Liturgia diária
6º Dia da Oitava do Natal
2,12-17.
12 Escrevo-vos, meus filhos, porque os vossos pecados foram perdoados, pelo nome de Jesus.
13 Escrevo-vos, pais, porque conheceis Aquele que existe desde o princípio. Escrevo-vos, jovens, porque vencestes o Maligno.
14 Escrevo-vos, meus filhos, porque conheceis o Pai. Escrevo-vos, pais, porque conheceis Aquele que existe desde o princípio. Escrevo-vos, jovens, porque sois fortes e a palavra de Deus permanece em vós e vencestes o Maligno.
15 Não ameis o mundo nem o que existe no mundo. Se alguém ama o mundo, não está nele o amor do Pai.
16 Porque tudo o que há no mundo – concupiscência da carne, concupiscência dos olhos e orgulho da riqueza – não vem do Pai, mas do mundo.
17 Ora, o mundo passa com as suas concupiscências, mas aquele que faz a vontade de Deus permanece eternamente.
96(95),7-8a.8b-9.10.
R/ Alegrem-se os céus, exulte a terra.
7 Dai ao Senhor, ó família dos povos,
dai ao Senhor glória e poder,
8 Dai ao Senhor a glória do seu nome.
8 Levai-Lhe oferendas e entrai nos seus átrios,
9 Adorai o Senhor com ornamentos sagrados,
trema diante dele a Terra inteira.
10 Dizei entre as nações: «O Senhor é Rei,
sustenta o mundo e ele não vacila,
governa os povos com equidade».
2,36-40.
36 Quando os pais de Jesus levaram o Menino a Jerusalém, a fim de O apresentarem ao Senhor, estava no Templo uma profetisa, Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idade muito avançada
37 e tinha vivido casada sete anos após o tempo de donzela, e viúva até aos oitenta e quatro. Não se afastava do Templo, servindo a Deus noite e dia, com jejuns e orações.
38 Estando presente na mesma ocasião, começou também a louvar a Deus e a falar acerca do Menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém.
39 Cumpridas todas as prescrições da Lei do Senhor, voltaram para a Galileia, para a sua cidade de Nazaré.
40 Entretanto, o Menino crescia, tornava-Se robusto e enchia-Se de sabedoria. E a graça de Deus estava com Ele.
Comentário ao Evangelho
«Começou [...] a falar acerca do Menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém»
Ao apresentar a história dos patriarcas e dos justos do Antigo Testamento, a Carta aos Hebreus põe em relevo um aspeto essencial da sua fé; esta não se apresenta apenas como um caminho, mas também como edificação, preparação de um lugar onde os homens possam habitar uns com os outros […]. Se o homem de fé assenta no Deus-Ámen, no Deus fiel (cf Is 65,16), tornando-se por isso firme, podemos acrescentar que a firmeza da fé se refere também à cidade que Deus está a preparar para o homem. A fé revela quão firmes podem ser os vínculos entre os homens, quando Deus Se torna presente no meio deles. Não evoca apenas uma solidez interior, uma convicção firme do crente; a fé também ilumina as relações entre os homens, porque nasce do amor e segue a dinâmica do amor de Deus. O Deus fiável dá aos homens uma cidade fiável.
Devido precisamente à sua ligação com o amor (cf Gal 5,6), a luz da fé coloca-se ao serviço concreto da justiça, do direito e da paz. A fé nasce do encontro com o amor gerador de Deus, que mostra o sentido e a bondade da nossa vida; esta é iluminada na medida em que entra no dinamismo aberto por este amor, isto é, enquanto se torna caminho e exercício para a plenitude do amor. A luz da fé é capaz de valorizar a riqueza das relações humanas, a sua capacidade de perdurarem, de serem fiáveis, de enriquecerem a vida comum. A fé não afasta do mundo, nem é alheia ao esforço concreto dos nossos contemporâneos.
Sem um amor fiável, nada poderia manter verdadeiramente unidos os homens: a unidade entre eles seria concebível apenas enquanto fundada sobre a utilidade, a conjugação dos interesses, o medo, mas não sobre a beleza de viverem juntos, nem sobre a alegria que a simples presença do outro pode gerar. […] A fé é um bem para todos, um bem comum: a sua luz não ilumina apenas o âmbito da Igreja nem serve somente para construir uma cidade eterna no além, também ajuda a construir as nossas sociedades, de modo que caminhem para um futuro cheio de esperança.
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