos abismos da lama; Ele me fez apoiar os pés sobre a rocha e firmou os meus passos» (Sl 39,2-3).

São João Cassiano (c. 360-435) fundador de mosteiro em Marselha «Sobre a castidade», cap. VI; SC 54

Santo do Dia