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Liturgia diária

8º Domingo do Tempo Comum

Domingo, 2 De Março Cor litúrgica: Verde

27,4-7.

4 Quando agitamos o crivo, só ficam impurezas; assim os defeitos do homem aparecem nas suas palavras.
5 O forno prova os vasos do oleiro e o homem é posto à prova pelos seus pensamentos.
6 O fruto da árvore manifesta a qualidade do campo; assim as palavras do homem revelam os seus sentimentos.
7 Não elogies ninguém antes de ele falar, porque é assim que se experimentam os homens.

92(91),2-3.13-14.15-16.

2 É bom louvar o Senhor
e cantar salmos ao vosso nome, ó Altíssimo,
3 proclamar pela manhã a vossa bondade
e durante a noite a vossa fidelidade.

13 O justo florescerá como a palmeira,
crescerá como o cedro do Líbano:
14 plantado na casa do Senhor,
florescerá nos átrios do nosso Deus.

15 Mesmo na velhice dará o seu fruto,
cheio de seiva e de vigor,
16 para proclamar que o Senhor é justo:
nele, que é o meu refúgio, não há iniquidade.

15,54-58.

54 Irmãos: Quando este nosso corpo corruptível se tornar incorruptível e este nosso corpo mortal se tornar imortal, então se realizará a palavra da Escritura: «A morte foi absorvida na vitória.
55 Ó morte, onde está a tua vitória? Ó morte, onde está o teu aguilhão?».
56 O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a Lei.
57 Mas dêmos graças a Deus, que nos dá a vitória por Nosso Senhor Jesus Cristo.
58 Assim, caríssimos irmãos, permanecei firmes e inabaláveis, cada vez mais diligentes na obra do Senhor, sabendo que o vosso esforço não é inútil no Senhor.

6,39-45.

39 Naquele tempo, disse Jesus aos discípulos a seguinte parábola: «Poderá um cego guiar outro cego? Não cairão os dois nalguma cova?
40 O discípulo não é superior ao mestre, mas todo o discípulo perfeito deverá ser como o seu mestre.
41 Porque vês o argueiro que o teu irmão tem na vista e não reparas na trave que está na tua?
42 Como podes dizer a teu irmão: "Irmão, deixa-me tirar o argueiro que tens na vista", se tu não vês a trave que está na tua? Hipócrita, tira primeiro a trave da tua vista e então verás bem para tirar o argueiro da vista do teu irmão.
43 Não há árvore boa que dê mau fruto, nem árvore má que dê bom fruto.
44 Cada árvore conhece-se pelo seu fruto: não se colhem figos dos espinheiros, nem se apanham uvas das sarças.
45 O homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o bem; e o homem mau, da sua maldade tira o mal; pois a boca fala do que transborda do coração.

Comentário ao Evangelho

«Cada árvore conhece-se pelo seu fruto»

Na criação, Deus mandou que as plantas dessem os seus frutos, cada uma «segundo as suas espécies» (Gn 1,11); da mesma maneira, ordenou aos cristãos, que são as plantas vivas da sua Igreja, que produzissem frutos de devoção, cada um segundo a sua qualidade e vocação. A devoção, a vida cristã, deve ser exercida de formas diferentes pelo fidalgo, pelo artesão, pelo criado, pelo príncipe, pela viúva, pela jovem e pela mulher casada; e também é preciso acomodar a prática da devoção às forças, às atividades e aos deveres específicos de cada um. [...] E se o bispo preferisse ser solitário como os monges? E se os casados quisessem ganhar o salário de um capuchinho, se o artesão estivesse todo o dia na igreja como o religioso, e o religioso constantemente exposto a todo o tipo de encontros para o serviço do próximo como o bispo? Tal não seria ridículo, desregrado e insuportável? Este erro, no entanto, é muito frequente. [...]

A devoção, quando é verdadeira, em nada prejudica; pelo contrário, tudo aperfeiçoa. [...] «A abelha», diz Aristóteles, «tira o mel das flores sem as estragar», deixando-as inteiras e frescas como as encontrou. A verdadeira devoção faz ainda melhor, pois, não só não prejudica nenhum tipo de vocação nem atividade, como, pelo contrário, as honra e embeleza. [...] Com ela, o cuidado da família torna-se mais pacífico, o amor do marido e da mulher mais sincero, o serviço do príncipe mais fiel, e todos os tipos de ocupação mais suaves e amáveis.

Não é só um erro, é também uma heresia querer banir a devoção das companhias de soldados, das lojas dos artesãos, da corte dos príncipes, dos lares dos casais. [...] Onde quer que estejamos, podemos e devemos aspirar à perfeição.

São Francisco de Sales (1567-1622) bispo de Genebra, doutor da Igreja Introdução à vida devota, I, cap. 3

Santo do Dia