Saltar para o conteúdo principal

Liturgia diária

Quinta-feira da Oitava da Páscoa

Quinta-Feira, 9 De Abril Cor litúrgica: Branco

3,11-26.

11 Naqueles dias, o coxo de nascença que tinha sido curado não largava Pedro e João, e todo o povo, cheio de assombro, acorreu para junto deles, ao pórtico de Salomão.
12 Ao ver isto, Pedro falou ao povo, dizendo: «Homens de Israel, porque vos admirais com isto? Porque fitais os olhos em nós, como se fosse pelo nosso próprio poder ou piedade que fizemos andar este homem?
13 O Deus de Abraão, de Isaac e de Jacob, o Deus de nossos pais, glorificou o seu Servo Jesus, que vós entregastes e negastes na presença de Pilatos, estando ele resolvido a soltá-lo.
14 Negastes o Santo e o Justo e pedistes a libertação dum assassino;
15 matastes o autor da vida, mas Deus ressuscitou-O dos mortos, e nós somos testemunhas disso.
16 Foi pela fé no seu nome que este homem que vedes e conheceis recuperou as forças; foi a fé que vem de Jesus que o curou completamente, na presença de todos vós.
17 Agora, irmãos, eu sei que agistes por ignorância, como também os vossos chefes.
18 Foi assim que Deus cumpriu o que de antemão tinha anunciado pela boca de todos os profetas: que o seu Messias havia de padecer.
19 Portanto, arrependei-vos e convertei-vos, para que os vossos pecados sejam perdoados».
20 Assim o Senhor fará que venham os tempos de conforto e vos enviará o Messias Jesus, que de antemão vos foi destinado.
21 Ele terá de ficar no Céu até à restauração universal, que Deus anunciou, desde os tempos antigos, pela boca dos seus santos profetas.
22 Moisés disse: "O Senhor Deus fará que se levante para vós, do meio dos vossos irmãos, um profeta como eu. Escutá-lo-eis em tudo quanto vos disser.
23 Quem não escutar esse profeta será exterminado do meio do povo".
24 E todos os profetas que falaram, desde Samuel e seus sucessores, anunciaram também estes dias.
25 Vós sois os filhos dos profetas e da aliança que Deus firmou com vossos pais, quando disse a Abraão: "Na tua descendência serão abençoadas todas as famílias da Terra".
26 Foi para vós, em primeiro lugar, que Deus fez aparecer o seu Servo e O enviou para vos abençoar, afastando cada um de vós das suas iniquidades».

8,2a.5.6-7.8-9.

R/ Destes poder ao vosso Filho sobre a obra das vossas mãos.

2 Senhor, nosso Deus,
como é admirável o vosso nome em toda a Terra!
5 que é o homem para que Vos lembreis dele,
o filho do homem para dele Vos ocupardes?

6 Fizestes dele quase um ser divino,
de honra e glória o coroastes;
7 destes-lhe poder sobre a obra das vossas mãos,
tudo submetestes a seus pés.

8 Ovelhas e bois, todos os rebanhos,
e até os animais selvagens,
9 as aves do céu e os peixes do mar,
tudo o que se move nos oceanos.

24,35-48.

35 Naquele tempo, os discípulos de Emaús contaram o que tinha acontecido no caminho e como tinham reconhecido Jesus ao partir do pão.
36 Enquanto diziam isto, Jesus apresentou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco».
37 Espantados e cheios de medo, julgavam ver um espírito.
38 Disse-lhes Jesus: «Porque estais perturbados e porque se levantam esses pensamentos nos vossos corações?
39 Vede as minhas mãos e os meus pés: sou Eu mesmo; tocai-Me e vede: um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que Eu tenho».
40 Dito isto, mostrou-lhes as mãos e os pés.
41 E como eles, na sua alegria e admiração, não queriam ainda acreditar, perguntou-lhes: «Tendes aí alguma coisa para comer?».
42 Deram-Lhe uma posta de peixe assado,
43 que Ele tomou e começou a comer diante deles.
44 Depois disse-lhes: «Foram estas as palavras que vos dirigi, quando ainda estava convosco: "Tem de se cumprir tudo o que está escrito a meu respeito na Lei de Moisés, nos profetas e nos salmos"».
45 Abriu-lhes então o entendimento para compreenderem as Escrituras
46 e disse-lhes: «Assim está escrito que o Messias havia de sofrer e de ressuscitar dos mortos ao terceiro dia,
47 e que havia de ser pregado em seu nome o arrependimento e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém.
48 Vós sois testemunhas disso.

Comentário ao Evangelho

«A paz esteja convosco»

Fixemos agora a nossa atenção na saudação imprevista de Jesus ressuscitado aos seus discípulos, recolhidos à porta fechada no Cenáculo, com medo dos judeus (cf Jo 20,19), saudação repetida por três vezes no mesmo contexto evangélico e que, à época, devia ser uma saudação habitual, mas que, proferida nas circunstâncias mencionadas, se reveste de uma extraordinária plenitude. Por certo vos lembrais dela: «A paz esteja convosco», uma saudação na qual ressoa o canto angélico do Natal: «Paz na Terra» (Lc 2,14). Trata-se de uma saudação bíblica, pré-anunciada como promessa efetiva do reino messiânico (cf Jo 14,27), mas agora comunicada como uma realidade declarada a esse primeiro núcleo da Igreja nascente: a paz, a paz de Cristo, saído vitorioso da morte e das causas, imediatas e remotas, dos tremendos e desconhecidos efeitos que ela encerra.

Jesus Ressuscitado anuncia, assim, a paz e infunde-a ao desconcertado ânimo dos discípulos [...], a paz do Senhor, entendida no seu significado primordial, tanto pessoal quanto interior, tanto moral quanto psicológico, inseparável da felicidade, que São Paulo enumera na sua lista dos frutos do Espírito Santo logo após a caridade e a alegria, quase se confundindo com elas (cf Gl 5,22). Esta feliz fusão não é estranha à nossa experiência espiritual comum; é até a melhor resposta à interrogação sobre o estado da nossa consciência, quando somos capazes de dizer «a minha consciência está em paz». O que haverá de mais precioso para o homem honesto? [...]

A paz da consciência é, assim, a melhor e a mais autêntica felicidade, que nos ajuda a ser fortes nas adversidades, nos resguarda a nobreza e a liberdade nas piores condições, e é para todos a tábua de salvação, porque é esperança [...] quando o desespero tende a levar a melhor. [...] O incomparável dom da paz interior é, assim, o primeiro dom de Cristo Ressuscitado aos seus, dom de quem haveria imediatamente de instituir [...] o sacramento que dá a paz, o sacramento do perdão, desse perdão que ressuscita (cf Jo 20,23).

São Paulo VI (1897-1978) papa de 1963 a 1978 Audiência geral de 09/04/1975

Santo do Dia