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Liturgia diária

23º Domingo do Tempo Comum

Domingo, 7 De Setembro Cor litúrgica: Verde

9,13-18.

13 Qual o homem que pode conhecer os desígnios de Deus? Quem pode sondar as intenções do Senhor?
14 Os pensamentos dos mortais são mesquinhos e inseguras as nossas reflexões,
15 porque o corpo corruptível deprime a alma, e a morada terrestre oprime o espírito que pensa.
16 Mal podemos compreender o que está sobre a Terra e com dificuldade encontramos o que temos ao alcance da mão. Quem poderá então descobrir o que há nos Céus?
17 Quem poderá conhecer, Senhor, os vossos desígnios, se Vós não lhe dais a sabedoria e não lhe enviais o vosso Espírito Santo?
18 Deste modo foi corrigido o procedimento dos que estão na Terra, os homens aprenderam as coisas que Vos agradam e pela sabedoria foram salvos.

90(89),3-4.5-6.12-13.14.17.

R/ Senhor, tendes sido o nosso refúgio através das gerações.

3 Vós reduzis o homem ao pó da terra
e dizeis: «Voltai, filhos de Adão».
4 Mil anos a vossos olhos
são como o dia de ontem que passou
e como uma vigília da noite.

5 Vós os arrebatais como um sonho,
como a erva que de manhã reverdece;
6 de manhã floresce e viceja,
de tarde ela murcha e seca.

12 Ensinai-nos a contar os nossos dias,
para chegarmos à sabedoria do coração.
13 Voltai, Senhor! Até quando...
Tende piedade dos vossos servos.

14 Saciai-nos desde a manhã com a vossa bondade,
para nos alegrarmos e exultarmos todos os dias.
17 Desça sobre nós a graça do Senhor,
confirmai em nosso favor a obra das nossas mãos.

1,9-10.12-17.

9 Caríssimo: Eu, Paulo, prisioneiro por amor de Cristo Jesus,
10 rogo-te por este meu filho, Onésimo, que eu gerei na prisão.
12 Mando-o de volta para ti como se fosse o meu próprio coração.
13 Quisera conservá-lo junto de mim, para que me servisse, em teu lugar, enquanto estou preso por causa do Evangelho.
14 Mas, sem o teu consentimento, nada quis fazer, para que a tua boa ação não parecesse forçada, mas feita de livre vontade.
15 Talvez ele se tenha afastado de ti durante algum tempo, a fim de o recuperares para sempre,
16 não já como escravo, mas muito melhor do que escravo: como irmão muito querido. É isto que ele é para mim e muito mais para ti, não só pela natureza, mas também aos olhos do Senhor.
17 Portanto, se me consideras teu amigo, recebe-o como a mim próprio.

14,25-33.

25 Naquele tempo, seguia Jesus uma grande multidão. Jesus voltou-Se e disse-lhes:
26 «Se alguém vier ter comigo, e não Me preferir ao pai, à mãe, à esposa, aos filhos, aos irmãos, às irmãs e até à própria vida, não pode ser meu discípulo.
27 Quem não toma a sua cruz para Me seguir não pode ser meu discípulo.
28 Quem de vós, desejando construir uma torre, não se senta primeiro a calcular a despesa, para ver se tem com que terminá-la?
29 Não suceda que, depois de assentar os alicerces, se mostre incapaz de a concluir, e todos os que olharem comecem a fazer troça, dizendo:
30 "Esse homem começou a edificar, mas não foi capaz de concluir".
31 E qual é o rei que parte para a guerra contra outro rei e não se senta primeiro a considerar se é capaz de se opor, com dez mil soldados, àquele que vem contra ele com vinte mil?
32 Aliás, enquanto o outro ainda está longe, manda-lhe uma delegação a pedir as condições de paz.
33 Assim, quem de entre vós não renunciar a todos os seus bens não pode ser meu discípulo».

Comentário ao Evangelho

Oferecer a Deus o nosso verdadeiro tesouro

Muitos dos que, para seguirem a Cristo, desprezaram fortunas consideráveis, enormes quantias de ouro e de prata e propriedades magníficas, mais tarde deixaram-se apegar a um raspador, a um estilete, a uma agulha, a um junco de escrita. [...] Depois de terem distribuído todas as suas riquezas por amor a Cristo, recuperaram a anterior paixão e aplicaram-na a futilidades, sendo capazes de se deixar levar pela cólera para as manter. Não tendo a caridade de que fala São Paulo, a sua vida foi tocada pela esterilidade. O bem-aventurado apóstolo previu essa infelicidade: «Ainda que eu distribua todos os meus bens pelos pobres e entregue o meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, de nada me aproveita», dizia (1Cor 13,3). Prova evidente de que não atingimos de imediato a perfeição pela simples renúncia a todas as riquezas e pelo desprezo de todas as honras, se a isso não juntarmos a caridade cujas características o apóstolo descreve.

Ora, esta caridade apenas se encontra na pureza do coração. Porque rejeitar a inveja, a arrogância, a ira e a frivolidade, não procurar o próprio interesse, não se alegrar com a injustiça, não guardar ressentimento e tudo o resto (cf 1Cor 13,4-5), que é tudo isso se não oferecer continuamente a Deus um coração perfeito e puro, e mantê-lo livre das moções das paixões? Assim, a pureza do coração deve ser o fim último das nossas ações e dos nossos desejos.

São João Cassiano (c. 360-435) fundador de mosteiro em Marselha Conferências, I, 6-7

Santo do Dia