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Liturgia diária

3º Domingo da Quaresma

Domingo, 8 De Março Cor litúrgica: Roxo

17,3-7.

3 Naqueles dias, o povo israelita, atormentado pela sede, começou a altercar com Moisés, dizendo: «Porque nos tiraste do Egito? Para nos deixares morrer à sede, a nós, aos nossos filhos e aos nossos rebanhos?».
4 Então Moisés clamou ao Senhor, dizendo: «Que hei de fazer a este povo? Pouco falta para me apedrejarem».
5 O Senhor respondeu a Moisés: «Passa para a frente do povo e leva contigo alguns anciãos de Israel. Toma na mão a vara com que fustigaste o rio e põe-te a caminho.
6 Eu estarei diante de ti, sobre o rochedo, no monte Horeb. Baterás no rochedo e dele sairá água; então o povo poderá beber». Moisés assim fez, à vista dos anciãos de Israel.
7 E chamou àquele lugar Massa e Meriba, por causa da altercação dos filhos de Israel e por terem tentado o Senhor, ao dizerem: «O Senhor está ou não no meio de nós?».

95(94),1-2.6-7.8-9.

R/ Se hoje ouvirdes a voz do Senhor, não fecheis os vossos corações.

1 Vinde, exultemos de alegria no Senhor,
aclamemos a Deus, nosso Salvador.
2 Vamos à sua presença e demos graças,
ao som de cânticos aclamemos o Senhor.

6 Vinde, prostremo-nos em terra,
adoremos o Senhor que nos criou.
7 Pois Ele é o nosso Deus,
e nós o seu povo, as ovelhas do seu rebanho.

8 Quem dera ouvísseis hoje a sua voz:
«Não endureçais os vossos corações,
como em Meriba, como no dia de Massa no deserto,
9 onde vossos pais Me tentaram e provocaram,
apesar de terem visto as minhas obras».

5,1-2.5-8.

1 Irmãos: Tendo sido justificados pela fé, estamos em paz com Deus, por Nosso Senhor Jesus Cristo,
2 pelo qual temos acesso, na fé, a esta graça em que permanecemos e nos gloriamos, apoiados na esperança da glória de Deus.
5 Ora, a esperança não engana, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.
6 Quando ainda éramos fracos, Cristo morreu pelos ímpios no tempo determinado.
7 Dificilmente alguém morre por um justo; por um homem bom, talvez alguém tivesse a coragem de morrer.
8 Mas Deus prova assim o seu amor para connosco: Cristo morreu por nós quando éramos ainda pecadores.

4,5-42.

