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Liturgia diária

Terça-feira da 24ª semana do Tempo Comum

Terça-Feira, 19 De Setembro Cor litúrgica: Verde

3,1-13.

1 Caríssimo: É digna de fé esta palavra: Quem aspira a um cargo de governo na Igreja aspira a uma nobre função.
2 Mas quem exerce esse cargo deve ser irrepreensível, casado uma só vez, sóbrio, ponderado, digno, hospitaleiro, capaz de ensinar,
3 não dado ao vinho, nem violento, mas condescendente, pacífico e desinteressado.
4 Deve governar bem a sua casa, mantendo os filhos submissos com toda a dignidade,
5 pois quem não sabe governar a própria casa, como poderá cuidar da Igreja de Deus?
6 Não deve ser um recém-convertido, não aconteça que se encha de orgulho e venha a incorrer na mesma condenação do diabo.
7 Além disso, deve gozar de boa fama entre os de fora, para não cair no descrédito e em alguma cilada do diabo.
8 Os diáconos devem igualmente ser dignos, homens de palavra, não propensos ao excesso de bebidas nem a lucros desonestos;
9 e conservem o mistério da fé numa consciência pura.
10 Sejam primeiro postos à prova; depois, se não houver nada a censurar-lhes, poderão exercer o diaconado.
11 As suas mulheres devem igualmente ser dignas, não maldizentes, mas sóbrias e fiéis em tudo.
12 Não se casem os diáconos mais que uma vez; governem bem os filhos e a própria casa.
13 Porque aqueles que exercem bem o seu ministério alcançam uma posição honrosa e uma firme confiança, fundada sobre a fé em Cristo Jesus.

101(100),1-2ab.2cd-3ab.5.6.

R/ Andarei no caminho perfeito.

1 Quero cantar a bondade e a justiça:
a Vós, Senhor, entoarei salmos.
2 Quero seguir o caminho perfeito:
2 quando vireis ao meu encontro?

2 Viverei na inocência do coração
2 no interior da minha casa.
3 Não porei diante de meus olhos
3 qualquer ação perversa.

5 Quem às ocultas calunia o seu próximo,
hei de reduzi-lo ao silêncio.
Ao de olhar altivo e coração soberbo,
não o poderei suportar.

6 Tenho os olhos postos na gente leal da minha terra,
para que esteja sempre ao meu lado.
Só aquele que segue o caminho perfeito
poderá ser meu servo.

7,11-17.

11 Naquele tempo, dirigia-Se Jesus para uma cidade chamada Naim; iam com Ele os seus discípulos e uma grande multidão.
12 Quando chegou à porta da cidade, levavam um defunto a sepultar, filho único de sua mãe, que era viúva. Vinha com ela muita gente da cidade.
13 Ao vê-la, o Senhor compadeceu-Se dela e disse-lhe: «Não chores».
14 Jesus aproximou-Se e tocou no caixão; e os que o transportavam pararam. Disse Jesus: «Jovem, Eu te ordeno: levanta-te».
15 O morto sentou-se e começou a falar; e Jesus entregou-o à sua mãe.
16 Todos se encheram de temor e davam glória a Deus, dizendo: «Apareceu no meio de nós um grande profeta; Deus visitou o seu povo».
17 E a fama deste acontecimento espalhou-se por toda a Judeia e pelas regiões vizinhas.

Comentário ao Evangelho

«Jovem, Eu te ordeno: levanta-te»

No evangelho, encontramos três mortos ressuscitados pelo Senhor de forma visível, e milhares ressuscitados de forma invisível. […] A filha do chefe da sinagoga (cf Mc 5,22ss), o filho da viúva de Naim e Lázaro (cf Jo 11) […] são símbolos dos três tipos de pecadores que ainda hoje são ressuscitados pelo Senhor: a menina ainda se encontrava em casa de seu pai […], o filho da viúva já não estava em casa de sua mãe, mas ainda não estava no túmulo, […] e Lázaro já estava sepultado. […]

Assim, há pessoas que têm o pecado dentro do coração, mas ainda não o cometeram. […] Tendo consentido no pecado, ele habita-lhes a alma como morto, mas não saiu ainda para fora. Ora, acontece amiúde […] aos homens esta experiência interior: depois de terem escutado a palavra de Deus, parece-lhes que o Senhor lhes diz: «Levanta-te!» E, condenando o consentimento que antes haviam dado ao mal, retomam fôlego para viverem na salvação e na justiça. […] Outros, após aquele consentimento, partem para os atos, transportando assim o morto que traziam escondido no fundo do coração e expondo-o diante de todos. Deveremos desesperar deles? Não disse o Salvador ao jovem de Naim: «Eu te ordeno: levanta-te»? Não o devolveu a sua mãe? O mesmo acontece a quem atua desse modo: tocado e comovido pela Palavra da Verdade, ressuscita à voz de Cristo e volta à vida. É certo que deu mais um passo na via do pecado, mas não pereceu para sempre.

Já aqueles que se embrenharam nos maus hábitos, a ponto de perderem a noção do próprio mal que cometem, procuram defender os seus atos maus e enfurecem-se quando alguém lhos censura. […] Esses, esmagados pelo peso do hábito de pecar, estão metidos nas mortalhas e nos túmulos […] e cada pedra colocada sobre o seu sepulcro aumenta a força tirânica do hábito que lhes oprime a alma e os impede de se levantarem para respirar. […]

Por isso, irmãos caríssimos, façamos de tal modo que quem vive, viva, e quem está morto volte à vida […] e faça penitência. […] Os que vivem, conservem a vida, e os que estão mortos apressem-se a ressuscitar.

Santo Agostinho (354-430) bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja Sermão 98

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