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Liturgia diária

Terça-feira da 21ª semana do Tempo Comum

Terça-Feira, 26 De Agosto Cor litúrgica: Verde

2,1-8.

1 Irmãos, vós próprios bem sabeis que não foi vã a nossa estadia entre vós;
2 Apesar dos sofrimentos e insultos que suportámos em Filipos, como sabeis, no nosso Deus encontrámos coragem para vos anunciar o seu Evangelho no meio de grandes lutas.
3 A nossa pregação não nasce do erro, nem da impureza ou da fraude.
4 Mas, como Deus nos encontrou dignos de nos confiar o Evangelho, assim o pregamos, não para agradar aos homens, mas a Deus que põe à prova os nossos corações.
5 Bem sabeis que nunca usámos palavras de lisonja nem recursos de ganância; Deus é testemunha.
6 Também não procurámos as honras humanas, quer da vossa parte, quer da parte dos outros,
7 embora pudéssemos fazer valer a nossa autoridade como apóstolos de Cristo. Ao contrário, apresentámo-nos no meio de vós com bondade, como a mãe que acalenta os filhos que anda a criar.
8 assim nós também, pela viva afeição que vos dedicamos, desejaríamos partilhar convosco, não só o Evangelho de Deus, mas ainda a própria vida, tão caros vos tínheis tornado para nós.

139(138),1-3.4-6.

R/ Senhor, Vós conheceis o íntimo do meu coração.

1 Senhor, Vós conheceis o íntimo do meu ser:
2 sabeis quando me sento e quando me levanto.

De longe penetrais o meu pensamento:
3 Vós me vedes quando caminho e quando descanso,
observais todos os meus passos.

4 Ainda a palavra me não chegou à língua
e já, Senhor, a conheceis perfeitamente.

5 Por todos os lados me envolveis
e sobre mim pondes a vossa mão.

6 Prodigiosa ciência, que não posso compreender,
tão sublime que a não posso alcançar!

23,23-26.

23 Naquele tempo, disse Jesus: «Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, porque pagais o dízimo da hortelã, do funcho e do cominho, mas omitis as coisas mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia e a fidelidade. Devíeis praticar estas coisas, sem omitir as outras.
24 Guias cegos! Coais o mosquito e engolis o camelo.
25 Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, porque limpais o exterior do copo e do prato, que por dentro estão cheios de rapina e intemperança.
26 Fariseu cego! Limpa primeiro o interior do copo e do prato, para que também o exterior fique limpo».

Comentário ao Evangelho

«Omitis as coisas mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia e a fidelidade»

Se queres avançar com discrição e dando frutos no caminho da verdadeira religião, tens de ser austero e rígido contigo mesmo, mas sempre alegre e aberto com os outros, esforçando-te com todo o coração por caminhar nos cumes da retidão e sabendo inclinar-te com bondade para os mais fracos. Numa palavra, perante o juízo da tua consciência, deves moderar os rigores da justiça, de tal forma que não sejas duro com os pecadores, mas acessível ao perdão e indulgente. [...]

Considera o teu pecado perigoso e mortífero; o dos outros, considera-o uma fragilidade da condição humana. Pensa que a falta que, em ti, te parece digna de severa correção, nos outros não merece mais do que uma pequena admoestação. Não sejas mais justo do que o justo; receia o pecado, mas não hesites em perdoar ao pecador. A verdadeira justiça não é a que precipita as almas dos irmãos nos laços do desespero. [...] O fogo que, para queimar o mato, ameaça abrasar a casa com o ardor das suas chamas torna-se muito perigoso. Não, aquele que se compraz em escalpelizar os defeitos dos outros não evitará o pecado, porque, ainda que seja movido pelo zelo da justiça, tarde ou cedo acabará por denegri-los.

Se a nossa vida não nos parecesse tão bela, a dos outros não nos pareceria tão feia. E, se fôssemos juízes severos para connosco, como deveríamos ser, as faltas dos outros não encontrariam em nós censores tão rigorosos.

São Pedro Damião (1007-1072) eremita, bispo, doutor da Igreja Opúsculo 51

Santo do Dia