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Liturgia diária

Terça-feira da 1ª semana do Tempo Comum

Terça-Feira, 13 De Janeiro Cor litúrgica: Verde

1,9-20.

9 Naqueles dias, depois de ter comido em Silo, Ana levantou-se e apresentou-se diante do Senhor. O sacerdote Heli estava sentado em sua cadeira, à entrada do templo do Senhor.
10 Com a alma cheia de amargura, Ana orou ao Senhor, derramando muitas lágrimas,
11 e fez o seguinte voto: «Senhor do Universo! Se Vos dignardes olhar para a humilhação da vossa serva, se Vos lembrardes de mim e não esquecerdes esta vossa serva, se lhe derdes um filho varão, eu o consagrarei ao Senhor por toda a vida e a navalha não passará pela sua cabeça».
12 Enquanto ela continuava a rezar diante do Senhor, Heli observou os movimentos dos seus lábios:
13 Ana falava em seu coração; só mexia os lábios, mas não se ouvia a sua voz. Por isso, Heli pensou que estivesse embriagada
14 e perguntou-lhe: «Até quando estarás embriagada? Livra-te desse vinho».
15 Ana respondeu: «Não, meu senhor; sou apenas uma infeliz. Não bebi vinho nem outra bebida que embriague; estava apenas a desabafar diante do Senhor.
16 Não tomes a tua serva por uma vadia, porque o excesso da minha dor e da minha aflição é que me fez falar até agora».
17 Então Heli disse-lhe: «Vai em paz e o Deus de Israel te conceda o que Lhe pediste».
18 Ana respondeu: «Queira Deus que a tua serva encontre sempre em ti acolhimento favorável». A mulher foi-se embora, comeu e já tinha outro semblante.
19 No outro dia, levantaram-se de manhã cedo e, depois de se terem prostrado diante do Senhor, voltaram para sua casa, em Ramá. Elcana uniu-se a sua mulher Ana, e o Senhor lembrou-Se dela.
20 Ana concebeu e, decorrido o tempo, deu à luz um filho, a quem deu o nome de Samuel, dizendo: «Eu o pedi ao Senhor».

2,1.4-5.6-7.8abcd.

R/ O meu coração exulta no Senhor, meu Salvador.

1 Exulta o meu coração no Senhor,
no meu Deus se eleva a minha fronte.
Abre-se a minha boca contra os inimigos,
porque me alegro com a vossa salvação.

4 A arma dos fortes foi destruída
e os fracos foram revestidos de força.
5 Os que viviam na abundância andam em busca de pão
e os que tinham fome foram saciados.
A mulher estéril deu à luz muitos filhos
e a mãe fecunda deixou de conceber.

6 É o Senhor quem dá a morte e dá a vida,
faz-nos descer ao túmulo e de novo nos levanta.
7 É o Senhor quem despoja e enriquece,
é o Senhor quem humilha e exalta.

8 Levanta do chão os que vivem prostrados,
8 retira da miséria os indigentes;
8 fá-los sentar entre os príncipes
8 e destina-lhes um lugar de honra.

1,21b-28.

21 Jesus chegou a Cafarnaum e quando, no sábado seguinte, entrou na sinagoga e começou a ensinar,
22 todos se maravilhavam com a sua doutrina, porque os ensinava com autoridade e não como os escribas.
23 Encontrava-se na sinagoga um homem com um espírito impuro, que começou a gritar:
24 «Que tens Tu a ver connosco, Jesus Nazareno? Vieste para nos perder? Sei quem Tu és: o Santo de Deus».
25 Jesus repreendeu-o, dizendo: «Cala-te e sai desse homem».
26 O espírito impuro, agitando-o violentamente, soltou um forte grito e saiu dele.
27 Ficaram todos tão admirados que perguntavam uns aos outros: «Que vem a ser isto? Uma nova doutrina, com tal autoridade, que até manda nos espíritos impuros e eles obedecem-Lhe!».
28 E logo a fama de Jesus se divulgou por toda a parte, em toda a região da Galileia.

Comentário ao Evangelho

Uma nova doutrina, com autoridade

Não se pode chegar à certeza da fé revelada senão pelo advento de Cristo no espírito. Cristo vem seguidamente na carne, como Verbo que confirma toda a palavra profética. É por isso que está dito aos Hebreus: «Muitas vezes e de muitos modos falou Deus antigamente aos nossos pais pelos profetas. Nestes dias, que são os últimos, falou-nos por seu Filho» (1,1-2). Com efeito, Cristo é a Palavra do Pai, uma Palavra cheio de poder [...]. Cristo é também uma palavra cheia de verdade; mais ainda, é a própria Verdade, como diz São João: «Consagra-os na verdade; a tua palavra é a verdade» (17, 17). [...]

Assim, e dado que a autoridade pertence à palavra poderosa e verídica, e que Cristo é o Verbo do Pai, sendo por isso Poder e Sabedoria, nele está fundada e consumada toda a firmeza da autoridade. É por isso que toda a doutrina autêntica e os pregadores desta doutrina se relacionam com Cristo, que veio na carne como fundamento da fé cristã: «Segundo a graça de Deus que me foi dada, eu, como sábio arquiteto, coloquei o alicerce [...], mas ninguém pode colocar outro alicerce além do que está posto, que é Jesus Cristo» (1Cor 3,10-11). Com efeito, só Ele é o fundamento de toda a doutrina autêntica, quer apostólica, quer profética, de acordo com uma e outra Lei, a nova e a antiga; é por isso que está dito aos Efésios que foram «edificados sobre o alicerce dos apóstolos e dos profetas, que tem Cristo como pedra angular» (2,20). É claro, pois, que Cristo é o Senhor do conhecimento segundo a fé; Ele é o caminho, de acordo com a sua dupla vinda, em espírito e na carne.

São Boaventura (1221-1274) franciscano, doutor da Igreja Sermão «Christus unus omnium magister»

Santo do Dia