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Liturgia diária

18º Domingo do Tempo Comum

Domingo, 3 De Agosto Cor litúrgica: Verde

1,2.2,21-23.

2 Vaidade das vaidades – diz Coelet – vaidade das vaidades, tudo é vaidade.
21 Quem trabalhou com sabedoria, ciência e êxito, tem de deixar tudo a outro que nada fez. Também isto é vaidade e grande desgraça.
22 Mas então, que aproveita ao homem todo o seu trabalho e a ânsia com que se afadigou debaixo do sol?
23 Na verdade, todos os seus dias são cheios de dores, e os seus trabalhos cheios de cuidados e preocupações; e nem de noite o seu coração descansa. Também isto é vaidade.

90(89),3-4.5-6.12-13.14.17.

R/ Senhor, tendes sido o nosso refúgio através das gerações.

3 Vós reduzis o homem ao pó da terra
e dizeis: «Voltai, filhos de Adão».
4 Mil anos a vossos olhos
são como o dia de ontem que passou
e como uma vigília da noite.

5 Vós os arrebatais como um sonho,
como a erva que de manhã reverdece;
6 de manhã floresce e viceja,
de tarde ela murcha e seca.

12 Ensinai-nos a contar os nossos dias,
para chegarmos à sabedoria do coração.
13 Voltai, Senhor! Até quando...
Tende piedade dos vossos servos.

14 Saciai-nos desde a manhã com a vossa bondade,
para nos alegrarmos e exultarmos todos os dias.
17 Desça sobre nós a graça do Senhor,
confirmai em nosso favor a obra das nossas mãos.

3,1-5.9-11.

1 Irmãos: Se ressuscitastes com Cristo, aspirai às coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus.
2 Afeiçoai-vos às coisas do alto e não às da Terra.
3 Porque vós morrestes, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus.
4 Quando Cristo, que é a vossa vida, Se manifestar, também vós vos manifestareis com Ele na glória.
5 Portanto, fazei morrer o que em vós é terreno: imoralidade, impureza, paixões, maus desejos e avareza, que é uma idolatria.
9 Não mintais uns aos outros, vós que vos despojastes do homem velho com as suas ações
10 e vos revestistes do homem novo, que, para alcançar a verdadeira ciência, se vai renovando à imagem do seu Criador.
11 Aí não há grego ou judeu, circunciso ou incircunciso, bárbaro ou cita, escravo ou livre; o que há é Cristo, que é tudo e está em todos.

12,13-21.

13 Naquele tempo, alguém, do meio da multidão, disse a Jesus: «Mestre, diz a meu irmão que reparta a herança comigo».
14 Jesus respondeu-lhe: «Amigo, quem Me fez juiz ou árbitro das vossas partilhas?».
15 Depois disse aos presentes: «Vede bem, guardai-vos de toda a avareza: a vida de uma pessoa não depende da abundância dos seus bens».
16 E disse-lhes esta parábola: «O campo dum homem rico tinha produzido excelente colheita.
17 Ele pensou consigo: "Que hei de fazer, pois não tenho onde guardar a minha colheita?
18 Vou fazer assim: deitarei abaixo os meus celeiros para construir outros maiores, onde guardarei todo o meu trigo e os meus bens.
19 Então poderei dizer a mim mesmo: minha alma, tens muitos bens em depósito para longos anos; descansa, come, bebe, regala-te".
20 Mas Deus respondeu-lhe: "Insensato! Esta noite terás de entregar a tua alma. O que preparaste, para quem será?"
21 Assim acontece a quem acumula para si, em vez de se tornar rico aos olhos de Deus».

Comentário ao Evangelho

Considera a igualdade original da família humana

Quando acumulam ouro, prata, roupas sumptuosas mas inúteis, diamantes e outras coisas parecidas, que dão origem à guerra, à discórdia e à tirania, os homens, tomados por uma arrogância louca, fecham o coração às desgraças dos seus irmãos, não dando sequer do que lhes sobra para aliviar as misérias dos outros. Estúpida aberração!

Não percebem que a pobreza e a riqueza, a liberdade – como lhe chamamos – e a condição servil, bem como outras categorias semelhantes, chegaram tarde ao meio dos homens, irrompendo como epidemias ao mesmo tempo que o pecado de que eram consequência. «Mas no princípio não foi assim» (Mt 19,8); no princípio, o Criador deixou o homem livre e senhor de si mesmo, preso a um único mandamento e rico com as delícias do paraíso. Deus quis isto para todo o género humano, saído do primeiro homem. A liberdade e a riqueza dependiam da observância de um único mandamento; a violação deste mandamento conduziria à verdadeira pobreza e à servidão.

Desde o advento da inveja e da contenda, com a astuta tirania da serpente que nos seduz com o prazer e opõe os mais ousados aos mais fraco, a família humana dividiu-se em nações estranhas entre si; e a avareza suplantou a generosidade natural, utilizando a lei para dominar pela força.

Tu, porém, considera a igualdade primitiva e não as divisões posteriores, a lei do Criador e não a dos poderosos. Ajuda a natureza o melhor que puderes, honra a liberdade original, respeita-te a ti mesmo, protege a tua raça da desonra, ajuda-a na doença, consola-a na pobreza. Distingue-te dos outros apenas pela tua bondade. Torna-te Deus para os infelizes, imitando a misericórdia divina.

São Gregório de Nazianzo (330-390) bispo, doutor da Igreja Sobre o amor aos pobres, 24-36

Santo do Dia