Liturgia diária
28º Domingo do Tempo Comum
Tempo litúrgico
XXVIII Domingo do Tempo Comum
A liturgia deste domingo mostra-nos, com exemplos concretos, que Deus tem um projeto de salvação para oferecer a todos os homens, sem exceção; reconhecer o dom de Deus, acolhê-lo com amor e gratidão, é a condição para vencer a alienação, o sofrimento, o afastamento de Deus e dos irmãos, e chegar à vida plena.A primeira leitura apresenta-nos a história de um leproso (o sírio Naamã). O episódio revela que só Javé oferece ao homem a vida e a salvação, sem limites nem exceções; ao homem resta acolher o dom de Deus, reconhecê-lo como o único salvador e manifestar-lhe gratidão.A segunda leitura define a existência cristã como identificação com Cristo. Quem acolhe o dom de Deus, torna-se discípulo: identifica-se com Cristo, vive no amor e na entrega aos irmãos, e chega à vida nova da ressurreição.O Evangelho apresenta-nos um grupo de leprosos que se encontram com Jesus e que, através de Jesus, descobrem a misericórdia e o amor de Deus. Eles representam toda a humanidade, envolvida pela miséria e pelo sofrimento, sobre quem Deus derrama a sua bondade, o seu amor, a sua salvação. Também aqui se chama a atenção para a resposta do homem ao dom de Deus: todos os que experimentam a salvação que Deus oferece devem reconhecer o dom, acolhê-lo e manifestar a Deus a sua gratidão.
5,14-17.
14 Naqueles dias, o general sírio Naamã desceu ao Jordão e aí mergulhou sete vezes, como lhe mandara Eliseu, o homem de Deus. A sua carne tornou-se tenra como a de uma criança e ficou purificado da lepra.
15 Naamã foi ter novamente com o homem de Deus, acompanhado de toda a sua comitiva. Ao chegar diante dele, exclamou: «Agora reconheço que em toda a terra não há outro Deus senão o de Israel. Peço-te que aceites um presente deste teu servo».
16 Eliseu respondeu-lhe: «Pela vida do Senhor que eu sirvo, nada aceitarei». E apesar das insistências, ele recusou.
17 Disse então Naamã: «Se não aceitas, permite ao menos que se dê a este teu servo uma porção de terra para um altar, tanto quanto possa carregar uma parelha de mulas, porque o teu servo nunca mais há de oferecer holocausto ou sacrifício a quaisquer outros deuses, mas apenas ao Senhor, Deus de Israel».
98(97),1-4.
R/ O Senhor manifestou a salvação a todos os povos.
1 Cantai ao Senhor um cântico novo
pelas maravilhas que Ele operou.
A sua mão e o seu santo braço
Lhe deram a vitória.
2 O Senhor deu a conhecer a salvação,
revelou aos olhos das nações a sua justiça.
3 Recordou-Se da sua bondade e fidelidade,
em favor da casa de Israel.
Os confins da Terra puderam ver
a salvação do nosso Deus.
4 Aclamai o Senhor, Terra inteira,
exultai de alegria e cantai.
2,8-13.
8 Caríssimo: Lembra-te de que Jesus Cristo, descendente de David, ressuscitou dos mortos, segundo o meu Evangelho,
9 pelo qual eu sofro, até ao ponto de estar preso a estas cadeias como um malfeitor. Mas a palavra de Deus não está encadeada.
10 Por isso, tudo suporto por causa dos eleitos, para que obtenham a salvação que está em Cristo Jesus, com a glória eterna.
11 É digna de fé esta palavra: se morremos com Cristo, também com Ele viveremos;
12 se sofremos com Cristo, também com Ele reinaremos; se O negarmos, também Ele nos negará;
13 se Lhe formos infiéis, Ele permanece fiel, porque não pode negar-Se a Si mesmo.
17,11-19.
11 Naquele tempo, indo Jesus a caminho de Jerusalém, passava entre a Samaria e a Galileia.
12 Ao entrar numa povoação, vieram ao seu encontro dez leprosos. Conservando-se a distância,
13 disseram em alta voz: «Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!».
14 Ao vê-los, Jesus disse-lhes: «Ide mostrar-vos aos sacerdotes». E sucedeu que no caminho ficaram limpos da lepra.
15 Um deles, ao ver-se curado, voltou atrás, glorificando a Deus em alta voz,
16 e prostrou-se de rosto por terra aos pés de Jesus para Lhe agradecer. Era um samaritano.
17 Jesus, tomando a palavra, disse: «Não foram dez os que ficaram curados? Onde estão os outros nove?
18 Não se encontrou quem voltasse para dar glória a Deus senão este estrangeiro?».
19 E disse ao homem: «Levanta-te e segue o teu caminho; a tua fé te salvou».
Comentário ao Evangelho
A fé que purifica
Estes dez leprosos representam o conjunto dos pecadores. [...] Quando Cristo Nosso Senhor veio ao mundo, todos os homens sofriam de lepra da alma, embora nem todos estivessem fisicamente doentes. [...] Ora, a lepra da alma é bem pior que a do corpo.
Mas vejamos a continuação: «Conservando-se a distância, disseram em alta voz: "Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!"». Esses homens mantiveram-se a distância porque não ousavam, tendo em conta o seu estado, aproximar-se mais dele. O mesmo se passa connosco: enquanto permanecemos nos nossos pecados, mantemo-nos afastados. Para recuperarmos a saúde e nos curarmos da lepra dos nossos pecados, supliquemos com voz forte: «Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!». Porém, que esta súplica não nos saia da boca, mas do coração, porque o coração fala mais alto. A oração do coração penetra nos Céus e sobe até ao trono de Deus.
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