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Liturgia diária

30º Domingo do Tempo Comum

Domingo, 26 De Outubro Cor litúrgica: Verde

35,12-14.16-18.

12 Pois o Senhor é um juiz, e não faz distinção de pessoas.
13 Porque o Senhor sabe retribuir e te dará sete vezes mais.
14 Não tentes suborná-lo com presentes, porque não os aceitará.
16 Não favorece ninguém em prejuízo do pobre e atende a prece do oprimido.
17 Não despreza a súplica do órfão, nem os gemidos da viúva.
18 Ele não se afastará, enquanto o Altíssimo não olhar, não fizer justiça aos justos e restabelecer a equidade.

34(33),2-3.17-18.19.23.

R/ O pobre clamou e o Senhor ouviu a sua voz.

2 A toda a hora bendirei o Senhor,
o seu louvor estará sempre na minha boca.
3 A minha alma gloria-se no Senhor:
escutem e alegrem-se os humildes.

17 A face do Senhor volta-se contra os que fazem o mal,
para apagar da Terra a sua memória.
18 Os justos clamaram e o Senhor os ouviu,
livrou-os de todas as suas angústias.

19 O Senhor está perto dos que têm o coração atribulado
e salva os de ânimo abatido.
23 O Senhor defende a vida dos seus servos,
não serão castigados os que nele confiam.

4,6-8.16-18.

6 Caríssimo: eu já estou oferecido em libação, e o tempo da minha partida está iminente.
7 Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé.
8 E agora, já me está preparada a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me há de dar naquele dia; e não só a mim, mas a todos aqueles que tiverem esperado com amor a sua vinda.
16 Na minha primeira defesa, ninguém esteve a meu lado: todos me abandonaram. Deus lhes perdoe.
17 O Senhor esteve a meu lado e deu-me força, para que, por meu intermédio, a mensagem do evangelho fosse plenamente proclamada e todas as nações a ouvissem; e eu fui libertado da boca do leão.
18 O Senhor me livrará de todo o mal e me dará a salvação no seu reino celeste. Glória a Ele pelos séculos dos séculos. Ámen.

18,9-14.

9 Naquele tempo, Jesus disse a seguinte parábola para alguns que se consideravam justos e desprezavam os outros:
10 «Dois homens subiram ao Templo para orar; um era fariseu e o outro publicano.
11 O fariseu, de pé, orava assim: "Meu Deus, dou-Vos graças por não ser como os outros homens, que são ladrões, injustos e adúlteros, nem como este publicano.
12 Jejuo duas vezes por semana e pago o dízimo de tudo quanto possuo".
13 O publicano ficou a distância e nem sequer se atrevia a erguer os olhos ao céu; mas batia no peito e dizia: "Meu Deus, tende compaixão de mim, que sou pecador".
14 Eu vos digo que este desceu justificado para sua casa e o outro não. Porque todo aquele que se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado».

Comentário ao Evangelho

«O publicano [...] nem sequer se atrevia a erguer os olhos ao céu»

O fariseu dizia : «Meu Deus, dou-Vos graças por não ser como os outros homens». Quem são os outros homens? Não serão todos, à exceção dele? «Eu sou justo, os outros são pecadores; eu não sou como os outros homens, que são injustos, ladrões e adúlteros». E eis que a presença de um publicano a seu lado lhe dá ocasião de se ensoberbecer ainda mais. «Eu sou um homem à parte; ele é como os outros. Eu não sou da sua espécie; não sou um pecador, pois faço muitas obras justas: jejuo duas vezes por semana e pago o dízimo de tudo quanto possuo». O que pede este homem a Deus? Procurai nas suas palavras, que nada encontrareis. Subira ao Templo para orar; mas nada pede a Deus, apenas se gaba. E, [...] além disso, insulta aquele que, a seu lado, reza: é o cúmulo!

O publicano «ficou a distância», mas aproximou-se de Deus; aquilo que o coração lhe reprova afasta-o de Deus, mas o amor aproxima-o. O publicano fica a distância, mas o Senhor aproxima-Se dele para o escutar. «O Senhor é excelso e olha para o humilde», mas «ao soberbo», como o fariseu, «conhece-o ao longe» (Sl 138,6). O Senhor olha de longe todo aquele que se exalta, mas não o ignora.

Vede, por contraste, a humildade do publicano. Não só se mantém a distância, como nem sequer levanta os olhos ao céu: não ousa erguer os olhos à procura de um olhar; não ousa olhar para o alto, porque a consciência o humilha, embora a esperança o exalte. E diz ainda o texto: «Batia no peito»; ele pede um castigo e Deus perdoa-lhe, porque ele confessa a sua culpa. «Meu Deus, tende compaixão de mim, que sou pecador»: eis alguém que ora, que pede! Porque te espanta que Deus ignore as faltas deste homem, quando ele próprio as reconhece? Ele faz-se juiz de si próprio e Deus advoga a sua causa; ele acusa-se e Deus defende-o. «Eu vos digo» – é a Verdade que fala, é Deus, é o Juiz – « que este desceu justificado para sua casa e o outro não»; mas diz-nos porquê, Senhor. «Porque todo aquele que se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado».

Santo Agostinho (354-430) bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja Sermão 115

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