Liturgia diária
Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos
3,1-9.
1 As almas dos justos estão na mão de Deus, e nenhum tormento os atingirá.
2 Aos olhos dos insensatos, parecem ter morrido; a sua saída deste mundo foi considerada uma desgraça
3 e a sua partida do meio de nós um aniquilamento. Mas eles estão em paz.
4 Aos olhos dos homens, eles sofreram um castigo, mas a sua esperança estava cheia de imortalidade.
5 Depois de leve pena, terão grandes benefícios, porque Deus os pôs à prova e os achou dignos de Si.
6 Experimentou-os como ouro no crisol e aceitou-os como sacrifício de holocausto.
7 No tempo da recompensa hão de resplandecer, correndo como centelhas através da palha.
8 Hão de governar as nações e dominar os povos, e o Senhor reinará sobre eles eternamente.
9 Os que nele confiam compreenderão a verdade e os que Lhe são fiéis permanecerão com Ele no amor, pois a graça e a fidelidade são para os seus santos, e a sua vinda será benéfica para os seus eleitos.
27(26),1.4.7.8.9.13-14.
R/ Espero contemplar a bondade do Senhor na terra dos vivos.
1 O Senhor é minha luz e salvação:
a quem hei de temer?
O Senhor é protetor da minha vida:
de quem hei de ter medo?
4 Uma coisa peço ao Senhor, por ela anseio:
habitar na casa do Senhor todos os dias da minha vida,
para gozar da suavidade do Senhor
e visitar o seu santuário.
7 Ouvi, Senhor, a voz da minha súplica,
tende compaixão de mim e atendei-me.
8 Diz-me o coração: «Procurai a sua face».
A vossa face, Senhor, eu procuro.
9 Não escondais de mim o vosso rosto,
nem afasteis com ira o vosso servo.
Não me rejeiteis nem me abandoneis,
meu Deus e meu Salvador.
13 Espero vir a contemplar a bondade do Senhor
na terra dos vivos.
14 Confia no Senhor, sê forte.
Tem coragem e confia no Senhor.
6,3-9.
3 Irmãos: Todos nós, que fomos batizados em Jesus Cristo, fomos batizados na sua morte.
4 Fomos sepultados com Ele pelo batismo na sua morte, para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos, pela glória do Pai, também nós vivamos uma vida nova.
5 Se, na verdade, estamos totalmente unidos a Cristo pela semelhança da sua morte, também o estaremos pela semelhança da sua ressurreição.
6 Bem sabemos que o nosso homem velho foi crucificado com Cristo, para que fosse destruído o corpo do pecado e não mais fôssemos escravos dele.
7 Quem morreu, está livre do pecado.
8 Se morremos com Cristo, acreditamos que também com Ele viveremos,
9 sabendo que, uma vez ressuscitado dos mortos, Cristo já não pode morrer; a morte já não tem domínio sobre Ele.
25,31-46.
31 Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Quando o Filho do homem vier na sua glória com todos os seus anjos, sentar-Se-á no seu trono glorioso.
32 Todas as nações se reunirão na sua presença, e Ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos;
33 e colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda.
34 Então, o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: "Vinde, benditos de meu Pai; recebei como herança o Reino que vos está preparado desde a criação do mundo.
35 Porque tive fome e destes-Me de comer; tive sede e destes-Me de beber; era peregrino e Me recolhestes;
36 não tinha roupa e Me vestistes; estive doente e viestes visitar-Me; estava na prisão e fostes ver-Me".
37 Então, os justos dir-Lhe-ão: "Senhor, quando é que Te vimos com fome e Te demos de comer, ou com sede e Te demos de beber?
38 Quando é que Te vimos peregrino e Te recolhemos, ou sem roupa e Te vestimos?
39 Quando é que Te vimos doente ou na prisão e Te fomos ver?".
40 E o Rei responder-lhes-á: "Em verdade vos digo, quantas vezes o fizestes a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes".
41 Dirá então aos que estiverem à sua esquerda: "Afastai-vos de Mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o Diabo e os seus anjos.
42 Porque tive fome e não Me destes de comer; tive sede e não Me destes de beber;
43 era peregrino e não Me recolhestes; estava sem roupa e não Me vestistes; estive doente e na prisão e não Me fostes visitar".
44 Então também eles Lhe hão de perguntar: "Senhor, quando é que Te vimos com fome ou com sede, peregrino ou sem roupa, doente ou na prisão, e não Te prestámos assistência?".
45 E Ele lhes responderá: "Em verdade vos digo, quantas vezes o deixastes de fazer a um dos meus irmãos mais pequeninos, também a Mim o deixastes de fazer".
46 Estes irão para o suplício eterno, e os justos para a vida eterna».
Comentário ao Evangelho
Cristo é a primícia daqueles que adormeceram
Porque terá Cristo morrido, senão porque tinha de ressuscitar? Com efeito, uma vez que Deus não podia morrer, a Sabedoria não podia morrer, e o que não pode morrer não pode ressuscitar. Por isso, Ele assumiu uma carne capaz de morrer, para que essa morte, que é própria da carne, Lhe desse oportunidade de ressuscitar. Assim, a ressurreição só podia ter lugar através de um homem, «pois se por um homem veio a morte, também por um homem veio a ressurreição dos mortos» (1Cor 15,21).
O homem ressuscitou porque foi o homem que morreu. O homem ressuscitou, mas foi Deus que O ressuscitou. Ele era homem segundo a carne, mas agora é Deus em tudo; porque agora já não conhecemos Cristo na carne (cf 2Cor 5,16), mas temos a graça da sua carne e reconhecemo-lo como «primícia dos que estão adormecidos» (1Cor 15,20) e «primogénito de entre os mortos» (Col 1,18).
As primícias são exatamente da mesma espécie e natureza que os frutos seguintes. Os primeiros frutos são oferecidos a Deus com vista a uma colheita mais abundante, como oferta sagrada por todos os outros frutos e como oblação de natureza renovada. Cristo é, portanto, «primícia dos que estão adormecidos».
Mas Ele será apenas dos seus, dos que adormeceram suavemente como se estivessem isentos da morte, ou será a primícia de todos os mortos? A Escritura responde: «Tal como em Adão todos morrem, assim também em Cristo todos serão restituídos à vida» (1Cor 15,22). Deste modo, a primícia da morte está em Adão e a primícia da ressurreição está em Cristo.
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