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Liturgia diária

Quarta-feira da 2ª semana da Páscoa

Quarta-Feira, 15 De Abril Cor litúrgica: Branco

5,17-26.

17 Naqueles dias, o sumo sacerdote e todo o seu grupo, isto é, o partido dos saduceus, enfurecidos contra os apóstolos,
18 mandaram-nos prender e meteram-nos na cadeia pública.
19 Mas, durante a noite, o anjo do Senhor abriu as portas da prisão, levou-os para fora e disse-lhes:
20 «Ide apresentar-vos no Templo, a anunciar ao povo todas estas palavras de vida».
21 Tendo ouvido isto, eles entraram no Templo de madrugada e começaram a ensinar. Entretanto, chegou o sumo sacerdote com o seu grupo. Convocaram o Sinédrio e todo o Senado dos israelitas e mandaram buscar os apóstolos à cadeia.
22 Os guardas foram lá, mas não os encontraram na prisão; e voltaram para avisar:
23 «Encontrámos a cadeia fechada com toda a segurança e os guardas de sentinela à porta. Abrimo-la, mas não encontrámos ninguém lá dentro».
24 Ao ouvirem estas palavras, o comandante do Templo e os príncipes dos sacerdotes ficaram muito perplexos, perguntando entre si o que se tinha passado com os presos.
25 Entretanto, veio alguém comunicar-lhes: «Os homens que metestes na cadeia estão no Templo a ensinar o povo».
26 Então o comandante do Templo foi lá com os guardas e trouxe os apóstolos, mas sem violência, porque tinham receio de ser apedrejados pelo povo.

34(33),2-3.4-5.6-7.8-9.

R/ Saboreai e vede como o Senhor é bom.

2 A toda a hora bendirei o Senhor,
o seu louvor estará sempre na minha boca.
3 A minha alma gloria-se no Senhor:
escutem e alegrem-se os humildes.

4 Enaltecei comigo o Senhor
e exaltemos juntos o seu nome.
5 Procurei o Senhor e Ele atendeu-me,
libertou-me de toda a ansiedade.

6 Voltai-vos para Ele e ficareis radiantes,
o vosso rosto não se cobrirá de vergonha.
7 Este pobre clamou e o Senhor o ouviu,
salvou-o de todas as angústias.

8 O anjo do Senhor protege os que O temem
e defende-os dos perigos.
9 Saboreai e vede como o Senhor é bom:
feliz o homem que nele se refugia.

3,16-21.

16 Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: «Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita nele não pereça, mas tenha a vida eterna.
17 Porque Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele».
18 Quem acredita nele não é condenado, mas quem não acredita nele já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho Unigénito de Deus».
19 E a causa da condenação é esta: a luz veio ao mundo e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque eram más as suas obras.
20 Todo aquele que pratica más ações odeia a luz e não se aproxima dela, para que as suas obras não sejam denunciadas.
21 Mas quem pratica a verdade aproxima-se da luz, para que as suas obras sejam manifestas, pois são feitas em Deus».

Comentário ao Evangelho

Colocar a Cristo como lanterna divina no nosso coração

«Eu sou a verdade» (Jo 14,6). Em virtude da nossa condição natural, caminhamos neste mundo mergulhados nas trevas (cf Lc 1,79). Para ascendermos a Deus, precisamos de ser iluminados sobrenaturalmente. Só Cristo manifesta a verdade religiosa, pois Ele é a luz do mundo. Os seus ensinamentos, sem dissiparem por completo as trevas, permitem-nos reconhecê-lo como o Enviado pelo Pai e aderir a Ele como a Verdade suprema e infalível. «O Senhor é minha luz» (Sl 27,1).

O Evangelho traz ao mundo a revelação das grandes verdades religiosas: a Trindade, a encarnação, a redenção e as consequências da vida após a morte; e também revela à humanidade o mistério da paternidade divina. Quando Jesus nos fala de Deus, apresenta-O sempre como nosso Pai: «Vou subir para o meu Pai e vosso Pai» (Jo 20,18). Uma das características do Novo Testamento é ensinar-nos a chamar Pai a Deus, a comportarmo-nos com Ele como seus filhos (cf Mt 6,9; Rm 8,16). Com a paternidade divina, Jesus revela-nos também a nossa adoção, o nosso destino celestial e bem-aventurado, e todas as atitudes de caridade e virtude próprias dos cristãos. Recolhamos estas doutrinas dos seus lábios benditos, reconheçamos que emanam da própria Verdade e adiramos a elas com fé inabalável. Além disso, Cristo traz a verdade através de uma graça de iluminação inteiramente pessoal das nossas almas. Esta iluminação, única para cada pessoa, é essencial para o progresso da vida de Cristo em nós. [...]

Temos, pois, de considerar os caminhos deste mundo à luz da fé em Cristo. Coloquemo-lo como lâmpada divina no centro do nosso coração. Lancemos as nossas ideias, os nossos juízos e os nossos desejos aos pés de Jesus, para que possamos ver o mundo, as pessoas e os acontecimentos como que através dos seus olhos. Então, daremos o justo valor às coisas do tempo e às da eternidade.

Beato Columba Marmion (1858-1923) abade Cristo, modelo e fonte de santidade sacerdotal

Santo do Dia