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Liturgia diária

Segunda-feira da 27ª semana do Tempo Comum

Segunda-Feira, 5 De Outubro Cor litúrgica: Verde

1,6-12.

6 Irmãos: Surpreende-me que tão depressa tenhais abandonado aquele que vos chamou pela graça de Cristo, para passar a outro evangelho.
7 Não que haja outro evangelho; mas há pessoas que vos perturbam e pretendem mudar o Evangelho de Cristo.
8 Mas se alguém – ainda que fosse eu próprio ou um anjo do Céu – vos anunciar um evangelho diferente daquele que nós vos anunciamos, seja anátema.
9 Como já vo-lo dissemos, volto a dizê-lo: se alguém vos anunciar um evangelho diferente daquele que recebestes, seja anátema.
10 Estarei eu agora a captar o favor dos homens ou o de Deus? Acaso procuro agradar aos homens? Se eu ainda pretendesse agradar aos homens, não seria servo de Cristo.
11 Quero que saibais, irmãos: o Evangelho anunciado por mim não é de inspiração humana,
12 porque não o recebi ou aprendi de nenhum homem, mas por uma revelação de Jesus Cristo.

111(110),1-2.4-5.7-8.9.10c.

R/ O Senhor recorda a sua aliança para sempre.

1 Louvarei o Senhor de todo o coração
no conselho dos justos e na assembleia.
2 Grandes são as obras do Senhor,
admiráveis para os que nelas meditam.

4 Instituiu um memorial das suas maravilhas:
o Senhor é misericordioso e compassivo.
5 Deu sustento àqueles que O temem
e jamais se esquecerá da sua aliança.

7 Fiéis e justas são as obras das suas mãos,
são imutáveis todos os seus preceitos,
8 irrevogáveis pelos séculos dos séculos,
estabelecidos na retidão e na verdade.

9 Enviou a redenção ao seu povo,
firmou com ele uma aliança eterna;
santo e venerável é o seu nome,
10 o louvor do Senhor permanece para sempre.

10,25-37.

25 Naquele tempo, levantou-se um doutor da Lei e perguntou a Jesus para O experimentar: «Mestre, que hei de fazer para receber como herança a vida eterna?».
26 Jesus disse-lhe: «Que está escrito na lei? Como lês tu?».
27 Ele respondeu: «Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma, com todas as tuas forças e com todo o teu entendimento; e ao próximo como a ti mesmo».
28 Disse-lhe Jesus: «Respondeste bem. Faz isso e viverás».
29 Mas ele, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: «E quem é o meu próximo?».
30 Jesus, tomando a palavra, disse: «Um homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos dos salteadores. Roubaram-lhe tudo o que levava, espancaram-no e foram-se embora, deixando-o meio morto.
31 Por coincidência, descia pelo mesmo caminho um sacerdote; viu-o e passou adiante.
32 Do mesmo modo, um levita que vinha por aquele lugar viu-o e passou também adiante.
33 Mas um samaritano, que ia de viagem, passou junto dele e, ao vê-lo, encheu-se de compaixão.
34 Aproximou-se, ligou-lhe as feridas deitando azeite e vinho, colocou-o sobre a sua própria montada, levou-o para uma estalagem e cuidou dele.
35 No dia seguinte, tirou duas moedas, deu-as ao estalajadeiro e disse: "Trata bem dele; e o que gastares a mais eu to pagarei quando voltar".
36 Qual destes três te parece ter sido o próximo daquele homem que caiu nas mãos dos salteadores?».
37 O doutor da lei respondeu: «O que teve compaixão dele». Disse-lhe Jesus: «Então vai e faz o mesmo».

Comentário ao Evangelho

«Levou-o para uma estalagem e cuidou dele»

«Quem é o meu próximo?» Para responder, o Verbo, a Palavra de Deus, expõe, sob a forma de uma narrativa, a história da misericórdia: conta a descida do homem, a emboscada dos salteadores, o arrancar das vestes imperecíveis, as feridas do pecado, o poder da morte sobre metade da natureza (pois a alma permanece imortal) e a passagem em vão da Lei, uma vez que nem o sacerdote nem o levita cuidaram das chagas do homem que tinha sido vítima dos salteadores, pois «é impossível que o sangue dos touros e dos bodes apague os pecados» (Heb 10,4); só o podia fazer Aquele que revestiu toda a natureza humana pelas primícias da argila de que tinham sido feitas todas as raças: judeus, samaritanos, gregos e toda a humanidade. Foi Ele que, com a sua montada, isto é, o seu corpo, Se colocou no lugar da miséria do homem: cuidou das suas feridas, fê-lo repousar na sua própria montada e deu-lhe como abrigo a sua misericórdia, onde todos os que sofrem e se vergam sob os seus fardos encontram repouso (cf Mt 11,28). […]

«Se permanecerdes em Mim, Eu permanecerei em vós» (Jo 6,56). […] Aquele que encontra abrigo na misericórdia de Cristo recebe dele duas moedas de prata, uma das quais consiste em amar a Deus com toda a alma, e a outra em amar o próximo como a si mesmo, segundo a resposta do doutor da lei (cf Mc 12,30s). Mas, uma vez que «não são os que ouvem a Lei que são justos diante de Deus, mas os que praticam a Lei é que serão justificados» (Rom 2,13), é preciso, não apenas receber essas duas moedas […], mas dar também a nossa contribuição pessoal, pelas obras, para que se cumpram estes dois mandamentos. Foi por isso que o Senhor disse ao estalajadeiro que tudo aquilo que ele providenciasse para cuidar do ferido lhe seria devolvido por ocasião da sua segunda vinda, em conformidade com o zelo deste homem.

São Gregório de Nissa (c. 335-395) monge, bispo Sermões sobre o Cântico dos Cânticos, n°14

Santo do Dia