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Liturgia diária

3º Domingo da Páscoa

Domingo, 19 De Abril Cor litúrgica: Branco

2,14.22-33.

14 No dia de Pentecostes, Pedro, de pé, com os onze apóstolos, ergueu a voz e falou ao povo: «Homens da Judeia e vós todos que habitais em Jerusalém, compreendei o que está a acontecer e ouvi as minhas palavras:
22 Jesus de Nazaré foi um homem acreditado por Deus junto de vós, com milagres, prodígios e sinais, que Deus realizou no meio de vós, por seu intermédio, como sabeis.
23 Depois de entregue, segundo o desígnio imutável e a previsão de Deus, vós destes-Lhe a morte, cravando-O na cruz pela mão de gente perversa.
24 Mas Deus ressuscitou-O, livrando-O dos laços da morte, porque não era possível que Ele ficasse sob o seu domínio.
25 Diz David a seu respeito: "O Senhor está sempre na minha presença, com Ele a meu lado não vacilarei.
26 Por isso o meu coração se alegra e a minha alma exulta, e até o meu corpo descansa tranquilo.
27 Vós não abandonareis a minha alma na mansão dos mortos, nem deixareis o vosso Santo sofrer a corrupção.
28 Destes-me a conhecer os caminhos da vida, a alegria plena em vossa presença".
29 Irmãos, seja-me permitido falar-vos com toda a liberdade: o patriarca David morreu e foi sepultado, e o seu túmulo encontra-se ainda hoje entre nós.
30 Mas, como era profeta e sabia que Deus lhe prometera sob juramento que um descendente do seu sangue havia de sentar-se no seu trono,
31 viu e proclamou antecipadamente a ressurreição de Cristo, dizendo que Ele não O abandonou na mansão dos mortos, nem a sua carne conheceu a corrupção.
32 Foi este Jesus que Deus ressuscitou, e disso todos nós somos testemunhas.
33 Tendo sido exaltado pelo poder de Deus, recebeu do Pai a promessa do Espírito Santo, que Ele derramou, como vedes e ouvis».

16(15),1-2a.5.7-8.9-10.11.

R/ O Senhor é a minha herança.

1 Defendei-me, Senhor, Vós sois o meu refúgio.
2 Digo ao Senhor: Vós sois o meu Deus.
5 Senhor, porção da minha herança,
está nas vossas mãos o meu destino.

7 Bendigo o Senhor por me ter aconselhado,
até de noite me inspira interiormente.
8 O Senhor está sempre na minha presença,
com Ele a meu lado não vacilarei.

9 Por isso o meu coração se alegra e a minha alma exulta,
e até o meu corpo descansa tranquilo.
10 Vós não abandonareis a minha alma
na mansão dos mortos,
nem deixareis o vosso fiel conhecer a corrupção.

11 Dar-me-eis a conhecer os caminhos da vida,
alegria plena em vossa presença,
delícias eternas à vossa direita.

1,17-21.

17 Caríssimos: Se invocais como Pai Aquele que, sem aceção de pessoas, julga cada um segundo as suas obras, vivei com temor, durante o tempo de exílio neste mundo.
18 Lembrai-vos que não foi por coisas corruptíveis, como prata e oiro, que fostes resgatados da vã maneira de viver herdada dos vossos pais,
19 mas pelo sangue precioso de Cristo, Cordeiro sem defeito e sem mancha,
20 predestinado antes da criação do mundo e manifestado nos últimos tempos por vossa causa.
21 Por Ele acreditais em Deus, que O ressuscitou dos mortos e Lhe deu a glória, para que a vossa fé e a vossa esperança estejam em Deus.

24,13-35.

