Liturgia diária
27º Domingo do Tempo Comum
5,1-7.
1 Vou cantar, em nome do meu amigo, um cântico de amor à sua vinha. O meu amigo possuía uma vinha numa fértil colina.
2 Lavrou-a e limpou-a das pedras, plantou-a de cepas escolhidas. No meio dela ergueu uma torre e escavou um lagar. Esperava que viesse a dar uvas, mas ela só produziu agraços.
3 E agora, habitantes de Jerusalém, e vós, homens de Judá, sede juízes entre mim e a minha vinha:
4 Que mais podia fazer à minha vinha que não tivesse feito? Quando eu esperava que viesse a dar uvas, porque é que apenas produziu agraços?
5 Agora vos direi o que vou fazer à minha vinha: vou tirar-lhe a vedação e será devastada; vou demolir-lhe o muro e será espezinhada.
6 Farei dela um terreno deserto: não voltará a ser podada nem cavada, e nela crescerão silvas e espinheiros; e hei de mandar às nuvens que sobre ela não deixem cair chuva.
7 A vinha do Senhor do Universo é a casa de Israel, e os homens de Judá são a plantação escolhida. Ele esperava retidão e só há sangue derramado; esperava justiça e só há gritos de horror.
80(79),9.12.13-14.15-16.19-20.
R/ A vinha do Senhor é a casa de Israel.
9 Arrancastes uma videira do Egito,
expulsastes as nações para a transplantar.
12 Estendia até ao mar as suas vergônteas
e até ao rio os seus rebentos.
13 Porque lhe destruístes a vedação,
de modo que a vindime
quem quer que passe pelo caminho?
14 Devastou-a o javali da selva
e serviu de pasto aos animais do campo.
15 Deus dos exércitos, vinde de novo,
olhai dos Céus e vede, visitai esta vinha.
16 Protegei a cepa que a vossa mão direita plantou,
o rebento que fortalecestes para Vós.
19 Não mais nos apartaremos de Vós:
fazei-nos viver e invocaremos o vosso nome.
20 Senhor, Deus dos Exércitos, fazei-nos voltar,
iluminai o vosso rosto e seremos salvos.
4,6-9.
6 Irmãos: Não vos inquieteis com coisa alguma. Mas, em todas as circunstâncias, apresentai os vossos pedidos diante de Deus, com orações, súplicas e ações de graças.
7 E a paz de Deus, que está acima de toda a inteligência, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus.
8 Quanto ao resto, irmãos, tudo o que é verdadeiro e nobre, tudo o que é justo e puro, tudo o que é amável e de boa reputação, tudo o que é virtude e digno de louvor é o que deveis ter no pensamento.
9 O que aprendestes, recebestes, ouvistes e vistes em mim é o que deveis praticar. E o Deus da paz estará convosco.
21,33-43.
33 Naquele tempo, disse Jesus aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo: «Ouvi outra parábola. Havia um proprietário que plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, cavou nela um lagar e levantou uma torre; depois, arrendou-a a uns vinhateiros e partiu para longe.
34 Quando chegou a época das colheitas, mandou os seus servos aos vinhateiros para receber os frutos.
35 Os vinhateiros, porém, lançando mão dos servos, espancaram um, mataram outro, e a outro apedrejaram-no.
36 Tornou ele a mandar outros servos, em maior número que os primeiros, e eles trataram-nos do mesmo modo.
37 Por fim, mandou-lhes o seu próprio filho, pensando: "Respeitarão o meu filho".
38 Mas os vinhateiros, ao verem o filho, disseram entre si: "Este é o herdeiro; vamos matá-lo e ficaremos com a sua herança".
39 Agarraram-no, levaram-no para fora da vinha e mataram-no.
40 Quando vier o dono da vinha, que fará àqueles vinhateiros?».
41 Os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo responderam-Lhe: «Mandará matar sem piedade esses malvados e arrendará a vinha a outros vinhateiros, que lhe entreguem os frutos a seu tempo».
42 Disse-lhes Jesus: «Nunca lestes na Escritura: "A pedra rejeitada pelos construtores tornou-se a pedra angular; tudo isto veio do Senhor e é admirável aos nossos olhos"?
43 Por isso vos digo: ser-vos-á tirado o Reino de Deus e dado a um povo que produza os seus frutos».
Comentário ao Evangelho
«Tudo isto veio do Senhor e é admirável aos nossos olhos»
«Cristo confiou-nos o ministério da reconciliação» (2Cor 5,18). São Paulo faz ressaltar assim a grandeza dos apóstolos, mostrando-nos que ministério nos foi confiado e, simultaneamente, manifestando o tipo de amor com que Deus nos amou. Depois de os homens se terem recusado a escutar Aquele que Ele lhes tinha enviado, Deus não fez estalar a sua cólera, nem os rejeitou, antes persistiu em os chamar, por Si mesmo e através dos apóstolos. Quem poderá deixar de admirar semelhante solicitude?
Silenciaram o Filho, que veio para os reconciliar, o Filho único da mesma natureza do Pai. Mas o Pai não Se afastou dos assassinos, nem disse: «Enviei-lhes o meu Filho e, além de não O escutarem, entregaram-no à morte e crucificaram-no; de agora em diante é justo que Eu os abandone». Fez o contrário: quando Cristo deixou este mundo, nós, os seus ministros, ficámos encarregados de O substituir. «Pois Deus reconciliou o mundo consigo, em Cristo, e confiou-nos o ministério da reconciliação» (2Cor 5,19).
Este amor ultrapassa toda a palavra e toda a inteligência! Quem foi insultado? Ele mesmo, Deus. Quem deu o primeiro passo para a reconciliação? Foi Ele. […] Com efeito, se Deus tivesse querido pedir-nos contas, estaríamos perdidos, visto que «todos estávamos mortos» (2Cor 5,14). Apesar do grande número dos nossos pecados, Ele não nos atingiu com a sua vingança mas, mais uma vez, reconciliou-Se connosco; não satisfeito em ter revogado a nossa dívida, considerou-a como nada. Assim devemos nós perdoar aos nossos inimigos, se quisermos obter para nós este perdão magnânimo: «Ele confiou-nos o ministério da reconciliação».
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