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Liturgia diária

Terça-feira da 9ª semana do Tempo Comum

Terça-Feira, 1 De Junho Cor litúrgica: Verde

2,9-14.

9 Eu, Tobit, naquela noite de Pentecostes, depois de ter sepultado o morto, tomei banho, entrei no pátio da minha casa e deitei-me junto ao muro do pátio, com o rosto descoberto por causa do calor.
10 E não reparei que no muro, por cima de mim, havia pardais. O seu excremento quente caiu-me nos olhos, produzindo neles manchas brancas. Fui ter com os médicos para me tratar, mas quanto mais me aplicavam remédios, mais me cegavam as manchas, até que fiquei completamente cego. Estive sem ver durante quatro anos e todos os meus parentes se entristeceram por minha causa. Aicar sustentou-me durante dois anos, antes de partir para Elimaida.
11 Entretanto, Ana, minha mulher, ocupava-se em trabalhos femininos:
12 enviava-os aos clientes e eles pagavam o preço. No dia sete do segundo mês, terminou uma encomenda e entregou-a aos clientes. Eles pagaram tudo e ainda lhe deram um cabrito.
13 Quando ela entrou em casa, o cabrito começou a berrar. Chamei então minha mulher e perguntei-lhe: «Donde vem este cabrito? Não terá sido roubado? Vai entregá-lo ao dono, porque não podemos comer nada roubado».
14 Ela respondeu-me: «É um presente que me deram além do pagamento». Mas eu não acreditei e insisti para que o entregasse ao dono. E por causa disto, estava indignado com ela. Então ela disse-me: «Onde estão as tuas esmolas? Onde estão as tuas boas obras? Agora tudo está claro a teu respeito».

112(111),1-2.7bc-8.9.

R/ Feliz o homem que espera no Senhor.

1 Feliz o homem que teme o Senhor
e ama ardentemente os seus preceitos.
2 A sua descendência será poderosa sobre a terra,
será abençoada a geração dos justos.

7 Brilha aos homens retos como luz nas trevas
o homem misericordioso, compassivo e justo.
7 Ele não receia más notícias,
seu coração está firme, confiado no Senhor.

8 O seu coração é inabalável, nada teme
e verá os adversários confundidos.
9 Reparte com largueza pelos pobres,
a sua generosidade permanece para sempre.

e pode levantar a cabeça com dignidade.

12,13-17.

13 Naquele tempo, foram enviados a Jesus alguns fariseus e partidários de Herodes para O surpreenderem no que dissesse.
14 Aproximaram-se e disseram: «Mestre, sabemos que és sincero e não Te deixas influenciar por ninguém, pois não fazes aceção de pessoas, mas ensinas com sinceridade o caminho de Deus. É lícito ou não pagar o tributo a César? Devemos pagar ou não?».
15 Mas Jesus, conhecendo a sua hipocrisia, respondeu-lhes: «Porque Me armais esse laço? Trazei-Me um denário para Eu ver».
16 Eles trouxeram-no e Jesus perguntou-lhes: «De quem é esta imagem e esta inscrição?». Eles responderam: «De César».
17 Então Jesus disse-lhes: «Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus». E eles ficaram muito admirados com Jesus.

Comentário ao Evangelho

«De quem é esta imagem?»

Na constituição do mundo, «tudo foi feito pelo Verbo e sem Ele nada foi feito» (Jo 1,3). É também a Palavra de Deus que opera na criação do homem, dado que sem ela nada foi feito. Com efeito, Deus começou por dizer: «Façamos o homem»; mas, para exprimir a superioridade desta criatura sobre todas as outras, deu-lhe forma com a sua própria mão; por isso, está dito que «Deus modelou o homem» (Gn 2,7). [...]

Diz a Escritura que Deus modelou o homem com o barro da terra. Ainda era apenas barro, e já a palavra «homem» é pronunciada. Que honra prodigiosa para o lodo, esse nada, a de ser tocado pelas mãos de Deus! Não teria bastado esse simples contacto para Deus formar o homem? Contudo, ao vermos Deus trabalhar esta lama, compreendemos que se trata de uma obra extraordinária: as mãos de Deus trabalharam, amassaram, estenderam e deram forma a esta lama, que se foi enobrecendo a cada impressão das mãos divinas. Podemos imaginar Deus ocupado, aplicado inteiramente nesta criação, com as mãos, o espírito, a atividade, o conselho, a sabedoria, a providência e sobretudo o amor a orientarem-Lhe o trabalho! É que, neste lodo que amassava, Deus entrevia já Cristo, que um dia seria homem como este lodo: Verbo feito carne, como esta terra que Ele tinha entre as mãos.

É este o sentido desta primeira palavra do Pai a seu Filho: «Façamos o homem à nossa imagem e semelhança» (Gn 1,26). Deus modelou o homem à imagem de Deus, quer dizer, segundo Cristo. [...] Este lodo que assumia a imagem de Cristo, tal como Se manifestaria na sua incarnação futura, não era somente obra de Deus, era também uma garantia de Deus.

Tertuliano (c. 155-c. 220) teólogo A ressurreição dos mortos, 5-6

Santo do Dia