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Liturgia diária

Quarta-feira da 29ª semana do Tempo Comum

Quarta-Feira, 23 De Outubro Cor litúrgica: Verde

3,2-12.

2 Irmãos: Certamente já ouvistes falar da graça que Deus me confiou a vosso favor:
3 por uma revelação, foi-me dado a conhecer o mistério de Cristo, como já o apresentei sumariamente.
4 Assim podeis compreender o conhecimento que tenho do mistério de Cristo.
5 Nas gerações passadas, ele não foi dado a conhecer aos filhos dos homens, como agora foi revelado pelo Espírito Santo aos seus santos apóstolos e profetas:
6 os gentios recebem a mesma herança que os judeus, pertencem ao mesmo corpo e participam da mesma promessa, em Cristo Jesus, por meio do Evangelho.
7 Deste Evangelho me tornei ministro, pelo dom da graça que Deus me concedeu pela força do seu poder.
8 A mim, o último de todos os santos, foi concedida a graça de anunciar aos gentios a insondável riqueza de Cristo
9 e de manifestar a todos como se realiza o mistério escondido, desde toda a eternidade, em Deus, Criador de todas as coisas.
10 E agora, é por meio da Igreja que se dá a conhecer aos principados e potestades celestes a multiforme sabedoria de Deus,
11 realizada, conforme o seu eterno desígnio, em Jesus Cristo, nosso Senhor.
12 Assim, é pela fé em Cristo que podemos aproximar-nos de Deus com toda a confiança.

12,2-3.4bcd.5-6.

R/ Exultai de alegria, porque é grande no meio de vós o Santo de Israel.

2 Deus é o meu Salvador,
tenho confiança e nada temo.
O Senhor é a minha força e o meu louvor.
Ele é a minha salvação.

3 Tirareis água com alegria das fontes da salvação.
4 Agradecei ao Senhor, invocai o seu nome.
4 Anunciai aos povos a grandeza das suas obras,
4 proclamai a todos que o seu nome é santo.

5 Cantai ao Senhor, porque Ele fez maravilhas,
anunciai-as em toda a Terra.
6 Entoai cânticos de alegria e exultai, habitantes de Sião,
porque é grande no meio de vós o Santo de Israel.

12,39-48.

39 Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Compreendei isto: se o dono da casa soubesse a que hora viria o ladrão, não o deixaria arrombar a sua casa.
40 Estai vós também preparados, porque, na hora em que não pensais, virá o Filho do homem».
41 Disse Pedro a Jesus: «Senhor, é para nós que dizes esta parábola, ou também para todos os outros?».
42 O Senhor respondeu: «Quem é o administrador fiel e prudente que o senhor estabelecerá à frente da sua casa, para dar devidamente a cada um a sua ração de trigo?
43 Feliz o servo a quem o senhor, ao chegar, encontrar assim ocupado.
44 Em verdade vos digo que o porá à frente de todos os seus bens.
45 Mas se aquele servo disser consigo mesmo: "O meu senhor tarda em vir"; e começar a bater em servos e servas, a comer, a beber e a embriagar-se,
46 o senhor daquele servo chegará no dia em que menos espera e a horas que ele não sabe; ele o expulsará e fará que tenha a sorte dos infiéis.
47 O servo que, conhecendo a vontade do seu senhor, não se preparou ou não cumpriu a sua vontade, levará muitas vergastadas.
48 Aquele, porém, que, sem a conhecer, tenha feito ações que mereçam vergastadas, levará apenas algumas. A quem muito foi dado, muito será exigido; a quem muito foi confiado, mais se lhe pedirá».

Comentário ao Evangelho

«Quem é o administrador fiel e prudente que o senhor estabelecerá à frente da sua casa, para dar devidamente a cada um a sua ração de trigo?»

Se perguntarmos o que é esta medida de trigo, São Paulo responde-nos: «É a medida da fé que Deus vos deu» (Rom 12,3). Àquilo a que Cristo chama a medida de trigo, chama Paulo a medida da fé, para nos ensinar que não há outro trigo espiritual senão o venerável mistério da fé cristã. Damos-vos esta medida de trigo em nome do Senhor sempre que, iluminados pelos dons espirituais da graça, vos falamos segundo a regra da verdadeira fé. Esta medida é-vos dada pelos administradores do Senhor quando ouvis a palavra da verdade da boca dos servos de Deus.

Que esta medida de trigo que Deus nos dá para partilhar seja o nosso alimento: que ela seja o alimento da nossa boa conduta, para que possamos alcançar a recompensa da vida eterna. Acreditemos naquele que Se dá a nós como alimento para não desfalecermos no caminho, e que Se reserva como nosso prémio para encontrarmos a alegria na pátria. Acreditemos e esperemos nele; amemo-lo acima de tudo e em tudo. Porque Cristo é o nosso alimento e será a nossa recompensa. Cristo é o alimento e o conforto dos viajantes; Ele é a satisfação e a exultação dos bem-aventurados no seu repouso.

São Fulgêncio de Ruspas (467-532) bispo no Norte de África Sermão I, 2-3

Santo do Dia