Liturgia diária
8º Domingo do Tempo Comum
27,4-7.
4 Quando agitamos o crivo, só ficam impurezas; assim os defeitos do homem aparecem nas suas palavras.
5 O forno prova os vasos do oleiro e o homem é posto à prova pelos seus pensamentos.
6 O fruto da árvore manifesta a qualidade do campo; assim as palavras do homem revelam os seus sentimentos.
7 Não elogies ninguém antes de ele falar, porque é assim que se experimentam os homens.
92(91),2-3.13-14.15-16.
2 É bom louvar o Senhor
e cantar salmos ao vosso nome, ó Altíssimo,
3 proclamar pela manhã a vossa bondade
e durante a noite a vossa fidelidade.
13 O justo florescerá como a palmeira,
crescerá como o cedro do Líbano:
14 plantado na casa do Senhor,
florescerá nos átrios do nosso Deus.
15 Mesmo na velhice dará o seu fruto,
cheio de seiva e de vigor,
16 para proclamar que o Senhor é justo:
nele, que é o meu refúgio, não há iniquidade.
15,54-58.
54 Irmãos: Quando este nosso corpo corruptível se tornar incorruptível e este nosso corpo mortal se tornar imortal, então se realizará a palavra da Escritura: «A morte foi absorvida na vitória.
55 Ó morte, onde está a tua vitória? Ó morte, onde está o teu aguilhão?».
56 O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a Lei.
57 Mas dêmos graças a Deus, que nos dá a vitória por Nosso Senhor Jesus Cristo.
58 Assim, caríssimos irmãos, permanecei firmes e inabaláveis, cada vez mais diligentes na obra do Senhor, sabendo que o vosso esforço não é inútil no Senhor.
6,39-45.
39 Naquele tempo, disse Jesus aos discípulos a seguinte parábola: «Poderá um cego guiar outro cego? Não cairão os dois nalguma cova?
40 O discípulo não é superior ao mestre, mas todo o discípulo perfeito deverá ser como o seu mestre.
41 Porque vês o argueiro que o teu irmão tem na vista e não reparas na trave que está na tua?
42 Como podes dizer a teu irmão: "Irmão, deixa-me tirar o argueiro que tens na vista", se tu não vês a trave que está na tua? Hipócrita, tira primeiro a trave da tua vista e então verás bem para tirar o argueiro da vista do teu irmão.
43 Não há árvore boa que dê mau fruto, nem árvore má que dê bom fruto.
44 Cada árvore conhece-se pelo seu fruto: não se colhem figos dos espinheiros, nem se apanham uvas das sarças.
45 O homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o bem; e o homem mau, da sua maldade tira o mal; pois a boca fala do que transborda do coração.
Comentário ao Evangelho
«Poderá um cego guiar outro cego?»
Aquele que estiver fundado no conhecimento da Verdade, que é Cristo, doce Jesus, receberá e experimentará a paz e o repouso da alma no amor da caridade. A alma recebe esta caridade por este conhecimento. Há dois meios essenciais de conhecer esta Verdade.
Em primeiro lugar, reconhecer que tudo aquilo que tem existência deve ser amado em Deus e para Deus, que é a própria Verdade e sem o qual nada existe. Quem se separasse da verdade caminharia pela via da mentira, seguindo o demónio, que é o pai da mentira. Digo que há sobretudo dois meios de conhecer a Verdade. O primeiro é conhecer a verdade de Deus, que nos ama com um amor inefável. Ele amou-nos antes de sermos e criou-nos por amor, para termos a verdade eterna e experimentarmos para sempre a felicidade perfeita. Essa foi e continua a ser a Verdade. Como sabemos que é assim? Pelo sangue derramado por nós com amor ardente. [...]
Finalmente, devemos conhecer e ver a verdade no nosso próximo, grande ou pequeno, servo ou senhor. Quando o vemos fazer uma coisa e convidar-nos a fazer o mesmo, temos de examinar se essa coisa está, ou não, fundada na verdade, e que motivo o faz empreendê-la. Quem não o faz, age como um insensato, como um cego que segue outro cego, guiado pela mentira, mostrando que não tem a verdade em si e que não a procura. Há pessoas tão insensatas que estão dispostas a perder a vida da alma e do corpo, bem como os seus bens temporais, por isto ou aquilo, e não se importam, porque são cegos, não conhecem o que deviam conhecer e andam nas trevas.
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