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Liturgia diária

Quinta-feira da 11ª semana do tempo comum

Quinta-Feira, 17 De Junho Cor litúrgica: Verde

11,1-11.

1 Irmãos: podereis vós suportar-me um pouco de insensatez? Estou certo de que a suportareis.
2 Sinto por vós um ciúme semelhante ao ciúme de Deus, porque vos desposei com um só esposo, que é Cristo, a quem devo apresentar-vos como virgem pura.
3 Receio, porém, que, assim como Eva foi seduzida pela astúcia da serpente, os vossos pensamentos sejam corrompidos e se afastem da simplicidade para com Cristo.
4 De facto, se alguém vier pregar-vos outro Jesus diferente daquele que vos pregámos, ou se vos oferecer um Espírito diferente daquele que recebestes, ou um evangelho diferente daquele que aceitastes, vós o suportareis muito bem.
5 Mas penso que em nada sou inferior a esses eminentes apóstolos.
6 Se eu sou inculto na arte de falar, não o sou na ciência, como sempre e em tudo vos temos claramente mostrado.
7 Teria eu cometido uma falta, por vos ter anunciado o evangelho de Deus gratuitamente, rebaixando-me a mim próprio para vos exaltar?
8 Despojei outras igrejas, aceitando delas sustento para vos poder servir.
9 E, quando estive entre vós e passei necessidade, não fui pesado a ninguém, porque os irmãos que chegaram da Macedónia providenciaram para que nada me faltasse. Em tudo evitei e evitarei ser-vos pesado.
10 Pela verdade de Cristo, de que sou portador, essa glória não me será tirada em terras da Acaia.
11 E porquê? Porque não vos amo? Deus bem o sabe.

111(110),1-2.3-4.7-8.

R/ Fiéis e justas são as obras do Senhor.

1 Louvarei o Senhor de todo o coração
no conselho dos justos e na assembleia.
2 Grandes são as obras do Senhor,
admiráveis para os que nelas meditam.

3 A sua obra é esplendor e majestade
e a sua justiça permanece eternamente.
4 Instituiu um memorial das suas maravilhas:
o Senhor é misericordioso e compassivo.

7 Fiéis e justas são as obras das suas mãos,
são imutáveis todos os seus preceitos,
8 irrevogáveis pelos séculos dos séculos,
estabelecidos na retidão e na verdade.

6,7-15.

7 Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Quando orardes, não digais muitas palavras, como os pagãos, porque pensam que serão atendidos por falarem muito.
8 Não sejais como eles, porque o vosso Pai bem sabe do que precisais, antes de vós Lho pedirdes.
9 Orai assim: "Pai nosso, que estais nos Céus, santificado seja o vosso nome;
10 venha a nós o vosso reino; seja feita a vossa vontade, assim na Terra como no Céu.
11 O pão nosso de cada dia nos dai hoje;
12 perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido;
13 e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal".
14 Porque, se perdoardes aos homens as suas faltas, também o vosso Pai celeste vos perdoará.
15 Mas, se não perdoardes aos homens, também o vosso Pai não vos perdoará as vossas faltas».

Comentário ao Evangelho

«Seja feita a vossa vontade»

«Seja feita a vossa vontade, assim na Terra como no Céu». Ó Senhor meu, que grande dádiva é para mim que não deixásseis num querer tão ruim como o meu o cumprir-se a vossa vontade! [...] Que bonito seria, Senhor, se estivesse nas minhas mãos o cumprir-se ou não a vossa vontade! Dou-Vos agora a minha livremente, ainda que em tempo de não se ver livre de interesse, pois já tenho provas e grande experiência do lucro que há em deixar livremente a minha vontade na vossa. Oh amigas! que grande lucro há nisto, ou que grande perda se não cumprimos o que dizemos ao Senhor quando Lhe dizemos isto no pai-nosso. [...]

Quero -vos agora avisar e recordar qual é a sua vontade. Não tenhais medo de que seja dar-vos riquezas, nem honras, nem todas essas coisas cá da Terra. Não vos quer tão pouco e tem em muito o que Lhe dais, e vo-lo quer pagar bem, pois ainda em vossa vida vos dá o seu Reino. [...] Pois vedes, filhas, o que deu Àquele a quem mais amava, por onde se entende qual é a sua vontade. Assim, são estes os seus dons neste mundo: dá conforme ao amor que nos tem - aos que mais ama, dá mais destes dons; àqueles que menos ama, dá menos, e conforme ao ânimo que vê em cada um e o amor que têm a Sua Majestade. A quem O amar muito, verá que pode padecer muito por Ele; ao que O amar pouco, pouco. Tenho para mim que a medida de se poder levar cruz grande ou pequena é a do amor. [...]

Todos os avisos que vos tenho dado neste livro vão dirigidos a este ponto: de nos darmos de todo ao Criador e pôr a nossa vontade na sua, desapegando-nos das criaturas; e, como já tereis entendido o muito que isto nos importa, nada mais digo. Somente direi o motivo por que o nosso bom Mestre põe aqui estas sobreditas palavras, como quem sabe quanto ganharemos em prestar este serviço ao seu eterno Pai, a fim de nos dispormos para, com muita brevidade, nos vermos com o caminho acabado de andar e bebendo da água viva da fonte que fica dita. Porque, sem darmos totalmente a nossa vontade ao Senhor, para que, em tudo o que nos toca, Ele faça conforme à sua vontade, nunca nos deixará beber dela.

Santa Teresa de Ávila (1515-1582) carmelita descalça, doutora da Igreja «Caminho de Perfeição», cap. 32, 4-7, Paço d'Arcos, Edições Carmelo, 2000, rev.

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