5 Naquele tempo, chegou Jesus a uma cidade da Samaria, chamada Sicar, junto da propriedade que Jacob tinha dado a seu filho José,
6 onde estava o poço de Jacob. Jesus, cansado da caminhada, sentou-Se à beira do poço. Era por volta do meio-dia.
7 Veio uma mulher da Samaria para tirar água. Disse-lhe Jesus: «Dá-Me de beber».
8 Os discípulos tinham ido à cidade comprar alimentos.
9 Respondeu-Lhe a samaritana: «Como é que Tu, sendo judeu, me pedes de beber, sendo eu samaritana?». De facto, os judeus não se dão com os samaritanos.
10 Disse-lhe Jesus: «Se conhecesses o dom de Deus e quem é Aquele que te diz: "Dá-Me de beber", tu é que Lhe pedirias e Ele te daria água viva».
11 Respondeu-Lhe a mulher: «Senhor, Tu nem sequer tens um balde, e o poço é fundo: donde Te vem a água viva?
12 Serás Tu maior do que o nosso pai Jacob, que nos deu este poço, do qual ele mesmo bebeu, com os seus filhos e os seus rebanhos?».
13 Disse-Lhe Jesus: «Todo aquele que bebe desta água voltará a ter sede.
14 Mas aquele que beber da água que Eu lhe der nunca mais terá sede: a água que Eu lhe der tornar-se-á nele uma nascente que jorra para a vida eterna».
15 «Senhor», suplicou a mulher, «dá-me dessa água, para que eu não sinta mais sede e não tenha de vir aqui buscá-la».
16 Disse-lhe Jesus: «Vai chamar o teu marido e volta aqui».
17 Respondeu-lhe a mulher: «Não tenho marido». Jesus replicou: «Disseste bem que não tens marido,
18 pois tiveste cinco, e aquele que tens agora não é teu marido. Neste ponto falaste verdade».
19 Disse-lhe a mulher: «Senhor, vejo que és profeta.
20 Os nossos antepassados adoraram neste monte, e vós dizeis que é em Jerusalém que se deve adorar».
21 Disse-lhe Jesus: «Mulher, acredita em Mim: Vai chegar a hora em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai.
22 Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos Judeus.
23 Mas vai chegar a hora – e já chegou – em que os verdadeiros adoradores hão de adorar o Pai em espírito e verdade, pois são esses os adoradores que o Pai deseja.
24 Deus é espírito, e os seus adoradores devem adorá-lo em espírito e verdade».
25 Disse-Lhe a mulher: «Eu sei que há de vir o Messias, isto é, Aquele que chamam Cristo. Quando vier, há de anunciar-nos todas as coisas».
26 Respondeu-lhe Jesus: «Sou Eu, que estou a falar contigo».
27 Nisto, chegaram os discípulos e ficaram admirados por Ele estar a falar com aquela mulher, mas nenhum deles Lhe perguntou: «Que pretendes?», ou então: «Porque falas com ela?».
28 A mulher deixou a bilha, correu à cidade e falou a todos:
29 «Vinde ver um homem que me disse tudo o que eu fiz. Não será Ele o Messias?».
30 Eles saíram da cidade e vieram ter com Jesus.
31 Entretanto, os discípulos insistiam com Ele, dizendo: «Mestre, come».
32 Mas Ele respondeu-lhes: «Eu tenho um alimento para comer que vós não conheceis».
33 Os discípulos perguntavam uns aos outros: «Porventura alguém Lhe trouxe de comer?».
34 Disse-lhes Jesus: «O meu alimento é fazer a vontade daquele que Me enviou e realizar a sua obra.
35 Não dizeis vós que dentro de quatro meses chegará o tempo da colheita? Pois bem, Eu digo-vos: Erguei os olhos e vede os campos, que já estão loiros para a ceifa.
36 Já o ceifeiro recebe o salário e recolhe o fruto para a vida eterna e, deste modo, se alegra o semeador juntamente com o ceifeiro.
37 Nisto se verifica o ditado: "Um é o que semeia e outro o que ceifa".
38 Eu mandei-vos ceifar o que não trabalhastes. Outros trabalharam e vós aproveitais-vos do seu trabalho».
39 Muitos samaritanos daquela cidade acreditaram em Jesus, por causa da palavra da mulher, que testemunhava: «Ele disse-me tudo o que eu fiz».
40 Por isso os samaritanos, quando vieram ao encontro de Jesus, pediram-Lhe que ficasse com eles. E ficou lá dois dias.
41 Ao ouvi-lo, muitos acreditaram
42 e diziam à mulher: «Já não é por causa das tuas palavras que acreditamos. Nós próprios ouvimos e sabemos que Ele é realmente o Salvador do mundo».

Comentário ao Evangelho

«A água que Eu lhe der tornar-se-á nele uma nascente que jorra para a vida eterna»

«Vem do Líbano, esposa, vem do Líbano, aproxima-te. Desce do cimo de Amaná, do cume de Senir e do Hermon, dos esconderijos dos leões, das tocas dos leopardos» (Cant 4,8). O que significa isto? A fonte da graça atrai a si aqueles que têm sede, como diz a própria fonte no Evangelho: «Se alguém tem sede, venha a Mim e beba» (Jo 7,37). Ele não impõe limites à sede, nem ao anseio por Ele, nem à saciedade, e a duração do seu mandamento é um convite permanente a ter sede e a beber dele.

Para aqueles que já beberam dele e aprenderam, através dessa experiência, que o Senhor é bom (cf 1Pe 2,3), o facto de beberem torna-se um apelo a uma participação ainda maior. Assim, aquele que sobe ao monte ouve um chamamento incessante que o impele a ir cada vez mais longe. Recordemos como o Verbo estimula a Esposa [...]: «Levanta-te, minha amada, formosa minha, e vem, minha pomba, escondida nas fendas dos rochedos» (Cant 2,13-14).

«Desce do cimo de Amaná, do cume de Senir e do Hermon»: o texto evoca o sacramento do nascimento do alto, de onde brotam as fontes do Jordão; acima delas ergue-se a montanha, dividida em dois picos, o Sanir e o Hermon. O rio que brota destas fontes é o início da nossa transformação em Deus. Por isso, a alma ouve aquele que a chama, dizendo-lhe: «Vem do incenso, do princípio da fé», do cimo destes montes de onde jorraram para ti as fontes do sacramento.

São Gregório de Nissa (c. 335-395) monge, bispo Vem ao Líbano

Santo do Dia