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Liturgia diária

Terça-feira da 3ª semana da Páscoa

Terça-Feira, 21 De Abril Cor litúrgica: Branco

7,51-60.8,1a.

51 Naqueles dias, Estêvão disse ao povo, aos anciãos e aos escribas: «Homens de dura cerviz, incircuncisos de coração e de ouvidos, sempre resistis ao Espírito Santo. Como foram os vossos antepassados, assim sois vós também.
52 A qual dos Profetas não perseguiram os vossos antepassados? Eles também mataram os que predisseram a vinda do Justo, do qual fostes agora traidores e assassinos,
53 vós que recebestes a Lei pelo ministério dos anjos e não a tendes cumprido».
54 Ao ouvirem as suas palavras, estremeciam de raiva em seu coração e rangiam os dentes contra Estêvão.
55 Mas Estêvão, cheio do Espírito Santo, de olhos fitos no Céu, viu a glória de Deus e Jesus de pé à sua direita
56 e exclamou: «Vejo o Céu aberto e o Filho do homem de pé à direita de Deus».
57 Então, levantaram um grande clamor e taparam os ouvidos; depois, atiraram-se todos contra ele,
58 empurraram-no para fora da cidade e começaram a apedrejá-lo. As testemunhas colocaram os mantos aos pés de um jovem chamado Saulo.
59 Enquanto o apedrejavam, Estêvão orava, dizendo: «Senhor Jesus, recebe o meu espírito».
60 Depois ajoelhou-se e bradou com voz forte: «Senhor, não lhes atribuas este pecado». Dito isto, expirou.
1 Saulo estava de acordo com a execução de Estêvão.

31(30),3cd-4.6ab.7b.8a.17.21ab.

R/ Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.

3 Sede a rocha do meu refúgio
3 e a fortaleza da minha salvação;
4 porque Vós sois a minha força e o meu refúgio,
por amor do vosso nome, guiai-me e conduzi-me.

6 Em vossas mãos entrego o meu espírito,
6 Senhor, Deus fiel, salvai-me.
7 Em Vós, Senhor, ponho a minha confiança:
8 Hei de exultar e alegrar-me com a vossa misericórdia.

17 Fazei brilhar sobre mim a vossa face,
salvai-me pela vossa bondade.
21 Vós os escondeis sob o refúgio da vossa face,
longe das intrigas dos homens.
21 Vós os escondeis na tenda
contra as línguas maldizentes.

6,30-35.

30 Naquele tempo, disse a multidão a Jesus: «Que milagres fazes Tu, para que nós vejamos e acreditemos em Ti? Que obra realizas?
31 No deserto os nossos pais comeram o maná, conforme está escrito: "Deu-lhes a comer um pão que veio do Céu"».
32 Jesus respondeu-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: não foi Moisés que vos deu o pão do Céu; meu Pai é que vos dá o verdadeiro pão do Céu.
33 O pão de Deus é o que desce do Céu para dar a vida ao mundo».
34 Disseram-Lhe eles: «Senhor, dá-nos sempre desse pão».
35 Jesus respondeu-lhes: «Eu sou o pão da vida: quem vem a Mim nunca mais terá fome, quem acredita em Mim nunca mais terá sede».

Comentário ao Evangelho

«Dá-nos sempre desse pão»

O primeiro sinal do amor foi Jesus ter-nos dado a sua carne a comer e o seu sangue a beber: eis uma coisa inaudita, que exige de nós admiração e estupefacção.

O que é próprio do amor é dar sempre e sempre receber. Ora, o amor de Jesus é, ao mesmo tempo, pródigo e ávido: dá tudo o que tem e o que é; e recebe tudo o que nós temos, tudo o que somos. Ele tem uma fome imensa. [...] Quanto mais o nosso amor O deixa agir, mais O desfrutamos amplamente. Ele tem uma fome imensa, insaciável. Ele bem sabe que somos pobres, mas não tem isso em conta. Faz-Se a Si mesmo pão em nós, fazendo desaparecer no seu amor, antes de mais, as nossas más inclinações, as nossas faltas e os nossos pecados. Depois, quando nos vê puros, chega ávido de tomar a nossa vida e de a transformar na sua, a nossa cheia de pecados, a sua cheia de graça e de glória, totalmente preparada para nós, bastando para isso que renunciemos a nós próprios (cf Mt 16,24). [...] Todos aqueles que amam me compreenderão. Ele faz-nos o dom duma fome e duma sede eternas.

A essa fome e essa sede Ele dá a comer o seu corpo e o seu sangue. Quando O recebemos com dedicação interior, o seu sangue, pleno de calor e de glória, jorra de Deus para as nossas veias. O fogo pega dentro de nós e o gosto espiritual penetra-nos a alma e o corpo, o gosto e o desejo. Ele permite-nos assemelharmo-nos às suas virtudes: vive em nós e nós nele.

Beato Jan van Ruysbroeck (1293-1381) cónego regular Obras de Jan van Ruysbroeck

Santo do Dia