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Liturgia diária

Sexta-feira da 32ª semana do Tempo Comum

Sexta-Feira, 14 De Novembro Cor litúrgica: Verde

13,1-9.

1 Todos os homens que vivem na ignorância de Deus são verdadeiramente insensatos, porque, pelos bens visíveis, não foram capazes de conhecer Aquele que é, nem reconheceram o Artífice pela consideração das suas obras.
2 Mas foi o fogo, o vento, o ar ligeiro, o ciclo dos astros, a água impetuosa ou os luzeiros do céu que eles tomaram como deuses e senhores do mundo.
3 Se, fascinados pela beleza das coisas, as tomaram por deuses, reconheçam quanto é mais excelente o seu Senhor, pois foi o Autor da beleza que as criou.
4 Se o que os impressionou foi a sua força e energia, compreendam quanto é mais poderoso Aquele que as fez.
5 Porque a grandeza e a beleza das criaturas conduzem, por analogia, à contemplação do seu Autor.
6 Contudo, esses homens incorrem apenas em ligeira censura, porque talvez se extraviem buscando a Deus e desejando encontrá-lo:
7 ocupados na investigação das suas obras, deixam-se seduzir pelas aparências, pois são belas as coisas que veem.
8 Mas nem esses têm desculpa:
9 se conseguiram obter tanta ciência que podem examinar o mundo, como não encontraram mais depressa o Senhor do mundo?

19(18),2-3.4-5.

R/ Os céus proclamam a glória de Deus.

2 Os céus proclamam a glória de Deus
e o firmamento anuncia a obra das suas mãos.
3 O dia transmite ao outro esta mensagem
e a noite a dá a conhecer à outra noite.

4 Não são palavras nem linguagem
cujo sentido se não perceba.
5 O seu eco ressoou por toda a terra
e a sua notícia até aos confins do mundo.

17,26-37.

26 Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Como sucedeu nos dias de Noé, assim será também nos dias do Filho do homem:
27 Comiam e bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca. Então veio o dilúvio, que os fez perecer a todos.
28 Do mesmo modo sucedeu nos dias de Lot: Comiam e bebiam, compravam e vendiam, plantavam e construíam.
29 Mas no dia em que Lot saiu de Sodoma, Deus mandou do céu uma chuva de fogo e enxofre, que os fez perecer a todos.
30 Assim será no dia em que Se manifestar o Filho do homem.
31 Nesse dia, quem estiver no terraço e tiver coisas em casa não desça para as tirar; e quem estiver no campo não volte atrás.
32 Lembrai-vos da mulher de Lot.
33 Quem procurar salvar a vida há de perdê-la e quem a perder há de salvá-la.
34 Eu vos digo que, nessa noite, estarão dois num leito: um será tomado e o outro deixado;
35 estarão duas mulheres a moer juntamente: uma será tomada e a outra deixada.
36 Dois homens estarão no campo: um será tomado e outro será deixado».
37 Então os discípulos perguntaram a Jesus: «Senhor, onde será isto?». Ele respondeu-lhes: «Onde estiver o corpo, aí se juntarão os abutres».

Comentário ao Evangelho

«Como sucedeu nos dias de Noé»

O sábio Noé [...] embarcou na arca por ordem de Deus, com os seus filhos e as mulheres destes, ao todo somente oito almas. Sem parar de gemer, este servo rezava assim: «Não me faças perecer com os pecadores, meu Salvador, pois vejo já o caos apoderar-se da criação e os elementos agitados pelo medo. [...] As nuvens estão preparadas, o céu tumultuoso, os anjos acorrem à frente da tua cólera». Ao ouvir estas palavras, Deus cerrou a arca e selou-a, enquanto o seu fiel servo bradava: «Salva todos os homens da cólera pelo amor que nos tens, Redentor do Universo!».

Do alto do céu, o juiz deu uma ordem; de imediato se abriram as comportas, precipitando as chuvas, torrentes de água e saraiva de um lado do mundo ao outro; e o medo fez brotar as fontes do abismo, inundando a Terra. [...] Foi este o efeito da cólera de Deus, porque os homens haviam perseverado no seu endurecimento e não se tinham apressado a gritar-Lhe com fé: «Salva todos os homens da cólera pelo amor que nos tens, Redentor do Universo!». [...]

O coro dos anjos, vendo os homens carnais destruídos, gritou: «Que os justos possuam toda a extensão da Terra!». Porque o Criador gosta de ver aqueles que fez à sua imagem (cf Gn 1,26); foi por isso que pôs os seus santos de parte para os salvar. Noé [...] solta a pomba e ela regressa ao fim do dia, trazendo no bico um ramo de oliveira, que anuncia simbolicamente a misericórdia de Deus. Então Noé sai da arca, como que do túmulo, segundo a ordem que recebera [...], não como outrora Adão, que comera de uma árvore que dá a morte, pois Noé produzira um fruto de penitência ao dizer: «Salva todos os homens da cólera pelo amor que nos tens, Redentor do Universo!».

Mortas estão a corrupção e a iniquidade; o homem de coração reto triunfa pela sua fé, pois encontrou graça [...]. Então, o justo ofereceu ao Senhor um sacrifício sem mancha [...]; o Criador aspirou o seu agradável perfume e [...] declarou: «Jamais o Universo voltará a perecer num dilúvio, mesmo que todos os homens levem uma vida má. Hoje estabeleço uma aliança irrevogável com eles. Mostro o meu arco a todos os habitantes da Terra para lhes servir de sinal, para que todos Me invoquem assim: "Salva todos os homens da cólera pelo amor que nos tens, Redentor do Universo!"».

São Romano o Melodista (?-c. 560), compositor de hinos Hino de Noé, 11ss.

Santo do Dia