Liturgia diária
Sexta-feira da 22ª semana do Tempo Comum
4,1-5.
1 Irmãos: Todos nos devem considerar como servos de Cristo e administradores dos mistérios de Deus.
2 Ora o que se requer nos administradores é que sejam fiéis.
3 Quanto a mim, pouco me importa ser julgado por vós ou por um tribunal humano; nem sequer me julgo a mim próprio.
4 De nada me acusa a consciência, mas não é por isso que estou justificado:
5 quem me julga é o Senhor. Portanto, não façais qualquer juízo antes do tempo, até que venha o Senhor, que há de iluminar o que está oculto nas trevas e manifestar os desígnios dos corações. E então cada um receberá da parte de Deus o louvor que merece.
37(36),3-4.5-6.27-28.39-40.
R/ A salvação dos justos vem do Senhor.
3 Confia no Senhor e pratica o bem,
possuirás a Terra e viverás tranquilo.
4 Põe no Senhor as tuas delícias
e Ele satisfará os anseios do teu coração.
5 Confia ao Senhor o teu destino
e tem confiança, que Ele atuará.
6 Fará brilhar a tua luz como a justiça
e como o sol do meio-dia os teus direitos.
27 Afasta-te do mal e pratica o bem
e permanecerás para sempre;
28 porque o Senhor ama a justiça
e não desampara os que Lhe são fiéis.
39 A salvação dos justos vem do Senhor,
Ele é o seu refúgio no tempo da tribulação.
40 O Senhor os ajuda e defende,
porque nele procuraram refúgio.
5,33-39.
33 Naquele tempo, os fariseus e os escribas disseram a Jesus: «Os discípulos de João Batista e os fariseus jejuam muitas vezes e recitam orações. Mas os teus discípulos comem e bebem».
34 Jesus respondeu-lhes: «Quereis vós obrigar a jejuar os companheiros do noivo enquanto o noivo está com eles?
35 Dias virão em que o noivo lhes será tirado; nesses dias jejuarão».
36 Disse-lhes também esta parábola: «Ninguém corta um remendo de um vestido novo para o deitar num vestido velho, porque não só rasga o vestido novo, como também o remendo não se ajustará ao velho.
37 E ninguém deita vinho novo em odres velhos, porque o vinho novo acaba por romper os odres, derramar-se-á e os odres ficarão perdidos.
38 Mas deve deitar-se vinho novo em odres novos.
39 Quem beber do vinho velho não quer do novo, pois diz: "O velho é que é bom"».
Comentário ao Evangelho
«O noivo está com eles»
Entre todos os movimentos da alma, entre todos os sentimentos e afetos da alma, o amor é o único que permite à criatura corresponder ao seu Criador, senão de igual para igual, pelo menos de semelhante para semelhante. [...] O amor do Noivo, ou antes, o Noivo que é amor, apenas pede amor recíproco e fidelidade. Seja, pois, permitido à noiva corresponder a esse amor. E como poderia ela não amar, sendo noiva, e noiva do Amor? Como poderia o Amor não ser amado? Ela tem razões para renunciar a todos os outros afetos e para se entregar a um único amor, uma vez que lhe foi dado corresponder ao Amor com um amor recíproco. [...]
Mas, mesmo que se funda por completo no amor, o que será isso em comparação com a torrente de amor eterno que brota da própria fonte? O fluxo não corre com a mesma abundância daquele que ama e do Amor, da alma e do Verbo, da noiva e do Noivo, da criatura e do Criador; não existe a mesma abundância na fonte e naquele que vem beber à fonte. [...] Quer dizer então que os suspiros da noiva, o seu fervor amoroso, a sua espera cheia de confiança, que tudo isso é em vão, porque ela não pode rivalizar na corrida com um campeão (cf Sl 18,6), não pode querer ser doce como o mel, terna como o cordeiro, branca como o lírio, luminosa como sol, e tão amorosa como Aquele que é o próprio Amor? Não. Porque, se é certo que a criatura, na medida em que é inferior ao Criador, ama menos do que Ele, também é certo que pode amar com todo o seu ser; e, onde há totalidade, nada falta.
É esse o amor puro e desinteressado, o amor delicado, pacífico e sincero, mútuo, íntimo, forte, que reúne os dois amantes, não numa só carne, mas num único espírito, de modo que eles se tornam um só, nas palavras de São Paulo: «Aquele que se une ao Senhor constitui com Ele um só espírito» (1Cor 6,17).
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