Liturgia diária
28º Domingo do Tempo Comum
Tempo litúrgico
XXVIII Domingo do Tempo Comum
A liturgia deste domingo mostra-nos, com exemplos concretos, que Deus tem um projeto de salvação para oferecer a todos os homens, sem exceção; reconhecer o dom de Deus, acolhê-lo com amor e gratidão, é a condição para vencer a alienação, o sofrimento, o afastamento de Deus e dos irmãos, e chegar à vida plena.A primeira leitura apresenta-nos a história de um leproso (o sírio Naamã). O episódio revela que só Javé oferece ao homem a vida e a salvação, sem limites nem exceções; ao homem resta acolher o dom de Deus, reconhecê-lo como o único salvador e manifestar-lhe gratidão.A segunda leitura define a existência cristã como identificação com Cristo. Quem acolhe o dom de Deus, torna-se discípulo: identifica-se com Cristo, vive no amor e na entrega aos irmãos, e chega à vida nova da ressurreição.O Evangelho apresenta-nos um grupo de leprosos que se encontram com Jesus e que, através de Jesus, descobrem a misericórdia e o amor de Deus. Eles representam toda a humanidade, envolvida pela miséria e pelo sofrimento, sobre quem Deus derrama a sua bondade, o seu amor, a sua salvação. Também aqui se chama a atenção para a resposta do homem ao dom de Deus: todos os que experimentam a salvação que Deus oferece devem reconhecer o dom, acolhê-lo e manifestar a Deus a sua gratidão.
7,7-11.
7 Orei e foi-me dada a prudência; implorei e veio a mim o espírito de sabedoria.
8 Preferi-a aos cetros e aos tronos e, em sua comparação, considerei a riqueza como nada.
9 Não a equiparei à pedra mais preciosa, pois todo o ouro, à vista dela, não passa de um pouco de areia, e, comparada com ela, a prata é considerada como lodo.
10 Amei-a mais do que a saúde e a beleza e decidi tê-la como luz, porque o seu brilho jamais se extingue.
11 Com ela me vieram todos os bens e, pelas suas mãos, riquezas inumeráveis.
90(89),12-13.14-15.16-17.
R/ Saciai-nos, Senhor, com a vossa bondade e exultaremos de alegria.
12 Ensinai-nos a contar os nossos dias,
para chegarmos à sabedoria do coração.
13 Voltai, Senhor! Até quando...
Tende piedade dos vossos servos.
14 Saciai-nos desde a manhã com a vossa bondade,
para nos alegrarmos e exultarmos todos os dias.
15 Compensai em alegria os dias de aflição,
os anos em que sentimos a desgraça.
16 Manifestai a vossa obra aos vossos servos
e aos seus filhos a vossa majestade.
17 Desça sobre nós a graça do Senhor,
confirmai em nosso favor a obra das nossas mãos.
4,12-13.
12 A palavra de Deus é viva e eficaz, mais cortante que uma espada de dois gumes: ela penetra até ao ponto de divisão da alma e do espírito, das articulações e medulas, e é capaz de discernir os pensamentos e intenções do coração.
13 Não há criatura que possa fugir à sua presença: tudo está patente e descoberto aos olhos daquele a quem devemos prestar contas.
10,17-30.
17 Naquele tempo, ia Jesus pôr-Se a caminho, quando um homem se aproximou correndo, ajoelhou diante dele e Lhe perguntou: «Bom Mestre, que hei de fazer para alcançar a vida eterna?».
18 Jesus respondeu: «Porque Me chamas bom? Ninguém é bom senão Deus.
19 Tu sabes os mandamentos: "Não mates; não cometas adultério; não roubes; não levantes falso testemunho; não cometas fraudes; honra pai e mãe"».
20 O homem disse a Jesus: «Mestre, tudo isso tenho eu cumprido desde a juventude».
21 Jesus olhou para ele com simpatia e respondeu: «Falta-te uma coisa: vai vender o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no Céu. Depois, vem e segue-Me».
22 Ao ouvir estas palavras, o homem ficou abatido e retirou-se pesaroso, porque era muito rico.
23 Então Jesus, olhando à sua volta, disse aos discípulos: «Como será difícil para os que têm riquezas entrar no Reino de Deus!».
24 Os discípulos ficaram admirados com estas palavras. Mas Jesus afirmou-lhes de novo: «Meus filhos, como é difícil entrar no Reino de Deus!
25 É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus».
26 Eles admiraram-se ainda mais e diziam uns aos outros: «Quem pode então salvar-se?».
27 Fitando neles os olhos, Jesus respondeu: «Aos homens é impossível, mas não a Deus, porque a Deus tudo é possível».
28 Pedro começou a dizer-Lhe: «Vê como nós deixámos tudo para Te seguir».
29 Jesus respondeu: «Em verdade vos digo: todo aquele que tiver deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos ou terras por minha causa e por causa do evangelho
30 receberá cem vezes mais, já neste mundo, em casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e terras, juntamente com perseguições, e, no mundo futuro, a vida eterna.
Comentário ao Evangelho
«Jesus olhou para ele com simpatia»
Deus olha para ti, sejas quem fores. E «chama-te pelo teu nome» (Jo 10,3). Ele, que te fez, vê-te e compreende-te. Ele conhece tudo o que há em ti: todos os teus sentimentos, os teus pensamentos, as tuas inclinações, os teus gostos, as tuas forças e as tuas fraquezas. [...] E não é apenas porque fazes parte da sua criação, e porque Ele também cuida dos passarinhos (cf Mt 10,29) [...]; é que tu és um homem recuperado e santificado, és seu filho adotivo, que recebe parte daquela glória e daquela bênção que fluem eternamente dele sobre o seu Filho único.
Foste escolhido para ser dele. [...] És um daqueles por quem Cristo fez ao Pai a sua última oração, à qual impôs o selo do seu sangue precioso. Que pensamento este, quase grande demais para a nossa fé! Quando refletimos sobre ele, temos dificuldade em não reagir como Sara, que se riu, incrédula (cf Gn 18,12). «Que é o homem», que somos nós, que sou eu, para que o Filho de Deus «cuide de mim?» (Sl 8,5) Que sou eu, [...] para que Ele me tenha feito de novo [...], e para que tenha feito do meu coração sua morada?
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