Liturgia diária
24º Domingo do Tempo Comum
50,5-9a.
5 O Senhor Deus abriu-me os ouvidos, e eu não resisti nem recuei um passo.
6 Apresentei as costas àqueles que me batiam e a face aos que me arrancavam a barba; não desviei o meu rosto dos que me insultavam e cuspiam.
7 Mas o Senhor Deus veio em meu auxílio, e, por isso, não fiquei envergonhado; tornei o meu rosto duro como pedra, e sei que não ficarei desiludido.
8 O meu advogado está perto de mim. Pretende alguém instaurar-me um processo? Compareçamos juntos. Quem é o meu adversário? Que se apresente!
9 O Senhor Deus vem em meu auxílio. Quem ousará condenar-me?
116(114),1-2.3-4.5-6.8-9.
R/ Andarei na presença do Senhor sobre a terra dos vivos.
1 Amo o Senhor,
porque ouviu a voz da minha súplica.
2 Ele me atendeu,
no dia em que O invoquei.
3 Apertaram-me os laços da morte,
caíram sobre mim as angústias do além,
vi-me na aflição e na dor.
4 Então invoquei o Senhor:
«Senhor, salvai a minha alma».
5 Justo e compassivo é o Senhor,
o nosso Deus é misericordioso.
6 O Senhor guarda os simples:
estava sem forças e o Senhor salvou-me.
8 Livrou da morte a minha alma,
das lágrimas os meus olhos, da queda os meus pés.
9 Andarei na presença do Senhor,
sobre a terra dos vivos.
2,14-18.
14 Irmãos: De que serve a alguém dizer que tem fé, se não tem obras? Poderá essa fé obter-lhe a salvação?
15 Se um irmão ou uma irmã não tiverem que vestir e lhes faltar o alimento de cada dia,
16 e um de vós lhes disser: «Ide em paz. Aquecei-vos bem e saciai-vos», sem lhes dar o necessário para o corpo, de que lhes servem as vossas palavras?
17 Assim também a fé sem obras está completamente morta.
18 Mas dirá alguém: «Tu tens a fé e eu tenho as obras»; mostra-me a tua fé sem obras, que eu, pelas obras, te mostrarei a minha fé.
8,27-35.
27 Naquele tempo, Jesus partiu com os seus discípulos para as povoações de Cesareia de Filipe. No caminho, fez-lhes esta pergunta: «Quem dizem os homens que Eu sou?».
28 Eles responderam: «Uns dizem João Batista; outros, Elias; e outros, um dos profetas».
29 Jesus então perguntou-lhes: «E vós, quem dizeis que Eu sou?». Pedro tomou a palavra e respondeu: «Tu és o Messias».
30 Ordenou-lhes então severamente que não falassem dele a ninguém.
31 Depois, começou a ensinar-lhes que o Filho do homem tinha de sofrer muito, de ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e pelos escribas; de ser morto e ressuscitar três dias depois.
32 E Jesus dizia-lhes claramente estas coisas. Então, Pedro tomou-O à parte e começou a contestá-lo.
33 Mas Jesus, voltando-Se e olhando para os discípulos, repreendeu Pedro, dizendo: «Vai-te, Satanás, porque não compreendes as coisas de Deus, mas só as dos homens».
34 E, chamando a multidão com os seus discípulos, disse-lhes: «Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me.
35 Na verdade, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; mas quem perder a vida por causa de Mim e do Evangelho salvá-la-á.
Comentário ao Evangelho
«Se alguém quiser seguir-Me, [...] tome a sua cruz e siga-Me»
Como exprimir o que a minha alma sentiu quando, da boca dum santo prelado, ouviu o que é já a minha loucura, o que me torna absolutamente feliz no meu exílio: o amor da cruz! [...] Que bom seria ter a verve do rei David para poder exprimir as maravilhas do amor à cruz! [...]
A cruz de Cristo! Que mais posso dizer? Não sei orar, não sei o que é ser bom, não tenho espírito religioso, pois estou cheio do mundo. Só sei uma coisa, uma coisa que enche a minha alma de alegria, apesar de me ver tão pobre de virtudes e tão rico em misérias; sei apenas que tenho um tesouro que não trocaria por nada nem por ninguém: a minha cruz, a cruz de Jesus, essa cruz que é o meu único repouso. Como explicar isto? Quem não experimentou, não pode suspeitar do que se trata.
Ah, se todos os homens amassem a cruz de Cristo! Se o mundo soubesse o que é abraçar plenamente, verdadeiramente, sem reservas, em loucura de amor, a cruz de Cristo! [...] Tanto tempo perdido em conversas, devoções e exercícios, que são santos e bons, mas que não são a cruz de Jesus, não são o que há de melhor. [...]
Pobre homem, que não prestas para nada, que não serves para nada [...], que arrastas a tua vida, seguindo como podes as austeridades da regra, contentando-te em esconder no silêncio os teus ardores: ama até à loucura o que o mundo despreza por não conhecer, adora em silêncio essa cruz, que é o teu tesouro, sem que ninguém se aperceba. Medita em silêncio diante dela nas grandezas de Deus, nas maravilhas de Maria, nas misérias do homem. [...] Prossegue a tua vida sempre em silêncio, amando, adorando e unindo-te à cruz. Que queres mais? Saboreia a cruz, como disse hoje de manhã o senhor bispo. Saborear a cruz!
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