13 Dois dos discípulos de Jesus iam a caminho duma povoação chamada Emaús, que ficava a duas léguas de Jerusalém.
14 Conversavam entre si sobre tudo o que tinha sucedido.
15 Enquanto falavam e discutiam, Jesus aproximou-Se deles e pôs-Se com eles a caminho.
16 Mas os seus olhos estavam impedidos de O reconhecerem.
17 Ele perguntou-lhes. «Que palavras são essas que trocais entre vós pelo caminho?». Pararam, com ar muito triste,
18 e um deles, chamado Cléofas, respondeu: «Tu és o único habitante de Jerusalém a ignorar o que lá se passou nestes dias».
19 E Ele perguntou: «Que foi?». Responderam-Lhe: «O que se refere a Jesus de Nazaré, profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo;
20 e como os príncipes dos sacerdotes e os nossos chefes O entregaram para ser condenado à morte e crucificado.
21 Nós esperávamos que fosse Ele quem havia de libertar Israel. Mas, afinal, é já o terceiro dia depois que isto aconteceu.
22 É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos sobressaltaram: foram de madrugada ao sepulcro,
23 não encontraram o corpo de Jesus e vieram dizer que lhes tinham aparecido uns anjos a anunciar que Ele estava vivo.
24 Alguns dos nossos foram ao sepulcro e encontraram tudo como as mulheres tinham dito. Mas a Ele não O viram».
25 Então Jesus disse-lhes: «Homens sem inteligência e lentos de espírito para acreditar em tudo o que os profetas anunciaram!
26 Não tinha o Messias de sofrer tudo isso para entrar na sua glória?».
27 Depois, começando por Moisés e passando pelos profetas, explicou-lhes em todas as Escrituras o que Lhe dizia respeito.
28 Ao chegarem perto da povoação para onde iam, Jesus fez menção de ir para diante.
29 Mas eles convenceram-no a ficar, dizendo: «Fica connosco, porque o dia está a terminar e vem caindo a noite». Jesus entrou e ficou com eles.
30 E quando Se pôs à mesa, tomou o pão, recitou a bênção, partiu-o e entregou-lho.
31 Nesse momento abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-no. Mas Ele desapareceu da sua presença.
32 Disseram então um para o outro: «Não ardia cá dentro o nosso coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?».
33 Partiram imediatamente de regresso a Jerusalém e encontraram reunidos os Onze e os que estavam com eles,
34 que diziam: «Na verdade, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão».
35 E eles contaram o que tinha acontecido no caminho e como O tinham reconhecido ao partir o pão.

Comentário ao Evangelho

«Fica connosco»

Os dois discípulos iam para Emaús. O seu caminhar era normal, como o de tantas outras pessoas que transitavam por aquelas paragens. E é aí, com naturalidade, que Jesus lhes aparece e segue com eles, com uma conversa que faz diminuir a fadiga. […] Jesus no caminho! Senhor, que grande és sempre! Mas comoves-me quando Te rebaixas para nos acompanhares, para nos procurares na nossa lida diária. Senhor, concede-nos a simplicidade de espírito, o olhar limpo, a mente clara que permitem entender-Te quando apareces sem nenhum sinal exterior da tua glória.

O trajeto termina ao chegarem à aldeia, e aqueles dois que – sem o saberem – tinham sido feridos no fundo do coração pela palavra e pelo amor do Deus feito homem, têm pena de que Ele Se vá embora. Porque Jesus «fez menção de ir para diante»: Nosso Senhor nunca Se impõe; quer que O chamemos livremente, quando entrevemos a pureza do amor que nos meteu na alma. Temos de O deter à força e de Lhe pedir: «Fica connosco, porque o dia está a terminar», cai a noite.

Somos assim: sempre pouco atrevidos, talvez por falta de sinceridade, talvez por pudor. No fundo pensamos: fica connosco, porque as trevas nos rodeiam a alma e só Tu és luz, só Tu podes acalmar esta ânsia que nos consome! […] E Jesus fica. Abrem-se os nossos olhos, como os de Cléofas e do companheiro, quando Cristo parte o pão; e, mesmo que Ele volte a desaparecer da nossa vista, também nós seremos capazes de empreender de novo a marcha – anoitece – para falar dele aos outros; porque tanta alegria não cabe num só coração.

Caminho de Emaús. O nosso Deus encheu este nome de doçura. E Emaús é o mundo inteiro, porque Nosso Senhor abriu os caminhos divinos da terra.

São Josemaría Escrivá de Balaguer (1902-1975) presbítero, fundador «Amigos de Deus», §§ 313-314

Santo do Dia