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Liturgia diária

Segunda-feira da 8ª semana do Tempo Comum

Segunda-Feira, 28 De Fevereiro Cor litúrgica: Verde

1,3-9.

3 Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, na sua grande misericórdia, nos fez renascer, pela ressurreição de Jesus Cristo de entre os mortos, para uma esperança viva,
4 para uma herança que não se corrompe, nem se mancha, nem desaparece. Esta herança está reservada nos Céus para vós,
5 que pelo poder de Deus sois guardados, mediante a fé, para a salvação que se vai revelar nos últimos tempos.
6 Isto vos enche de alegria, embora vos seja preciso ainda, por pouco tempo, passar por diversas provações,
7 para que a prova a que é submetida a vossa fé – muito mais preciosa que o ouro perecível, que se prova pelo fogo – seja digna de louvor, glória e honra, quando Jesus Cristo Se manifestar.
8 Sem O terdes visto, vós O amais; sem O ver ainda, acreditais nele. E isto é para vós fonte de uma alegria inefável e gloriosa,
9 porque conseguis o fim da vossa fé: a salvação das vossas almas.

111(110),1-2.5-6.9.10c.

R/ O Senhor jamais esquecerá a sua aliança.

1 Louvarei o Senhor de todo o coração
no conselho dos justos e na assembleia.
2 Grandes são as obras do Senhor,
admiráveis para os que nelas meditam.

5 Deu sustento àqueles que O temem
e jamais se esquecerá da sua aliança.
6 Fez ver ao seu povo a força das suas obras,
para lhe dar a herança das nações.

9 Enviou a redenção ao seu povo,
firmou com ele uma aliança eterna;
santo e venerável é o seu nome,
10 o louvor do Senhor permanece para sempre.

10,17-27.

17 Naquele tempo, ia Jesus pôr-Se a caminho, quando um homem se aproximou correndo, ajoelhou diante dele e Lhe perguntou: «Bom Mestre, que hei de fazer para alcançar a vida eterna?».
18 Jesus respondeu: «Porque Me chamas bom? Ninguém é bom senão Deus.
19 Tu sabes os mandamentos: "Não mates; não cometas adultério; não roubes; não levantes falso testemunho; não cometas fraudes; honra pai e mãe"».
20 O homem disse a Jesus: «Mestre, tudo isso tenho eu cumprido desde a juventude».
21 Jesus olhou para ele com simpatia e respondeu: «Falta-te uma coisa: vai vender o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no Céu. Depois, vem e segue-Me».
22 Ao ouvir estas palavras, o homem ficou abatido e retirou-se pesaroso, porque era muito rico.
23 Então Jesus, olhando à sua volta, disse aos discípulos: «Como será difícil para os que têm riquezas entrar no Reino de Deus!».
24 Os discípulos ficaram admirados com estas palavras. Mas Jesus afirmou-lhes de novo: «Meus filhos, como é difícil entrar no Reino de Deus!
25 É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus».
26 Eles admiraram-se ainda mais e diziam uns aos outros: «Quem pode então salvar-se?».
27 Fitando neles os olhos, Jesus respondeu: «Aos homens é impossível, mas não a Deus, porque a Deus tudo é possível».

Comentário ao Evangelho

O inicio da conversão de São Francisco

Certa tarde, após o seu regresso a Assis, os companheiros do jovem Francisco elegeram-no como chefe do seu grupo. E ele, como já fizera muitas outras vezes, preparou um sumptuoso banquete. Terminado o banquete, saíram para a rua e foram percorrendo a cidade a cantar. Os companheiros iam à frente e Francisco, de bastão de chefe na mão, fechava o cortejo, seguindo um pouco atrás, sem cantar e mergulhado nos seus pensamentos. E eis que, subitamente, o Senhor o visitou e lhe encheu o coração de tal doçura que ele deixou de poder falar e se mover. [...]

Quando os companheiros se voltaram e viram que ele tinha ficado para trás, regressaram para junto ele, espantados, e acharam-no como que mudado. «Em que estavas a pensar para te esqueceres de nos seguir?», perguntaram-lhe. «Estarás por acaso a pensar casar-te?». «Tendes razão!», respondeu ele. «Planeio tomar esposa, e é a mais nobre, rica e bela que jamais vistes». Troçaram dele. [...]

A partir de então, começou a esforçar-se por colocar no centro da sua alma a Jesus Cristo e a pérola que desejava comprar depois de ter vendido tudo (cf Mt 13,46). Escondendo-se de quem dele troçava, ia muitas vezes – quase todos os dias – orar em silêncio. Estava, por assim dizer, possuído pelo antegosto da doçura que tantas vezes o visitava, arrastando-o da praça e de outros lugares públicos para a oração.  

Há algum tempo que se tornara benfeitor dos pobres, mas prometeu a si mesmo, com mais firmeza que nunca, jamais recusar esmola a um pedinte, mas dar-lha com mais generosidade e abundância. E assim, sempre que encontrava um pobre na rua, se podia, dava-lhe esmola. Se não tinha dinheiro, dava-lhe o barrete ou o cinto, para não o deixar ir embora de mãos vazias. E, se nem isso tinha, retirava-se para um local discreto, despia a camisa e mandava-a em segredo ao pobre, pedindo-lhe que a aceitasse por Deus.  

Narrativa de três companheiros de São Francisco de Assis (c. 1244) § 7-8

Santo do Dia