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Liturgia diária

Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos

Domingo, 2 De Novembro Cor litúrgica: Roxo

3,1-9.

1 As almas dos justos estão na mão de Deus, e nenhum tormento os atingirá.
2 Aos olhos dos insensatos, parecem ter morrido; a sua saída deste mundo foi considerada uma desgraça
3 e a sua partida do meio de nós um aniquilamento. Mas eles estão em paz.
4 Aos olhos dos homens, eles sofreram um castigo, mas a sua esperança estava cheia de imortalidade.
5 Depois de leve pena, terão grandes benefícios, porque Deus os pôs à prova e os achou dignos de Si.
6 Experimentou-os como ouro no crisol e aceitou-os como sacrifício de holocausto.
7 No tempo da recompensa hão de resplandecer, correndo como centelhas através da palha.
8 Hão de governar as nações e dominar os povos, e o Senhor reinará sobre eles eternamente.
9 Os que nele confiam compreenderão a verdade e os que Lhe são fiéis permanecerão com Ele no amor, pois a graça e a fidelidade são para os seus santos, e a sua vinda será benéfica para os seus eleitos.

27(26),1.4.7.8.9.13-14.

R/ Espero contemplar a bondade do Senhor na terra dos vivos.

1 O Senhor é minha luz e salvação:
a quem hei de temer?
O Senhor é protetor da minha vida:
de quem hei de ter medo?

4 Uma coisa peço ao Senhor, por ela anseio:
habitar na casa do Senhor todos os dias da minha vida,
para gozar da suavidade do Senhor
e visitar o seu santuário.

7 Ouvi, Senhor, a voz da minha súplica,
tende compaixão de mim e atendei-me.
8 Diz-me o coração: «Procurai a sua face».
A vossa face, Senhor, eu procuro.

9 Não escondais de mim o vosso rosto,
nem afasteis com ira o vosso servo.
Não me rejeiteis nem me abandoneis,
meu Deus e meu Salvador.

13 Espero vir a contemplar a bondade do Senhor
na terra dos vivos.
14 Confia no Senhor, sê forte.
Tem coragem e confia no Senhor.

6,3-9.

3 Irmãos: Todos nós, que fomos batizados em Jesus Cristo, fomos batizados na sua morte.
4 Fomos sepultados com Ele pelo batismo na sua morte, para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos, pela glória do Pai, também nós vivamos uma vida nova.
5 Se, na verdade, estamos totalmente unidos a Cristo pela semelhança da sua morte, também o estaremos pela semelhança da sua ressurreição.
6 Bem sabemos que o nosso homem velho foi crucificado com Cristo, para que fosse destruído o corpo do pecado e não mais fôssemos escravos dele.
7 Quem morreu, está livre do pecado.
8 Se morremos com Cristo, acreditamos que também com Ele viveremos,
9 sabendo que, uma vez ressuscitado dos mortos, Cristo já não pode morrer; a morte já não tem domínio sobre Ele.

25,31-46.

31 Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Quando o Filho do homem vier na sua glória com todos os seus anjos, sentar-Se-á no seu trono glorioso.
32 Todas as nações se reunirão na sua presença, e Ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos;
33 e colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda.
34 Então, o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: "Vinde, benditos de meu Pai; recebei como herança o Reino que vos está preparado desde a criação do mundo.
35 Porque tive fome e destes-Me de comer; tive sede e destes-Me de beber; era peregrino e Me recolhestes;
36 não tinha roupa e Me vestistes; estive doente e viestes visitar-Me; estava na prisão e fostes ver-Me".
37 Então, os justos dir-Lhe-ão: "Senhor, quando é que Te vimos com fome e Te demos de comer, ou com sede e Te demos de beber?
38 Quando é que Te vimos peregrino e Te recolhemos, ou sem roupa e Te vestimos?
39 Quando é que Te vimos doente ou na prisão e Te fomos ver?".
40 E o Rei responder-lhes-á: "Em verdade vos digo, quantas vezes o fizestes a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes".
41 Dirá então aos que estiverem à sua esquerda: "Afastai-vos de Mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o Diabo e os seus anjos.
42 Porque tive fome e não Me destes de comer; tive sede e não Me destes de beber;
43 era peregrino e não Me recolhestes; estava sem roupa e não Me vestistes; estive doente e na prisão e não Me fostes visitar".
44 Então também eles Lhe hão de perguntar: "Senhor, quando é que Te vimos com fome ou com sede, peregrino ou sem roupa, doente ou na prisão, e não Te prestámos assistência?".
45 E Ele lhes responderá: "Em verdade vos digo, quantas vezes o deixastes de fazer a um dos meus irmãos mais pequeninos, também a Mim o deixastes de fazer".
46 Estes irão para o suplício eterno, e os justos para a vida eterna».

Comentário ao Evangelho

«Forte como a morte é o amor»

O amor com que Deus nos amou desatou, com o seu poder, os laços que nos mantinham prisioneiros da morte. Agora, esta só consegue reter por um instante aqueles a quem lhe é permitido tocar. Pois «Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram» (1Cor 15,20). Ele confirma-nos na certeza de que ressuscitaremos pelo mistério, o exemplo e o testemunho da sua própria ressurreição, bem como pela palavra da sua promessa.

A morte é forte, capaz de nos tirar o dom da vida; e forte é o amor que pode conduzir-nos a uma vida melhor. A morte é forte: o seu poder pode despojar-nos do corpo; o amor é forte: tem o poder de arrancar à morte o seu despojo e no-lo devolver. A morte é forte: nenhum homem pode resistir-lhe; o amor é forte, a tal ponto que triunfa sobre a morte, lhe embota o aguilhão, lhe detém a ambição e lhe revoga a vitória. De facto, ela é ridicularizada de cada vez que lhe é dito: «Ó morte, onde está a tua vitória? Ó morte, onde está o teu aguilhão?» (1Cor 15,55). «Forte como a morte é o amor» (Ct 8,6), pois a morte da morte é o amor de Cristo, como sugere esta palavra: «Onde estão, ó morte, os teus flagelos? Onde está, ó sepulcro, a tua destruição?» (Os 13,14).

O amor com que amamos a Cristo também é poderoso como a morte, pois é uma espécie de morte: a extinção da vida antiga, a abolição dos vícios, o abandono das obras da morte. Este amor que temos por Cristo é como que uma resposta ao amor que Ele nos tem; embora seja desigual, é à sua imagem. Ele amou-nos primeiro e, pelo exemplo de amor que nos deu, tornou-Se nosso modelo e nosso selo. Cabe-nos a nós deixar-nos marcar à sua imagem, depor a máscara terrena e revestir a figura celestial, cabe-nos a nós amar a Cristo como Ele nos amou.

Balduíno de Ford (?-c. 1190) abade cisterciense, depois bispo Tratado 10; PL 204, 513-514. 515A, 516B