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Liturgia diária

Sexta-feira da 3ª semana da Páscoa

Sexta-Feira, 24 De Abril Cor litúrgica: Branco

9,1-20.

1 Naqueles dias, Saulo, respirando ainda ameaças de morte contra os discípulos do Senhor, foi ter com o sumo sacerdote
2 e pediu-lhe cartas para as sinagogas de Damasco, a fim de trazer algemados para Jerusalém quantos seguissem a nova religião, tanto homens como mulheres.
3 Na viagem, quando estava já próximo de Damasco, viu-se de repente envolvido numa luz intensa vinda do céu.
4 Caiu por terra e ouviu uma voz que lhe dizia: «Saulo, Saulo, porque Me persegues?».
5 Ele perguntou: «Quem és Tu, Senhor?». O Senhor respondeu: «Eu sou Jesus, a quem tu persegues.
6 Mas levanta-te, entra na cidade e aí te dirão o que deves fazer».
7 Os companheiros de viagem de Saulo tinham parado emudecidos; ouviam a voz, mas não viam ninguém.
8 Saulo levantou-se do chão, mas, embora tivesse os olhos abertos, nada via. Levaram-no pela mão e introduziram-no em Damasco.
9 Ficou três dias sem vista e sem comer nem beber.
10 Vivia em Damasco um discípulo chamado Ananias e o Senhor chamou-o numa visão: «Ananias». Ele respondeu: «Eis-me aqui, Senhor».
11 O Senhor continuou: «Levanta-te e vai à rua chamada Direita procurar, em casa de Judas, um homem de Tarso, chamado Saulo, que está a orar».
12 Entretanto, Saulo teve uma visão, em que um homem chamado Ananias entrava e lhe impunha as mãos, para que recuperasse a vista.
13 Ananias respondeu: «Senhor, tenho ouvido contar a muitas pessoas todo o mal que esse homem fez aos teus fiéis em Jerusalém;
14 e agora está aqui com plenos poderes dos príncipes dos sacerdotes para prender todos os que invocam o teu nome».
15 O Senhor disse-lhe: «Vai, porque esse homem é o instrumento escolhido por Mim para levar o meu nome ao conhecimento dos gentios, dos reis e dos filhos de Israel.
16 Eu mesmo lhe mostrarei quanto ele tem de sofrer pelo meu nome».
17 Então Ananias partiu, entrou na casa, impôs as mãos a Saulo e disse-lhe: «Saulo, meu irmão, quem me envia é o Senhor — esse Jesus que te apareceu no caminho por onde vinhas —, a fim de recuperares a vista e ficares cheio do Espírito Santo».
18 Imediatamente lhe caíram dos olhos uma espécie de escamas e recuperou a vista. Depois levantou-se, recebeu o batismo
19 e, tendo tomado alimento, readquiriu as forças. Saulo passou alguns dias com os discípulos de Damasco
20 e começou logo a proclamar nas sinagogas que Jesus era o Filho de Deus.

117(116),1.2.

R/ Ide por todo o mundo e anunciai o Evangelho.

1 Louvai o Senhor, todas as nações,
aclamai-O, todos os povos.

2 É firme a sua misericórdia para connosco,
a fidelidade do Senhor permanece para sempre.

6,52-59.

52 Naquele tempo, os judeus discutiam entre si: «Como pode Jesus dar-nos a sua carne a comer?».
53 E Jesus disse-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós.
54 Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e Eu o ressuscitarei no último dia.
55 A minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida.
56 Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em Mim e Eu nele.
57 Assim como o Pai, que vive, Me enviou e Eu vivo pelo Pai, também aquele que Me come viverá por Mim.
58 Este é o pão que desceu do Céu; não é como o dos vossos pais, que o comeram e morreram: quem comer deste pão viverá eternamente».
59 Assim falou Jesus, ao ensinar numa sinagoga, em Cafarnaum.

Comentário ao Evangelho

Receber na fé um tão grande mistério de amor

[Santa Catarina ouviu Deus dizer-lhe:] Ó minha filha mais querida, abre bem o olhar do entendimento para contemplares o abismo da minha caridade. Não há criatura racional cujo coração não se parta sob a pressão do amor ao considerar, para além de todas as bênçãos de que vos cumulei, os benefícios que recebeis neste sacramento. [...]

Quem prova, vê e toca este sacramento? Os sentidos da alma. Com que olhar vê ela? Com o olhar do entendimento, se esse olhar for dotado da pupila da santíssima fé. Esse olhar vê, sob esta brancura, Deus inteiro e o Homem inteiro, a natureza divina unida à natureza humana, o corpo, a alma e o sangue de Cristo, a alma unida ao corpo, o corpo e a alma unidos à minha natureza divina, sem se separarem de Mim. [...] E quem toca este sacramento? A mão do amor. Sim, é com esta mão que a alma toca o que o olhar do espírito viu e conheceu no sacramento pela fé; e toca com esta mão de amor, para averiguar aquilo que o intelecto viu e conheceu pela fé. Quem o saboreia? O paladar do santo desejo. O paladar do corpo saboreia o sabor do pão, e o paladar da alma, que é santo desejo, saboreia o Deus-Homem. Como vês, os sentidos do corpo são enganados, mas o sentido da alma está certo, por causa da luz e da certeza que ela possui em si mesma.

Pois o olhar do intelecto viu através da pupila da santíssima fé; tendo visto, conhece, e depois toca com fé, com a mão do amor, aquilo que conheceu pela fé. Finalmente, através do paladar interior, através do desejo ardente, a alma saboreia aquilo que viu e tocou, o inefável amor da minha ardente caridade. Foi este Amor que se dignou convidá-la a receber tão grande mistério, com a graça que ele produz, neste sacramento.

Santa Catarina de Sena (1347-1380) terceira dominicana, doutora da Igreja, copadroeira da Europa Reforma dos pastores, capítulo II, n.º 111

Santo do Dia