Liturgia diária
Transfiguração do Senhor – Festa
Tempo litúrgico
Transfiguração do Senhor
A Festa da Transfiguração do Senhor remonta ao século V, no Oriente. Na Idade Média estendeu-se por toda Igreja Universal, especialmente com o papa Calisto III. O episódio foi relatado pelos evangelistas Mateus, Marcos e Lucas. Presentes estavam os apóstolos Pedro, João e Tiago. Jesus transfigurou-se diante deles, seu corpo ficou luminoso e resplandecentes as suas vestes. Com isto, Jesus quis manifestar aos discípulos que Ele era realmente o Filho de Deus, enviado pelo Pai. Jesus é o cumprimento de todas as promessas de Deus; é Deus connosco, a manifestação da ternura e da misericórdia do Pai entre os homens. A sua paixão e morte não serão o fim, mas tudo recobrará sentido quando Deus Pai o ressuscitar e o fizer sentar-se à Sua direita, na Sua glória. Tudo isto é dito de uma maneira plástica - luz, brancura, glória, nuvem ... que indicam a presença de Deus.O caminho necessário para a ressurreição é, contudo, o caminho da cruz, da paixão e morte, da entrega total de Sua vida pelo perdão dos pecados
Daniel 7,9-10.13-14.
9 Estava eu a olhar, quando foram colocados tronos e um Ancião sentou-Se. As suas vestes eram brancas como a neve e os cabelos como a lã pura. O seu trono eram chamas de fogo, com rodas de lume vivo.
10 Um rio de fogo corria, irrompendo diante dele. Milhares de milhares O serviam e miríades de miríades O assistiam. O tribunal abriu a sessão e os livros foram abertos.
13 Contemplava eu as visões da noite, quando, sobre as nuvens do céu, veio alguém semelhante a um filho do homem. Dirigiu-Se para o Ancião venerável e conduziram-no à sua presença.
14 Foi-Lhe entregue o poder, a honra e a realeza, e todos os povos, nações e línguas O serviram. O seu poder é eterno, não passará jamais, e o seu reino jamais será destruído.
97(96),1-2.5-6.9.12.
R/ O Senhor é rei, o Altíssimo sobre toda a terra.
1 O Senhor é Rei: exulte a terra,
rejubile a multidão das ilhas.
2 Ao seu redor, nuvens e trevas;
a justiça e o direito são a base do seu trono.
5 Derretem-se os montes como cera
diante do Senhor de toda a terra.
6 Os céus proclamam a sua justiça
e todos os povos contemplam a sua glória.
9 Vós, Senhor, sois o Altíssimo sobre toda a terra,
estais acima de todos os deuses.
12 Alegrai-vos, ó justos, no Senhor
e louvai o seu nome santo.
Mateus 17,1-9.
1 Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e levou-os, em particular, a um alto monte
2 e transfigurou-Se diante deles: o seu rosto ficou resplandecente como o Sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz.
3 E apareceram Moisés e Elias a falar com Ele.
4 Pedro disse a Jesus: «Senhor, como é bom estarmos aqui! Se quiseres, farei aqui três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias».
5 Ainda ele falava quando uma nuvem luminosa os cobriu com a sua sombra, e da nuvem uma voz dizia: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência. Escutai-O».
6 Ao ouvirem estas palavras, os discípulos caíram de rosto por terra e assustaram-se muito.
7 Então, Jesus aproximou-Se e, tocando-os, disse: «Levantai-vos e não temais».
8 Erguendo os olhos, eles não viram mais ninguém, senão Jesus.
9 Ao descerem do monte, Jesus deu-lhes esta ordem: «Não conteis a ninguém esta visão, até o Filho do homem ressuscitar dos mortos».
Comentário ao Evangelho
«Levou-os, em particular, a um alto monte»
Outrora, no monte Sinai, o fumo, a tempestade, a escuridão e o fogo (Ex 19,16s) revelaram a extrema condescendência de Deus, anunciando que Aquele que dava a Lei era inacessível [...] e que o Criador Se fazia conhecer pelas suas obras. Agora, porém, tudo está cheio de luz e de esplendor. Porque o artífice e senhor de todas as coisas veio do seio do Pai. Não abandonou a morada que Lhe pertencia, isto é, o seu assento no seio do Pai, mas desceu para estar com os escravos, tomando a condição de servo e tornando-Se homem na sua natureza e no seu comportamento (Fil 2,7), para que Deus, que é incompreensível para os homens, pudesse ser compreendido. Por Si e em Si, Ele mostra o esplendor da natureza divina.
Outrora, Deus tinha estabelecido o homem em união com a sua própria graça. Quando insuflou o espírito de vida no novo homem formado do barro, quando lhe comunicou o que tinha de melhor, honrou-o com a sua própria imagem e semelhança (Gn 1,27). Deu-lhe o Paraíso como morada e fez dele irmão dos anjos. Mas, como nós fizemos desaparecer a imagem divina debaixo da lama dos nossos desejos desregrados, o Misericordioso decidiu-Se a uma segunda comunhão connosco, muito mais segura e extraordinária do que a primeira: permanecendo na elevação da sua divindade, aceitou também o que está abaixo dela, criando em Si mesmo a natureza humana; deste modo, misturou o arquétipo com a imagem e, nela, mostrou a sua própria beleza.
O seu rosto resplandece como o sol porque, na sua divindade, Ele identifica-Se com a luz imaterial; por isso, tornou-Se o Sol de justiça (Mal 3,20). Mas as suas vestes tornaram-se brancas como a neve porque receberam a glória por revestimento e não por união, por relação e não por natureza. E «uma nuvem luminosa os cobriu com a sua sombra», tornando sensível o resplendor do Espírito.
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