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Liturgia diária

Terça-feira da 28ª semana do Tempo Comum

Terça-Feira, 14 De Outubro Cor litúrgica: Verde

1,16-25.

16 Irmãos: Não me envergonho do Evangelho, que é a força de Deus para a salvação de todo o crente: do judeu primeiramente, mas também do não judeu.
17 Porque no Evangelho se revela a justiça de Deus, que tem origem na fé e conduz à fé, como está escrito: «O justo viverá pela fé».
18 Na verdade, a ira de Deus manifesta-se do alto do Céu contra toda a impiedade e injustiça dos homens, que na sua injustiça abafam a verdade.
19 De facto, o que se pode conhecer de Deus é manifesto para eles, porque Deus lho manifestou.
20 Desde a criação do mundo, as perfeições invisíveis de Deus, o seu poder eterno e a sua divindade tornam-se, pelas suas obras, visíveis à inteligência. Deste modo, eles não têm desculpa,
21 porque, conhecendo a Deus, não O glorificaram como Deus nem Lhe deram graças. Ao contrário, entregaram-se aos seus vãos raciocínios e o seu coração insensato encheu-se de trevas.
22 Pretendendo ser sábios, tornaram-se loucos
23 e trocaram a glória de Deus imortal por imagens que representam homens mortais, aves, quadrúpedes e répteis.
24 Por isso Deus os entregou, segundo os desígnios dos seus corações, à impureza com que desonram os seus corpos.
25 Eles trocaram a verdade de Deus pela mentira, prestaram culto e adoração às criaturas em lugar do Criador, que é bendito para sempre. Amen.

19(18),2-3.4-5.

R/ Os céus proclamam a glória de Deus.

2 Os céus proclamam a glória de Deus
e o firmamento anuncia a obra das suas mãos.
3 O dia transmite ao outro esta mensagem
e a noite a dá a conhecer à outra noite.

4 Não são palavras nem linguagem
cujo sentido se não perceba.
5 O seu eco ressoou por toda a terra
e a sua notícia até aos confins do mundo.

11,37-41.

37 Naquele tempo, depois de Jesus ter falado, um fariseu convidou-O para comer em sua casa. Jesus entrou e tomou lugar à mesa.
38 O fariseu admirou-se, ao ver que Ele não tinha feito as abluções antes de comer.
39 Disse-lhe o Senhor: «Vós, os fariseus, limpais o exterior do copo e do prato, mas o vosso interior está cheio de rapina e perversidade.
40 Insensatos! Quem fez o interior não fez também o exterior?
41 Dai antes de esmola o que está dentro e tudo para vós ficará limpo».

Comentário ao Evangelho

«Quem fez o interior não fez também o exterior?»

Se eu tivesse compreendido como compreendo agora que tão grande Rei habita neste pequeno palácio da minha alma, parece-me que não O teria deixado sozinho tantas vezes. Ter-me-ia apresentado, pelo menos de vez em quando, à sua presença, e sobretudo teria tido o cuidado de conseguir que o seu palácio estivesse menos sujo. Que coisa admirável! Aquele que, com a sua grandeza, encheria mil mundos e muito mais, fechar-Se em habitação tão pequena! Por um lado, é verdade que, sendo o soberano Senhor, traz consigo a liberdade; e, por outro, que, estando cheio de amor por nós, Se faz à nossa medida!

Bem ciente de que uma alma principiante poderia perturbar-se ao ver-se – sendo tão pequena – destinada a conter tanta grandeza, não Se dá a conhecer imediatamente; a pouco e pouco, contudo, vai-lhe aumentando a capacidade, à medida dos dons que Se propõe colocar nela. É o poder que Ele tem de aumentar este palácio da nossa alma que me leva a dizer que traz consigo a liberdade. O essencial é fazer desse palácio um dom absoluto, esvaziando-o por completo, a fim de que Ele possa adorná-lo e desadorná-lo a seu bel-prazer, como se de uma morada sua se tratasse. Nosso Senhor tem razão em querer que assim seja; não Lho recusemos, pois. Ele não pretende forçar a nossa vontade, antes recebe o que ela Lhe dá. Mas só Se dá por inteiro quando nós também nos damos por inteiro.

É certo que é assim, e se vo-lo repito com tanta frequência é porque se trata de uma coisa muito importante. Enquanto a alma não Lhe pertencer por completo, liberta de tudo, Ele não age nela. Aliás, nem vejo bem como poderia fazê-lo, Ele que tanto ama a ordem perfeita. Se enchemos o palácio de gente comum e de todo o género de bugigangas, como poderá o Soberano encontrar lugar nele, juntamente com a sua corte? Já é de espantar que queira deter-Se uns momentos no meio de tantos obstáculos.

Santa Teresa de Ávila (1515-1582) carmelita descalça, doutora da Igreja Caminho de Perfeção, cap. 28

Santo do Dia