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Liturgia diária

Sexta-feira da Oitava da Páscoa

Sexta-Feira, 10 De Abril Cor litúrgica: Branco

4,1-12.

1 Naqueles dias, estavam Pedro e João a falar ao povo, depois da cura do cego de nascença, quando surgiram os sacerdotes, o comandante do Templo e os saduceus,
2 irritados por eles estarem a ensinar o povo e a anunciar a ressurreição dos mortos que se verificara em Jesus.
3 Apoderaram-se deles e, porque já era tarde, meteram-nos na prisão, até ao dia seguinte.
4 Entretanto, muitos dos que tinham ouvido a palavra de Deus abraçaram a fé e o número de homens elevou-se a uns cinco mil.
5 No dia seguinte, os chefes do povo, os anciãos e os escribas reuniram-se em Jerusalém,
6 com o sumo sacerdote Anás, com Caifás, João e Alexandre, e todos os que eram da família dos príncipes dos sacerdotes.
7 Mandaram vir os apóstolos à sua presença e começaram a interrogá-los: «Com que poder ou em nome de quem fizestes semelhante coisa?».
8 Então Pedro, cheio do Espírito Santo, disse-lhes: «Chefes do povo e anciãos,
9 já que hoje somos interrogados sobre um benefício feito a um enfermo e o modo como ele foi curado,
10 ficai sabendo, todos vós e todo o povo de Israel: É em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, que vós crucificastes e Deus ressuscitou dos mortos, é por Ele que este homem se encontra perfeitamente curado na vossa presença.
11 Jesus é a pedra que vós, os construtores, desprezastes e que veio a tornar-se pedra angular.
12 E em nenhum outro há salvação, pois não existe debaixo do céu outro nome, dado aos homens, pelo qual possamos ser salvos».

118(117),1-2.4.22-24.25-27a.

R/ A pedra rejeitada tornou-se pedra angular.

1 Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom,
porque é eterna a sua misericórdia.
2 Diga a casa de Israel:
é eterna a sua misericórdia.
4 Digam os que temem o Senhor:
é eterna a sua misericórdia.

22 A pedra que os construtores rejeitaram
tornou-se pedra angular.
23 Tudo isto veio do Senhor:
é admirável aos nossos olhos.
24 Este é o dia que o Senhor fez:
exultemos e cantemos de alegria.

25 Senhor, salvai os vossos servos,
Senhor, dai-nos a vitória.
26 Bendito o que vem em nome do Senhor,
da casa do Senhor nós vos abençoamos.
27 O Senhor é Deus
e fez brilhar sobre nós a sua luz.

21,1-14.

1 Naquele tempo, Jesus manifestou-Se outra vez aos seus discípulos, junto do mar de Tiberíades. Manifestou-Se deste modo:
2 Estavam juntos Simão Pedro, Tomé, chamado Dídimo, e Natanael, que era de Caná da Galileia. Também estavam presentes os filhos de Zebedeu e mais dois discípulos de Jesus.
3 Disse-lhes Simão Pedro: «Vou pescar». Eles responderam-lhe: «Nós vamos contigo». Saíram de casa e subiram para o barco, mas naquela noite não apanharam nada.
4 Ao romper da manhã, Jesus apresentou-Se na margem, mas os discípulos não sabiam que era Ele.
5 Disse-lhes então Jesus: «Rapazes, tendes alguma coisa para comer?». Eles responderam: «Não».
6 Disse-lhes Jesus: «Lançai a rede para a direita do barco e encontrareis». Eles lançaram a rede e já mal a podiam arrastar por causa da abundância de peixes.
7 Então, o discípulo predileto de Jesus disse a Pedro: «É o Senhor». Simão Pedro, quando ouviu dizer que era o Senhor, vestiu a túnica, que tinha tirado, e lançou-se ao mar.
8 Os outros discípulos, que estavam distantes apenas uns duzentos côvados da margem, vieram no barco, puxando a rede com os peixes.
9 Logo que saltaram em terra, viram brasas acesas com peixe em cima, e pão.
10 Disse-lhes Jesus: «Trazei alguns dos peixes que apanhastes agora».
11 Simão Pedro subiu ao barco e puxou a rede para terra, cheia de cento e cinquenta e três grandes peixes; e, apesar de serem tantos, não se rompeu a rede.
12 Disse-lhes Jesus: «Vinde comer». Nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar: «Quem és Tu?»: bem sabiam que era o Senhor.
13 Então, Jesus aproximou-Se, tomou o pão e deu-lho, fazendo o mesmo com o peixe.
14 Foi esta a terceira vez que Jesus Se manifestou aos seus discípulos depois de ter ressuscitado dos mortos.

Comentário ao Evangelho

«É o Senhor»

Todas as criaturas estão vivas na mão do Senhor; os sentidos só captam a ação da criatura, mas a fé crê na ação divina em todas as coisas. A fé vê que Jesus vive em tudo e opera em toda a extensão dos séculos, que o mínimo momento e o mais pequeno átomo encerram uma porção desta vida escondida e desta ação misteriosa. A ação das criaturas é um véu que cobre os mistérios profundos da ação divina.

Após a sua ressurreição, Jesus surpreendia os discípulos nas suas aparições, apresentando-Se-lhes com uma aparência que O disfarçava; e, assim que Se lhes revelava, desaparecia. Este mesmo Jesus, que continua vivo e operante, volta a surpreender as almas cuja fé não é suficientemente pura e perspicaz. Não há momento algum em que Deus não Se apresente, sob a aparência de uma provação, de uma obrigação ou de um qualquer dever. Tudo o que acontece em nós, à nossa volta e através de nós encerra e encobre a sua ação divina, se bem que invisível, o que faz que sejamos constantemente surpreendidos e não reconheçamos a sua operação a não ser quando ela deixa de subsistir.

Se rasgássemos o véu e estivéssemos vigilantes e atentos, Deus revelar-Se-nos-ia sem cessar e usufruiríamos da sua ação em tudo o que nos acontece. Em cada coisa diríamos: «É o Senhor»; e saberíamos em todas as circunstâncias que recebemos uma dádiva de Deus, que as criaturas são instrumentos muito fracos, que nada nos faltará e que o cuidado permanente de Deus O leva a conceder-nos o que nos convém.

Jean-Pierre de Caussade (1675-1751) jesuíta Abandono na Providência divina

Santo do Dia