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Liturgia diária

Segunda-feira da 20ª semana do Tempo Comum

Segunda-Feira, 18 De Agosto Cor litúrgica: Verde

2,11-19.

11 Naqueles dias, os filhos de Israel procederam mal aos olhos do Senhor e prestaram culto aos ídolos.
12 Abandonaram o Senhor, Deus dos seus pais, que os tinha feito sair da terra do Egito, e seguiram outros deuses, dos povos vizinhos; adoraram-nos e provocaram a indignação do Senhor.
13 Abandonaram o Senhor e prestaram culto a Baal e a Astarté.
14 A ira do Senhor inflamou-se contra os israelitas. O Senhor deixou-os à mercê de salteadores, que os saquearam, entregou-os nas mãos dos inimigos que os rodeavam e a quem nunca mais puderam resistir.
15 Em todas as suas expedições, a mão do Senhor estava contra eles, como o Senhor tinha dito e jurado. E assim se viram na maior aflição.
16 Então, o Senhor suscitava juízes, que livravam os israelitas das mãos dos salteadores.
17 Mas eles nem sequer escutavam os juízes: prostituíam-se no culto de outros deuses e prostravam-se diante deles. Depressa se desviaram do caminho que seus pais tinham seguido, na obediência aos mandamentos do Senhor. Mas eles não os imitavam.
18 Quando o Senhor lhes suscitava um juiz, o Senhor estava com o juiz. Salvava-os das mãos dos inimigos durante o tempo em que o juiz vivia, porque o Senhor compadecia-Se quando eles gemiam por causa dos seus opressores e tiranos.
19 Mas, quando o juiz morria, voltavam a corromper-se mais do que os seus pais, seguindo outros deuses, prestando-lhes culto e prostrando-se diante deles, sem abandonarem as suas más ações nem o seu comportamento perverso.

106(105),34-35.36-37.39-40.

R/ Lembrai-Vos de nós, Senhor, por amor do vosso povo.

34 Não exterminaram os povos,
como o Senhor lhes tinha mandado,
35 Andaram com os pagãos
e imitaram os seus costumes.

36 Prestaram culto aos seus ídolos,
que foram para eles uma armadilha.
37 Imolaram aos demónios
seus filhos e suas filhas.

39 Contaminaram-se com as suas próprias obras,
prostituíram-se com seus crimes.
40 Por isso se inflamou a ira do Senhor contra o seu povo
e Ele abominou a sua herança.

19,16-22.

16 Naquele tempo, aproximou-se de Jesus um jovem, que Lhe perguntou: «Mestre, que hei de fazer de bom para ter a vida eterna?».
17 Jesus respondeu-lhe: «Porque Me interrogas sobre o que é bom? Bom é um só. Mas se queres entrar na vida, guarda os mandamentos».
18 Ele perguntou: «Que mandamentos?». Jesus respondeu-lhe: «Não matarás, não cometerás adultério; não furtarás; não levantarás falso testemunho;
19 honra pai e mãe; ama o teu próximo como a ti mesmo».
20 Disse-lhe o jovem: «Tudo isso tenho eu guardado. Que me falta ainda?».
21 Jesus respondeu-lhe: «Se queres ser perfeito, vende o que tens e dá-o aos pobres e terás um tesouro nos Céus. Depois, vem e segue-Me».
22 Ao ouvir estas palavras, o jovem retirou-se entristecido, porque tinha muitos bens.

Comentário ao Evangelho

«Se queres»

Este jovem sente que, embora nada falte à sua virtude, ainda lhe falta qualquer coisa na vida. Vem, pois, pedi-la à única pessoa que lha pode dar. Tem a certeza de estar em regra quanto à Lei, mas nem por isso deixa de implorar ao Filho de Deus, passando de uma fé a outra fé. As amarras da Lei não o defendiam das ondas, e ele deixa essas águas perigosas, que o inquietam, e vem lançar âncora no porto do Salvador.

Jesus, que não lhe censura ter faltado a qualquer artigo da Lei, enternece-Se (cf Mc 10,21), emocionado com a sua aplicação de bom aluno. Contudo, declara-o ainda imperfeito […]: é bom trabalhador da Lei, mas preguiçoso em relação à vida eterna. Já faz muito bem, sem dúvida, pois a Lei é um pedagogo (cf Rom 7,12; Gal 3,24), que ensina pelo temor e encaminha aqueles que a cumprem para os mandamentos sublimes de Jesus e para a sua graça: «É que o fim da Lei é Cristo para que, deste modo, a justiça seja concedida a todo o que tem fé» (Rom 10,4). Ele não é um escravo que produz escravos, mas confere a qualidade de filhos, de irmãos, de co-herdeiros a todos os que fazem a vontade do Pai (cf Rom 8,17; Mt 12,50). […]

Estas palavras, «se queres», mostram admiravelmente a liberdade do jovem. Ele terá de escolher, pois é dono das suas decisões. Mas é Deus que dá, pois Ele é o Senhor. Ele dá a todos os que desejam, se aplicam fervorosamente e rezam para que a salvação seja a sua escolha pessoal. Inimigo da violência, Deus não obriga ninguém, mas dá a graça aos que a procuram, abre aos que batem à porta (cf Mt 7,7).

São Clemente de Alexandria (150-c. 215) teólogo Homilia «Os ricos podem salvar-se?», 8-9; PG 9, 603

Santo do Dia