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Liturgia diária

Sábado da 24ª semana do Tempo Comum

Sábado, 23 De Setembro Cor litúrgica: Verde

6,13-16.

13 Caríssimo: Ordeno-te na presença de Deus, que dá a vida a todas as coisas, e de Cristo Jesus, que deu testemunho da verdade diante de Pôncio Pilatos:
14 Guarda o mandamento do Senhor, sem mancha e acima de toda a censura, até à aparição de Nosso Senhor Jesus Cristo,
15 a qual manifestará a seu tempo o venturoso e único soberano, Rei dos reis e Senhor dos senhores,
16 o único que possui a imortalidade e habita uma luz inacessível, que nenhum homem viu nem pode ver. A Ele a honra e o poder eterno. Ámen.

100(99),2.3.4.5.

R/ Vinde à presença do Senhor com cânticos de alegria.

2 Aclamai o Senhor, Terra inteira,
servi o Senhor com alegria,
vinde a Ele com cânticos de júbilo.

3 Sabei que o Senhor é Deus,
Ele nos fez, a Ele pertencemos,
somos o seu povo, as ovelhas do seu rebanho.

4 Entrai pelas suas portas, dando graças,
penetrai em seus átrios com hinos de louvor,
glorificai-O, bendizei o seu nome.

5 Porque o Senhor é bom,
eterna é a sua misericórdia,
a sua fidelidade estende-se de geração em geração.

8,4-15.

4 Naquele tempo, reuniu-se uma grande multidão, que vinha ter com Jesus de todas as cidades, e Ele falou-lhes por meio da seguinte parábola:
5 «O semeador saiu para semear a sua semente. Quando semeava, uma parte da semente caiu à beira do caminho: foi calcada e as aves do céu comeram-na.
6 Outra parte caiu em terreno pedregoso: depois de ter nascido, secou por falta de humidade.
7 Outra parte caiu entre espinhos: os espinhos cresceram com ela e sufocaram-na.
8 Outra parte caiu em boa terra: nasceu e deu fruto cem por um». Dito isto, exclamou: «Quem tem ouvidos para ouvir, oiça».
9 Os discípulos perguntaram a Jesus o que significava aquela parábola
10 e Ele respondeu: «A vós foi concedido conhecer os mistérios do Reino de Deus, mas aos outros serão apresentados só em parábolas, para que, ao olharem, não vejam, e, ao ouvirem, não entendam.
11 É este o sentido da parábola: A semente é a palavra de Deus.
12 Os que estão à beira do caminho são aqueles que ouvem, mas depois vem o diabo tirar-lhes a palavra do coração, para que não acreditem e se salvem.
13 Os que estão em terreno pedregoso são aqueles que, ao ouvirem, acolhem a palavra com alegria, mas, como não têm raiz, acreditam por algum tempo e afastam-se quando chega a provação.
14 A semente que caiu entre espinhos são aqueles que ouviram, mas, sob o peso dos cuidados, da riqueza e dos prazeres da vida, sentem-se sufocados e não chegam a amadurecer.
15 A semente que caiu em boa terra são aqueles que ouviram a palavra com um coração nobre e generoso, a conservam e dão fruto pela sua perseverança».

Comentário ao Evangelho

«Quem tem ouvidos para ouvir, oiça»

Se a semente seca, não é devido ao calor. Jesus não disse que a semente secou por causa do calor, mas sim por não ter raiz. Se a Palavra é asfixiada, não será por causa dos espinhos, mas de quem os deixou crescer em liberdade; se quiseres, podes impedir que eles cresçam, fazendo bom uso das riquezas. É por isso que o Salvador não fala do mundo, mas dos cuidados do mundo; não fala das riquezas, mas dos cuidados com as riquezas. Por conseguinte, não atribuamos a responsabilidade às coisas em si mesmas, mas à corrupção da nossa consciência. [...]

Como vês, o problema não é do agricultor, nem da semente, mas da terra onde ela é recebida, ou seja, das disposições do nosso coração. Também aí a bondade de Deus para com o homem é imensa, dado que, longe de exigir a todos a mesma medida de virtude, Ele acolhe os primeiros, não repudia os segundos e dá lugar aos terceiros. [...]

É necessário, pois, começar por ouvir atentamente a Palavra, depois guardá-la fielmente na memória, em seguida encher-se de coragem, desprezar as riquezas e libertar-se do amor aos bens deste mundo. Se Jesus coloca em primeiro lugar a atenção à Palavra, se a coloca antes das outras condições, é porque ela é a condição fundamental. «E como hão de acreditar naquele de quem não ouviram falar?» (Rom, 10,14). Também nós, se não dermos atenção ao que nos é dito, ficaremos sem conhecer os deveres que temos de cumprir. Só depois vem a coragem e o desprezo pelos bens deste mundo. Para pôr a render estas lições, fortifiquemo-nos estando atentos à Palavra, fazendo crescer profundamente as nossas raízes e libertando-nos das preocupações do mundo.

São João Crisóstomo (c. 345-407) presbítero de Antioquia, bispo de Constantinopla, doutor da Igreja Sermão n° 44 sobre S. Mateus; PG 57, 467

Santo do Dia