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Liturgia diária

Sexta-feira da 1ª semana do Advento

Sexta-Feira, 5 De Dezembro Cor litúrgica: Roxo

29,17-24.

17 Assim fala o Senhor Deus: «Daqui a muito pouco tempo, não há de o Líbano transformar-se num jardim e o jardim parecer uma floresta?
18 Nesse dia, os surdos ouvirão ler as palavras do livro; libertos da escuridão e das trevas, os olhos dos cegos tornarão a ver.
19 Os humildes alegrar-se-ão cada vez mais no Senhor e os mais pobres dos homens rejubilarão no Santo de Israel.
20 O tirano deixará de existir, o escarnecedor desaparecerá e serão exterminados os que só pensam no mal:
21 aqueles que fazem condenar os outros pelas suas palavras, os que armam ciladas no tribunal a quem promove a justiça e sem razão arruínam o justo.
22 Por isso, o Senhor, que libertou Abraão, assim fala à casa de Jacob: "Doravante Jacob não terá de que se envergonhar, o seu rosto não voltará a empalidecer,
23 porque, ao verem no meio dele os seus filhos, obras das minhas mãos, proclamarão santo o meu nome". Proclamarão a santidade do Santo de Jacob e temerão o Deus de Israel.
24 Os espíritos desnorteados aprenderão a sabedoria e os murmuradores hão de aceitar a instrução».

27(26),1.4.13-14.

R/ O Senhor é a minha luz e a minha salvação.

1 O Senhor é minha luz e salvação:
a quem hei de temer?
O Senhor é protetor da minha vida:
de quem hei de ter medo?

4 Uma coisa peço ao Senhor, por ela anseio:
habitar na casa do Senhor todos os dias da minha vida,
para gozar da suavidade do Senhor
e visitar o seu santuário.

13 Espero vir a contemplar a bondade do Senhor
na terra dos vivos.
14 Confia no Senhor, sê forte.
Tem coragem e confia no Senhor.

9,27-31.

27 Naquele tempo, Jesus pôs-Se a caminho e seguiram-no dois cegos, gritando: «Filho de David, tem piedade de nós».
28 Ao chegar a casa, os cegos aproximaram-se dele. Jesus perguntou-lhes: «Acreditais que posso fazer o que pedis?» Eles responderam: «Acreditamos, Senhor».
29 Então Jesus tocou-lhes nos olhos e disse: «Seja feito segundo a vossa fé».
30 E abriram-se os seus olhos. Jesus advertiu-os, dizendo: «Tende cuidado, para que ninguém o saiba».
31 Mas eles, quando saíram, divulgaram a fama de Jesus por toda aquela terra.

Comentário ao Evangelho

«E abriram-se os seus olhos»

«Deus refulgiu, o nosso Deus vem e não Se calará» (Sl 50,3). Com efeito, Cristo, o nosso Deus, o Filho de Deus, chegou de forma encoberta na sua primeira vinda; e virá de forma manifesta na segunda. Quando veio encoberto, só foi conhecido pelos seus servos; quando vier manifestamente, será conhecido pelos bons e pelos maus. Quando veio encoberto, foi para ser julgado; quando vier manifestamente, será para ser o juiz. Outrora foi julgado e calou-Se, e o profeta predissera esse silêncio: «Maltratado, humilhou-se voluntariamente e não abriu a boca; como cordeiro levado ao matadouro, como ovelha muda ante aqueles que a tosquiam, ele não abriu a boca» (Is 53,7); mas «Deus refulgiu, o nosso Deus vem e não Se calará». [...]

Agora, também os maus usufruem daquilo a que chamam felicidade neste mundo; e os bons sofrem aquilo a que chamam infelicidade neste mundo. Se os homens só creem nas realidades presentes e não acreditam nas realidades futuras, é porque observam que os bens e os males deste mundo pertencem indistintamente aos bons e aos maus. Se ambicionam riquezas, veem que elas pertencem tanto aos homens piores como aos bons. Se têm horror à pobreza e às misérias desta vida, veem que estas não fazem sofrer só os maus, mas também os bons, e dizem para si mesmos: «O Senhor não vê» (Sl 94,7), Ele não gere os assuntos humanos, Ele deixa-nos caminhar ao acaso para o abismo profundo deste mundo e não nos mostra a sua providência. E, se desprezam os preceitos de Deus, é porque não veem o seu juízo manifestar-se. [...]

Deus reserva muitas coisas para o juízo futuro, mas algumas delas são julgadas agora, para que aqueles cujo julgamento tarda se encham de receio e se convertam. Pois Deus não gosta de condenar, mas de salvar, e por isso é paciente com os maus, para que eles se tornem bons.

Santo Agostinho (354-430) bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja Sermão 18; PL 38, 128

Santo do Dia