Saltar para o conteúdo principal

Liturgia diária

Terça-feira da 33ª semana do Tempo Comum

Terça-Feira, 18 De Novembro Cor litúrgica: Verde

6,18-31.

18 Naqueles dias, Eleazar, um dos principais doutores da Lei, homem de idade avançada e de aspeto muito distinto, era forçado a abrir a boca para comer carne de porco.
19 Mas ele, preferindo a morte gloriosa à vida desonrada, caminhou espontaneamente para o instrumento de suplício,
20 depois de ter cuspido fora a carne, como devem proceder os que têm a coragem de repelir o que não é lícito comer, nem sequer por amor à própria vida.
21 Então os encarregados dessa iníqua refeição ritual, que conheciam aquele homem de velha data, chamaram-no à parte e tentaram persuadi-lo a trazer carne da que lhe fosse lícito servir-se, preparada por ele próprio, e assim fingisse comer a carne prescrita pelo rei, isto é, proveniente do sacrifício.
22 Procedendo assim, escaparia à morte, aproveitando a benevolência com que o tratavam em consideração da amizade entre eles.
23 Mas ele optou por uma nobre decisão, digna da sua idade, do prestígio da sua velhice, dos seus cabelos tão ilustremente embranquecidos, do seu excelente modo de proceder desde a infância e, o que é mais, da santa Lei estabelecida por Deus. Com toda a coerência, respondeu prontamente: «Prefiro que me envieis para a morada dos mortos.
24 Na nossa idade não é conveniente fingir; aliás muitos jovens ficariam persuadidos de que Eleazar, aos noventa anos, se tinha passado para os costumes pagãos;
25 e com esta dissimulação, por causa do pouco tempo de vida que me resta, viriam a transviar-se também por minha culpa e eu ficaria com a minha velhice manchada e desonrada.
26 Além disso, ainda que eu me furtasse de momento à tortura dos homens, não fugiria, contudo, nem vivo nem morto, às mãos do Omnipotente.
27 Por isso, renunciando agora corajosamente a esta vida, mostrar-me-ei digno da minha velhice
28 e deixarei aos jovens o nobre exemplo de morrer com beleza, espontânea e gloriosamente, pelas veneráveis e santas leis». Dito isto, Eleazar dirigiu-se logo para o instrumento de suplício.
29 Aqueles que o conduziam mudaram em aversão a benevolência que pouco antes mostraram para com ele, por causa das palavras que acabava de dizer e que eles consideravam uma loucura.
30 Prestes a morrer sob os golpes, exclamou entre suspiros: «Para o Senhor, que possui a santa ciência, é bem claro que, podendo escapar à morte, estou a sofrer cruéis tormentos no meu corpo; mas na alma suporto-os com alegria, porque temo o Senhor».
31 Foi assim que Eleazar perdeu a vida, deixando, com a sua morte, não só aos jovens, mas também à maioria do seu povo, um exemplo de coragem e um memorial de virtude.

3,2-3.4-5.6-7.

R/ O Senhor me sustenta e ampara.

2 Senhor, são tantos os meus inimigos,
tão numerosos os que se levantam contra mim!
3 Muitos são os que dizem a meu respeito:
«Deus não o vai salvar».

4 Vós, porém, Senhor, sois o meu protetor,
a minha glória e Aquele que me sustenta.
5 Em altos brados clamei ao Senhor,
Ele respondeu-me da sua montanha sagrada.

6 Deito-me e adormeço, e me levanto:
sempre o Senhor me ampara.
7 Não temo a multidão,
que de todos os lados me cerca.

19,1-10.

1 Naquele tempo, Jesus entrou em Jericó e começou a atravessar a cidade.
2 Vivia ali um homem rico chamado Zaqueu, que era chefe de publicanos.
3 Procurava ver quem era Jesus, mas, devido à multidão, não podia vê-lo, porque era de pequena estatura.
4 Então correu mais à frente e subiu a um sicómoro, para ver Jesus, que havia de passar por ali.
5 Quando Jesus chegou ao local, olhou para cima e disse-lhe: «Zaqueu, desce depressa, que Eu hoje devo ficar em tua casa».
6 Ele desceu rapidamente e recebeu Jesus com alegria.
7 Ao verem isto, todos murmuravam, dizendo: «Foi hospedar-Se em casa dum pecador».
8 Entretanto, Zaqueu apresentou-se ao Senhor, dizendo: «Senhor, vou dar aos pobres metade dos meus bens e, se causei qualquer prejuízo a alguém, restituirei quatro vezes mais».
9 Disse-lhe Jesus: «Hoje entrou a salvação nesta casa, porque Zaqueu também é filho de Abraão.
10 Com efeito, o Filho do homem veio procurar e salvar o que estava perdido».

Comentário ao Evangelho

«Hoje entrou a salvação nesta casa»

«Se retiver as águas, tudo secará; se as soltar, elas submergirão a terra» (Jb 12,15). A terra representa o pecador, sobre quem foi proferido este julgamento: «Tu és pó e em pó te hás de tornar» (Gn 3,19). É por isso que a terra permanece imóvel quando o pecador se recusa a obedecer aos mandamentos do Senhor, quando, orgulhoso, ergue a cabeça e fecha os olhos da alma à luz da Verdade.

Mas está escrito: «Ele pára e faz tremer a terra» (Ha 3,6); porque, quando a verdade se fixa num coração, a imobilidade da alma é abalada; mas, quando a graça do Espírito Santo, por um dom do alto, se derrama nela com a palavra do pregador, eis que a terra é revolvida, porque a alma endurecida no pecado perde a teimosia da sua imobilidade, transformada a ponto de se submeter, chorando, aos mandamentos do Senhor, tanto quanto ontem, na sua soberba, erguia a cabeça diante dele. Basta ver a terra de um coração humano banhada pelas águas da graça: suporta sem desagrado os ultrajes que ontem se empenhava em infligir, distribui os seus bens, mortifica a sua carne pela abstinência, ela que ontem, saciada de carne, se deixava levar pelos encantos mortais das torpezas; ama até mesmo aqueles que a amavam.

Assim, quando o dom divino se derrama na alma de um homem e ela passa a agir de maneira contrária ao que costumava fazer, a terra inverte-se: é rejeitada para baixo aquela que ontem se projetava para cima, e eleva-se para cima a face que ontem se afundava nas profundezas.

São Gregório Magno (c. 540-604) papa, doutor da Igreja Moral sobre Jacob, Livro XI, SC 212

Santo do Dia