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Liturgia diária

Quarta-feira da 23ª semana do Tempo Comum

Quarta-Feira, 10 De Setembro Cor litúrgica: Verde

3,1-11.

1 Irmãos: Se ressuscitastes com Cristo, aspirai às coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus.
2 Afeiçoai-vos às coisas do alto e não às da Terra.
3 Porque vós morrestes, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus.
4 Quando Cristo, que é a vossa vida, Se manifestar, também vós vos manifestareis com Ele na glória.
5 Portanto, fazei morrer o que em vós é terreno: imoralidade, impureza, paixões, maus desejos e avareza, que é uma idolatria.
6 Por causa destes vícios é que vem a ira de Deus sobre os rebeldes.
7 Vós também vos comportáveis assim, quando vivíeis entre eles.
8 Mas agora, afastai de vós tudo o que é cólera, irritação, malícia, insulto, linguagem torpe.
9 Não mintais uns aos outros, vós que vos despojastes do homem velho com as suas ações
10 e vos revestistes do homem novo, que, para alcançar a verdadeira ciência, se vai renovando à imagem do seu Criador.
11 Aí não há grego ou judeu, circunciso ou incircunciso, bárbaro ou cita, escravo ou livre; o que há é Cristo, que é tudo e está em todos.

145(144),2-3.10-11.12-13ab.

R/ O Senhor é bom para com todas as criaturas.

2 Quero bendizer-Vos, dia após dia,
e louvar o vosso nome para sempre.
3 O Senhor é grande e digno de louvor,
insondável é a sua grandeza.

10 Graças Vos deem, Senhor, todas as criaturas
e bendigam-Vos os vossos fiéis.
11 Proclamem a glória do vosso Reino
e anunciem os vossos feitos gloriosos.

12 Para darem a conhecer aos homens o vosso poder,
a glória e o esplendor do vosso Reino.
13 O vosso Reino é um Reino eterno,
13 o vosso domínio estende-se por todas as gerações.

6,20-26.

20 Naquele tempo, Jesus, erguendo os olhos para os discípulos, disse: «Bem-aventurados vós, os pobres, porque é vosso o Reino de Deus.
21 Bem-aventurados vós, que agora tendes fome, porque sereis saciados. Bem-aventurados vós, que agora chorais, porque haveis de rir.
22 Bem-aventurados sereis quando os homens vos odiarem, quando vos rejeitarem e insultarem e proscreverem o vosso nome como infame por causa do Filho do homem.
23 Alegrai-vos e exultai nesse dia, porque é grande no Céu a vossa recompensa. Era assim que os seus antepassados tratavam os profetas.
24 Mas ai de vós, os ricos, porque já recebestes a vossa consolação.
25 Ai de vós, que agora estais saciados, porque haveis de ter fome. Ai de vós, que rides agora, porque haveis de entristecer-vos e chorar.
26 Ai de vós quando todos os homens vos elogiarem. Era assim que os seus antepassados tratavam os falsos profetas».

Comentário ao Evangelho

«Bem-aventurados vós, os pobres»

Como quase todos os homens são naturalmente conduzidos ao orgulho, o Senhor começa as bem-aventuranças por afastar o mal original da autossuficiência, aconselhando-nos a imitar o verdadeiro Pobre voluntário, que é realmente feliz – de maneira a parecermo-nos com Ele por via da pobreza voluntária, segundo as nossas capacidades, para participarmos da sua bem-aventurança, da sua felicidade. «Tende em vós os mesmos sentimentos que havia em Cristo Jesus. Ele, que era de condição divina, não Se valeu da sua igualdade com Deus, mas aniquilou-Se a Si próprio. Assumindo a condição de servo, tornou-Se semelhante aos homens» (Fil 2,5-7).

Haverá coisa mais miserável para Deus do que tomar a condição de servo? Haverá coisa mais ínfima para o Rei do Universo do que partilhar a nossa natureza humana? O Rei dos reis e Senhor dos senhores, o Juiz do Universo, paga impostos a César (cf 1Tim 6,17; Heb 12,23; Mc 12,17). O Senhor da criação abraça este mundo, vem ao mundo numa gruta por não ter lugar na estalagem, refugia-Se num estábulo, na companhia de animais. Aquele que é puro e imaculado toma sobre Si as manchas da natureza humana e, depois de ter partilhado toda a nossa miséria, vai a ponto de fazer a experiência da morte. Considera a desmesura da sua pobreza voluntária! A Vida toma o gosto da morte, o Juiz é levado a tribunal, o Senhor da vida de todos submete-Se a um magistrado, o Rei das potências celestes não Se subtrai às mãos dos carrascos. Por estes exemplos podemos medir a sua humildade, como diz o apóstolo Paulo (cf Fil 2,5-7).

São Gregório de Nissa (c. 335-395) monge, bispo Homilias sobre as Bem-aventuranças, 1

Santo do Dia