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Liturgia diária

16º Domingo do Tempo Comum

Domingo, 22 De Julho Cor litúrgica: Verde

Tempo litúrgico

Décimo Sexto Domingo do Tempo Comum
As leituras deste Domingo convidam-nos a reflectir sobre o tema da hospitalidade e do acolhimento. Sugerem, sobretudo, que a existência cristã é o acolhimento de Deus e das suas propostas; e que a acção (ainda que em favor dos irmãos) tem de partir de um verdadeiro encontro com Jesus e da escuta da Palavra de Jesus. É isso que permite encontrar o sentido da nossa acção e da nossa missão.A primeira leitura propõe-nos a figura patriarcal de Abraão. Nessa figura apresenta-se o modelo do homem que está atento a quem passa, que partilha tudo o que tem com o irmão que se atravessa no seu caminho e que encontra no hóspede que entra na sua tenda a figura do próprio Deus. Sugere-se, em consequência, que Deus não pode deixar de recompensar quem assim procede.No Evangelho, apresenta-se um outro quadro de hospitalidade e de acolhimento de Deus. Mas sugere-se que, para o cristão, acolher Deus na sua casa não é tanto embarcar num activismo desenfreado, mas sentar-se aos pés de Jesus, escutar as propostas que, n’Ele, o Pai nos faz, e acolher a sua Palavra.A segunda leitura apresenta-nos a figura de um apóstolo (Paulo), para quem Cristo, as suas palavras e as suas propostas são a referência fundamental, o universo à volta do qual se constrói toda a vida. Para Paulo, o que é necessário é “acolher Cristo” e construir toda a vida à volta dos seus valores. É isso que é preponderante na experiência cristã.

Jeremias 23,1-6.

1 Diz o Senhor: «Ai dos pastores que perdem e dispersam as ovelhas do meu rebanho!».
2 Por isso, assim fala o Senhor, Deus de Israel, aos pastores que apascentam o meu povo: «Dispersastes as minhas ovelhas e as escorraçastes, sem terdes cuidado delas. Vou ocupar-Me de vós e castigar-vos, pedir-vos contas das vossas más ações – oráculo do Senhor.
3 Eu mesmo reunirei o resto das minhas ovelhas de todas as terras onde se dispersaram e as farei voltar às suas pastagens, para que cresçam e se multipliquem.
4 Dar-lhes-ei pastores que as apascentem, e não mais terão medo nem sobressalto; nem se perderá nenhuma delas – oráculo do Senhor.
5 Dias virão», diz o Senhor, «em que farei surgir para David um rebento justo. Será um verdadeiro rei e governará com sabedoria; há de exercer no país o direito e a justiça.
6 Nos seus dias, Judá será salvo e Israel viverá em segurança. Este será o seu nome: "O Senhor é a nossa justiça".

23(22),1-3a.3b-4.5.6.

R/ Habitarei para sempre na casa do Senhor.

1 O Senhor é meu pastor: nada me falta.
2 Leva-me a descansar em verdes prados,
conduz-me às águas refrescantes
3 e reconforta a minha alma.

3 Ele me guia por sendas direitas por amor do seu nome.
4 Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos,
não temerei nenhum mal, porque Vós estais comigo:
o vosso cajado e o vosso báculo me enchem de confiança.

5 Para mim preparais a mesa,
à vista dos meus adversários;
com óleo me perfumais a cabeça,
e o meu cálice transborda.

6 A bondade e a graça hão de acompanhar-me
todos os dias da minha vida,
e habitarei na casa do Senhor
para todo o sempre.

Ep 2,13-18.

13 Irmãos: Foi em Cristo Jesus que vós, outrora longe de Deus, vos aproximastes dele, graças ao sangue de Cristo.
14 Cristo é, de facto, a nossa paz. Foi Ele que fez de judeus e gregos um só povo e derrubou o muro da inimizade que os separava,
15 anulando, pela imolação do seu corpo, a Lei de Moisés, com as suas prescrições e decretos. E assim, de uns e outros Ele fez em Si próprio um só homem novo, estabelecendo a paz.
16 Pela cruz, reconciliou com Deus uns e outros, reunidos num só corpo, levando em Si próprio a morte à inimizade.
17 Cristo veio anunciar a boa nova da paz, paz para vós, que estáveis longe, e paz para aqueles que estavam perto.
18 Por Ele, uns e outros podemos aproximar-nos do Pai, num só Espírito.

Marcos 6,30-34.

30 Naquele tempo, os apóstolos voltaram para junto de Jesus e contaram-Lhe tudo o que tinham feito e ensinado.
31 Então Jesus disse-lhes: «Vinde comigo para um lugar isolado e descansai um pouco». De facto, havia sempre tanta gente a chegar e a partir que eles nem tinham tempo de comer.
32 Partiram, então, de barco para um lugar isolado, sem mais ninguém.
33 Vendo-os afastar-se, muitos perceberam para onde iam; e, de todas as cidades, acorreram a pé para aquele lugar e chegaram lá primeiro que eles.
34 Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e compadeceu-Se de toda aquela gente, porque eram como ovelhas sem pastor. E começou a ensinar-lhes muitas coisas.

Comentário ao Evangelho

«Vinde comigo para um lugar isolado e descansai um pouco»

«Os apóstolos voltaram para junto de Jesus e contaram-Lhe tudo o que tinham feito e ensinado». Os apóstolos não estão sozinhos [...]; há entre eles outros discípulos de Jesus, bem como discípulos do Batista. [...] «Jesus disse-lhes: "Vinde comigo para um lugar isolado e descansai um pouco"». Para explicar a necessidade de conceder algum repouso aos discípulos, o evangelista prossegue dizendo: «De facto, havia sempre tanta gente a chegar e a partir que eles nem tinham tempo de comer». A fadiga daqueles que ensinavam e o ardor daqueles que se deixavam instruir mostram claramente como todos eram felizes.

Quem dera que a providência de Deus fizesse o mesmo no nosso tempo, e um grande número de fiéis se concentrasse em torno dos ministros da palavra para os ouvir, não lhes deixando sequer tempo de recuperar forças! [...] Quem dera que deles fosse reclamada, a tempo e fora de tempo, a palavra da fé e o ministério da salvação! Desse modo, eles arderiam no desejo de meditar nos preceitos de Deus e de os pôr incessantemente em prática, de maneira que os seus atos não desmentissem os seus ensinamentos.

«Partiram, então, de barco para um lugar isolado, sem mais ninguém». [...] Mas as pessoas seguiram-nos, tomando apressadamente a estrada do deserto; não foram de burro nem em qualquer género de veículo, mas a pé, mostrando, com esse esforço pessoal, a importância que davam à sua salvação. Em troca, Jesus acolheu esta gente fatigada. Como Salvador e médico cheio de poder e de bondade, instruiu os ignorantes, curou os doentes e alimentou os famintos, manifestando assim a enorme alegria que o amor dos crentes suscita n'Ele.

São Beda o Venerável (c. 673-735), monge beneditino, doutor da Igreja Comentário sobre o evangelho de Marcos, 2; CCL 120, 510

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