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Liturgia diária

Quinta-feira da 14ª semana do Tempo Comum

Quinta-Feira, 10 De Julho Cor litúrgica: Verde

44,18-21.23b-29.45,1-5.

18 Naqueles dias, Judá aproximou-se de José e disse-lhe: «Meu senhor, peço-te que deixes este teu servo falar diante de ti, sem que a tua cólera se inflame contra mim, pois tu és como o próprio faraó.
19 Fizeste, meu senhor, esta pergunta aos teus servos: "Tendes pai e mais algum irmão?".
20 E nós, meu senhor, respondemos-te: "Temos um pai já idoso e um irmão pequeno, que lhe nasceu na velhice. O irmão deste morreu; e ele ficou a ser o único filho de sua mãe. O nosso pai gosta muito dele".
21 Mas tu disseste a estes teus servos: "Trazei-mo aqui, para eu o ver com os meus olhos.
23 Se o vosso irmão mais novo não vier convosco, não podeis voltar à minha presença".
24 Quando voltámos para junto do nosso pai, teu servo, referimos-lhe as tuas palavras, meu senhor.
25 E, quando o nosso pai nos disse: "Voltai para nos comprardes alguns mantimentos",
26 nós tivemos de lhe responder: "Não podemos ir. Só iremos se o nosso irmão mais novo for connosco, porque não podemos voltar à presença desse homem sem o levarmos em nossa companhia".
27 Então, o nosso pai, teu servo, disse: "Bem sabeis que minha esposa me deu dois filhos.
28 Um deles deixou-me e eu disse comigo: certamente foi devorado pelas feras. E não tornei a vê-lo até hoje.
29 Se levardes também este para longe de mim e lhe acontecer alguma desgraça, fareis que os meus cabelos brancos desçam tristemente à morada dos mortos"».
1 Então, José não se pôde conter diante dos que o rodeavam e bradou: «Fazei sair toda a gente da minha presença». E ninguém ficou junto de José quando ele se deu a conhecer aos seus irmãos.
2 Chorou em tão altos brados que os egípcios o ouviram e a notícia chegou à casa do faraó.
3 «Eu sou José», disse ele aos seus irmãos. «Vive ainda meu pai?». Os irmãos não puderam responder-lhe, porque ficaram perturbados diante dele.
4 Então José disse aos seus irmãos: «Aproximai-vos de mim». E eles aproximaram-se. José continuou: «Eu sou José, o vosso irmão que vendestes para o Egito.
5 Mas agora não vos aflijais, nem vos censureis por me terdes vendido para aqui, porque foi para salvar as vossas vidas que Deus me enviou adiante de vós».

105(104),16-17.18-19.20-21.

R/ Recordai as maravilhas do Senhor.

16 Deus chamou a fome sobre aquela terra
e privou-os do pão que dá o sustento.
17 Adiante deles enviara um homem:
José, vendido como escravo.

18 Apertaram-lhe os pés com grilhões,
lançaram-lhe ao pescoço uma coleira de ferro,
19 até que se cumpriu a profecia
e a palavra do Senhor o mostrou inocente.

20 Então, o rei mandou que o soltassem,
o soberano dos povos deu-lhe a liberdade;
21 e fê-lo senhor da sua casa
e governador de todos os seus domínios.

10,7-15.

7 Naquele tempo, disse Jesus aos seus apóstolos: «Ide e proclamai que está próximo o Reino dos Céus.
8 Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, sarai os leprosos, expulsai os demónios. Recebestes de graça, dai de graça.
9 Não adquirais ouro, prata ou cobre, para guardardes nas vossas bolsas;
10 nem alforge para o caminho, nem duas túnicas, nem sandálias, nem cajado; porque o trabalhador merece o seu sustento.
11 Quando entrardes em alguma cidade ou aldeia, procurai saber de alguém que seja digno e ficai em sua casa até partirdes daquele lugar.
12 Ao entrardes na casa, saudai-a,
13 e se for digna, desça a vossa paz sobre ela; mas se não for digna, volte para vós a vossa paz».
14 Se alguém não vos receber nem ouvir as vossas palavras, saí dessa casa ou dessa cidade e sacudi o pó dos vossos pés.
15 Em verdade vos digo que haverá mais tolerância, no dia do Juízo, para a terra de Sodoma e Gomorra do que para aquela cidade».

Comentário ao Evangelho

«Ide e proclamai que está próximo o Reino dos Céus»

[O jovem] Francisco assistia devotamente à Missa em honra dos apóstolos; o evangelho era aquele em que Jesus envia os seus discípulos a pregar e lhes ensina a maneira evangélica de viver: «Não adquirais ouro, prata ou cobre, para guardardes nas vossas bolsas; nem alforge para o caminho, nem duas túnicas, nem sandálias, nem cajado». Compreendendo e interiorizando este texto, ficou apaixonado por essa pobreza dos apóstolos e gritou, num transporte de alegria: «É isto que eu quero! É isto que desejo com toda a minha alma!». E, sem mais, tirou os sapatos, deixou cair o cajado, abandonou o alforje e o dinheiro como objetos dignos de repúdio, ficando apenas com a túnica, e deitou fora o cinto, que substituiu por uma corda: pôs todo o seu empenho em concretizar o que acabara de ouvir e quis conformar-se em tudo com esse código de perfeição, dado aos apóstolos.

Um impulso comunicado por Deus levou-o, desde então, à conquista da perfeição evangélica e a uma campanha de penitência. Quando ele falava [...], as suas palavras, totalmente impregnadas pela força do Espírito Santo, penetravam até ao mais fundo dos corações e mergulhavam os ouvintes no espanto. Toda a sua pregação era um anúncio de paz, e ele começava cada um dos seus sermões com esta saudação ao povo: «Que o Senhor vos dê a paz!». «Foi uma revelação do Senhor que me ensinou esta fórmula», declarou mais tarde. [...]

Falava-se cada vez mais do homem de Deus, dos seus ensinamentos simples e da sua vida, e alguns, vendo o seu exemplo e tocados por esse espírito de penitência, juntaram-se a ele e, deixando tudo e vestindo-se como ele, começaram a partilhar a sua vida.

São Boaventura (1221-1274) franciscano, doutor da Igreja Vida de São Francisco, Legenda major, cap. 3

Santo do Dia