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Liturgia diária

Sexta-feira da 29ª semana do Tempo Comum

Sexta-Feira, 22 De Outubro Cor litúrgica: Verde

7,18-25a.

18 Irmãos: Eu sei que em mim, isto é, na minha natureza, não habita o bem, pois querer o bem está ao meu alcance, mas realizá-lo não está.
19 Na verdade, não faço o bem, que quero, mas pratico o mal, que não quero.
20 Ora, se eu faço o que não quero, já não sou eu que o realizo, mas o pecado que habita em mim.
21 Descubro pois em mim esta lei: ao querer fazer o bem, é o mal que está ao meu alcance.
22 Sinto prazer na lei de Deus, segundo o homem interior.
23 Mas vejo que há outra lei nos meus membros, que luta contra a lei da minha razão; ela torna-me escravo da lei do pecado, que está nos meus membros.
24 Infeliz de mim! Quem me libertará deste corpo de morte?
25 Deus, a quem dêmos graças, por Jesus Cristo, nosso Senhor.

119(118),66.68.76.77.93.94.

R/ Ensinai-me, Senhor, os caminhos da vossa lei.

66 Ensinai-me o bem, o discernimento e a ciência,
porque tenho fé nos vossos mandamentos.
68 Vós sois bom e generoso,
ensinai-me os vossos decretos.

76 Console-me a vossa bondade,
segundo a promessa feita ao vosso servo.
77 Desçam sobre mim as vossas misericórdias e viverei,
porque a vossa lei faz as minhas delícias.

93 Jamais esquecerei os vossos decretos,
porque neles me tendes dado a vida.
94 A Vós pertenço, sede o meu auxílio,
porque sempre quis seguir os vossos preceitos.

12,54-59.

54 Naquele tempo, dizia Jesus à multidão: «Quando vedes levantar-se uma nuvem no poente, logo dizeis: "Vem chuva"; e assim acontece.
55 E quando sopra o vento sul, dizeis: "Vai fazer muito calor"; e assim sucede.
56 Hipócritas, se sabeis discernir o aspeto da terra e do céu, porque não sabeis discernir o tempo presente?
57 Porque não julgais por vós mesmos o que é justo?».
58 E acrescentou: «Quando fores com o teu adversário ao magistrado, esforça-te por te entenderes com ele no caminho, para que ele não te arraste ao juiz e o juiz te entregue ao oficial de justiça e o oficial de justiça te meta na prisão.
59 Eu te digo: Não sairás de lá, enquanto não pagares o último centavo».

Comentário ao Evangelho

Discernir os sinais do nosso tempo

A Igreja tem o direito e o dever de apelar «com grande clamor» para o Deus da misericórdia (Heb 5,7). Este «grande clamor» há de caraterizar a Igreja do nosso tempo [...], um clamor a suplicar a misericórdia segundo as necessidades do homem no mundo contemporâneo. [...] Deus é fiel a Si próprio, à sua paternidade e ao seu amor! Tal como os profetas, nós apelamos para este amor de caraterísticas maternais, que, à semelhança da mãe, vai acompanhando cada um dos seus filhos, cada ovelha desgarrada – ainda que houvesse milhões de extraviados, ainda que no mundo a iniquidade prevalecesse sobre a honestidade e ainda que a humanidade contemporânea merecesse pelos seus pecados um novo dilúvio, como outrora sucedeu com a geração de Noé.

Recorramos, pois, a tal amor, que é um amor paterno, como nos foi revelado por Cristo na sua missão messiânica, e que atingiu o ponto culminante na sua cruz, morte e ressurreição! Recorramos a Deus por meio de Cristo, lembrados das palavras do Magnificat de Maria, que proclamam a sua misericórdia «de geração em geração» (Lc 1,50). Imploremos a misericórdia divina para a geração contemporânea [...]: elevemos as nossas súplicas, guiados pela fé, pela esperança e pela caridade que Cristo implantou no nosso coração.

Esta atitude é, ao mesmo tempo, de amor para com este Deus que o homem contemporâneo por vezes afastou tanto de si que O considera um estranho e de várias maneiras O proclama supérfluo. É de amor para com este Deus, em relação ao qual sentimos profundamente quanto o homem contemporâneo O ofende e O rejeita. Por isso, estamos prontos para clamar com Cristo na cruz: «Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem» (Lc 23,24). Tal atitude é também de amor para com os homens, para com todos os homens, sem exceção e sem qualquer discriminação: sem diferenças de raça, de cultura, de língua, de conceção do mundo, e sem distinção entre amigos e inimigos.

São João Paulo II (1920-2005) papa Encíclica «Dives in Misericordia» § 15 (trad. © copyright Libreria Editrice Vaticana, rev.)

Santo do Dia