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Liturgia diária

Sábado da 25ª semana do Tempo Comum

Sábado, 28 De Setembro Cor litúrgica: Verde

11,9-10.12,1-8.

9 Regozija-te, ó jovem, durante a mocidade e sê feliz na flor dos teus anos. Segue os caminhos do teu coração e os atrativos dos teus olhos, mas tem presente que Deus te pedirá contas de tudo isto.
10 Lança fora do teu coração a tristeza e afasta do teu corpo o sofrimento, porque a juventude e flor da idade são efémeras.
1 Lembra-te do teu Criador nos dias da juventude, antes de chegarem os dias maus e de virem os anos em que dirás: «Eles não me agradam nada»;
2 antes de escurecerem o sol, a luz, a lua e as estrelas, e de voltarem as nuvens depois da chuva;
3 quando começarem a tremer os guardas da casa e a vergarem-se os homens robustos; quando as mulheres, uma após outra, deixarem de moer e caírem na obscuridade as que olham pelas janelas;
4 quando se fecharem as portas que dão para a rua e afroixar o ranger do moinho; quando se calar a voz do passarinho e acabarem todas as canções;
5 quando se começa a temer a subida e a tremer durante a caminhada. E enquanto a amendoeira floresce, o gafanhoto se torna pesado e a alcaparra deixa cair os seus frutos, o homem encaminha-se para a sua morada eterna e os carpidores percorrem as ruas.
6 Lembra-te do teu Criador, antes que se rompa o fio de prata e se quebre a lâmpada de ouro, que a bilha se parta junto à fonte e a roldana rebente no poço,
7 que o pó regresse à terra de onde veio e o espírito volte para Deus que o criou.
8 Vaidade das vaidades – diz Coelet – tudo é vaidade.

90(89),3-4.5-6.12-13.14.17.

R/ Senhor, tendes sido o nosso refúgio através das gerações.

3 Vós reduzis o homem ao pó da terra
e dizeis: «Voltai, filhos de Adão».
4 Mil anos a vossos olhos
são como o dia de ontem que passou
e como uma vigília da noite.

5 Vós os arrebatais como um sonho,
como a erva que de manhã reverdece;
6 de manhã floresce e viceja,
de tarde ela murcha e seca.

12 Ensinai-nos a contar os nossos dias,
para chegarmos à sabedoria do coração.
13 Voltai, Senhor! Até quando...
Tende piedade dos vossos servos.

14 Saciai-nos desde a manhã com a vossa bondade,
para nos alegrarmos e exultarmos todos os dias.
17 Desça sobre nós a graça do Senhor,
confirmai em nosso favor a obra das nossas mãos.

9,43b-45.

43 Naquele tempo, estavam todos admirados com tudo o que Jesus fazia. Então Ele disse aos discípulos:
44 «Escutai bem o que vou dizer-vos. O Filho do homem vai ser entregue às mãos dos homens».
45 Eles, porém, não compreendiam aquelas palavras; eram misteriosas para eles e não as entendiam. Mas tinham medo de O interrogar sobre tal assunto.

Comentário ao Evangelho

«O Filho do homem vai ser entregue às mãos dos homens»

Depois de O terem flagelado, O terem coroado de espinhos e Lhe terem vestido um manto de escárnio, os soldados romanos levaram Jesus a Pilatos. Este militar de coração duro ficou aparentemente incomodado com a visão daquele homem destruído, alquebrado, e apresentou-O à multidão, declarando: «Idou anthropos, Ecce homo», que traduzimos habitualmente por «Eis o homem!» (Jo 19,5). Mas em grego isto quer dizer, mais exatamente: «Vede, isto é o homem!» Na boca de Pilatos, estas palavras eram as de um cínico que queria dizer: «Nós gloriamo-nos de ser homens, mas agora, ei-lo, este verme da terra é o homem! Como é desprezível e pequeno!» Nestas palavras cínicas, o evangelista João reconheceu igualmente palavras proféticas, que transmitiu à cristandade.

Sim, Pilatos tem razão quando diz: «Vede, isto é o homem!» Nele, em Jesus Cristo, podemos ler o que o homem é, o projeto de Deus, e que tratamento lhe reservamos. Em Jesus dilacerado, podemos ver como o homem consegue ser cruel, pequeno e mesquinho. Nele, podemos ler a história do ódio do homem e a história do pecado. Nele, no seu amor que sofre por nós, podemos ver ainda melhor a resposta de Deus. Sim, isto é o homem, que Deus amou até ao pó, que Deus amou a ponto de o seguir até ao derradeiro sofrimento da morte. Mesmo na humilhação extrema, ele é o chamado por Deus, o irmão de Jesus Cristo, chamado a tomar parte do amor eterno de Deus.

A pergunta «O que é o homem?» encontra resposta na imitação de Jesus Cristo. Fazendo nossos os seus passos, podemos aprender, dia após dia, o que é o homem na paciência do amor e no sofrimento com Jesus Cristo, tornando-nos, assim, homens. Então, quereremos erguer os olhos para Aquele que Pilatos e a Igreja nos apresentam. O homem é Ele. Oremos-Lhe, pedindo que nos ensine a tornarmo-nos verdadeiramente homens, a sermos homens.

Cardeal Joseph Ratzinger (Bento XVI Papa de 2005 a 2013) Sermões para a Quaresma 1981, n.º 3

Santo do Dia