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Liturgia diária

Segunda-feira da 4ª semana do Tempo Comum

Segunda-Feira, 1 De Fevereiro Cor litúrgica: Verde

11,32-40.

32 Irmãos: Que mais posso dizer? Faltar-me-ia o tempo se quisesse falar de Gedeão, de Barac, de Sansão, de Jefté, de David, de Samuel e dos profetas.
33 Pela fé, conquistaram reinos, exerceram a justiça, alcançaram os bens prometidos. Fecharam a boca dos leões,
34 extinguiram a violência do fogo, escaparam ao fio da espada, convalesceram das enfermidades, tornaram-se fortes na guerra, venceram exércitos inimigos.
35 Mulheres houve que recuperaram os seus mortos pela ressurreição. Mas outros foram torturados, recusando o resgate a fim de alcançar uma ressurreição melhor.
36 Outros sofreram o tormento das zombarias e da flagelação, das algemas e da prisão.
37 Foram apedrejados, serrados, mortos ao fio da espada; andaram vagueando, cobertos de peles de ovelha e de cabra, indigentes, oprimidos, maltratados.
38 O mundo não era digno deles. Andaram errantes pelos desertos, pelos montes, nas grutas e cavernas da terra.
39 E todos estes, que alcançaram testemunho favorável pela sua fé, ficaram sem obter a realização da promessa.
40 Porque Deus previa para nós um destino melhor, eles não deviam chegar sem nós à perfeição final.

31(30),20.21.22.23.24.

R/ Tende coragem e animai-vos, vós todos que esperais no Senhor.

20 Como é grande, Senhor, a vossa bondade,
que tendes reservada para os que Vos temem!
À vista dos homens Vós a concedeis
àqueles que em Vós confiam.

21 Vós os escondeis sob o refúgio da vossa face
longe das intrigas dos homens;
no vosso tabernáculo Vós os escondeis
das línguas provocadoras.

22 Bendito seja o Senhor:
como em cidade fortificada,
em mim enalteceu a sua misericórdia.

23 Eu, porém, dizia na minha ansiedade:
«Estou banido da vossa presença».
Mas ouvistes a voz da minha súplica,
logo que Vos invoquei.

24 Amai o Senhor,
vós todos os seus fiéis.
O Senhor defende os que Lhe são fiéis,
mas castiga com rigor os orgulhosos.

5,1-20.

1 Naquele tempo, Jesus e os seus discípulos chegaram ao outro lado do mar, à região dos gerasenos.
2 Logo que Ele desembarcou, saiu ao seu encontro, dos túmulos onde morava, um homem possesso de um espírito impuro.
3 Já ninguém conseguia prendê-lo, nem sequer com correntes,
4 pois estivera preso muitas vezes com grilhões e cadeias e ele despedaçava os grilhões e quebrava as cadeias. Ninguém era capaz de dominá-lo.
5 Andava sempre, de dia e de noite, entre os túmulos e pelos montes, a gritar e a ferir-se com pedras.
6 Ao ver Jesus de longe, correu a prostrar-se diante dele e disse,
7 clamando em alta voz: «Que tens a ver comigo, Jesus, Filho de Deus Altíssimo? Conjuro-Te, por Deus, que não me atormentes».
8 Porque Jesus dizia-lhe: «Espírito impuro, sai desse homem».
9 E perguntou-lhe: «Qual é o teu nome?». Ele respondeu: «O meu nome é Legião, porque somos muitos».
10 E suplicava instantemente que não os expulsasse daquela região.
11 Ora, ali junto do monte, andava a pastar uma grande vara de porcos.
12 Os espíritos impuros pediram a Jesus: «Manda-nos para os porcos e entraremos neles».
13 Jesus consentiu. Então os espíritos impuros saíram do homem e entraram nos porcos. A vara, que era de cerca de dois mil, lançou-se ao mar, do precipício abaixo, e os porcos afogaram-se.
14 Os guardadores fugiram e levaram a notícia à cidade e aos campos; e, de lá, vieram ver o que tinha acontecido.
15 Ao chegarem junto de Jesus, viram, sentado e em perfeito juízo, o possesso que tinha tido a legião; e ficaram cheios de medo.
16 Os que tinham visto narraram o que havia acontecido ao possesso e o que se passara com os porcos.
17 Então pediram a Jesus que Se retirasse do seu território.
18 Quando Ele ia a subir para o barco, o homem que tinha sido possesso pediu-Lhe que o deixasse ir com Ele.
19 Jesus não lho permitiu, mas disse-lhe: «Vai para casa, para junto dos teus, conta-lhes tudo o que o Senhor te fez e como teve compaixão de ti».
20 Então ele foi-se embora e começou a apregoar na Decápole o que Jesus tinha feito por ele. E todos ficavam admirados.

Comentário ao Evangelho

«Espírito impuro, sai desse homem»

O poder do mal no coração humano e na história da humanidade é um facto indesmentível. Mantém-se a questão: como explicar este mal? [...] A fé diz-nos que existem dois mistérios de luz e um mistério de noite que, no entanto, está rodeado pelos mistérios de luz. O primeiro mistério de luz é o seguinte: a fé diz-nos que não há dois princípios, um bom e um mau, mas um único princípio, o Deus criador, e que este princípio é bom, somente bom, sem sombra de mal. É por isso que o ser também não é um misto de bem e de mal: o ser como tal é bom, e portanto é bom ser, é bom viver. Tal é o anúncio feliz da fé: só existe uma origem, que é boa, o Criador. [...]

Em seguida vem um mistério de obscuridade, de noite. O mal não provém da origem do próprio ser, não é igualmente original. O mal provém de uma liberdade criada, de uma liberdade mal utilizada. Como foi isso possível? Como se produziu isso? As coisas permanecem obscuras. O mal não é lógico. Apenas Deus e o bem são lógicos, são luz. O mal permanece misterioso. [...] Podemos adivinhá-lo, mas não explicá-lo; não podemos falar dele como de um facto que se segue a outro, uma vez que se trata de uma realidade mais profunda. Continua a ser um mistério de obscuridade, de noite.

Mas surge de imediato outro mistério de luz. O mal provém de uma origem subordinada. Deus, a sua luz, é mais forte. É por isso que o mal pode ser ultrapassado e que a criatura, o homem, pode ser curado. [...] Tanto assim é que, em última análise, vemos que o homem não só pode ser curado mas efetivamente o é. Deus introduziu a cura. Ele entrou pessoalmente na história. À origem permanente do mal, Ele opôs a origem do bem puro. Cristo crucificado e ressuscitado, novo Adão, contrapõe ao rio poluído do mal um rio de luz. E este rio está presente na história: lembremo-nos dos santos, dos grandes santos mas também dos santos humildes, dos simples fiéis, e perceberemos que o rio de luz que provém de Cristo está presente e é poderoso.

Bento XVI papa de 2005 a 2013 Audiência geral de 03/12/08 (© copyright Libreria Editrice Vaticana, rev.)

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