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Liturgia diária

Segunda-feira da 4ª semana da Páscoa

Segunda-Feira, 12 De Maio Cor litúrgica: Branco

11,1-18.

1 Naqueles dias, os apóstolos e os irmãos da Judeia ouviram dizer que os gentios também tinham recebido a palavra de Deus.
2 E quando Pedro subiu a Jerusalém, os que tinham vindo da circuncisão começaram a discutir com ele,
3 dizendo: «Tu entraste em casa dos incircuncisos e comeste com eles».
4 Pedro começou então a expor-lhes tudo por ordem:
5 «Estava eu a orar na cidade de Jope, quando tive em êxtase uma visão: Era um objeto semelhante a uma toalha que descia do céu, presa pelas quatro pontas, e chegou até junto de mim.
6 Fitando os olhos nela, pus-me a observar e vi quadrúpedes da terra, feras, répteis e aves do céu.
7 Ouvi então uma voz que me dizia: "Levanta-te, Pedro; mata e come".
8 Mas eu respondi: "De modo nenhum, Senhor, porque na minha boca nunca entrou nada de profano ou impuro".
9 Pela segunda vez, falou a voz lá do céu: "Não chames impuro ao que Deus purificou".
10 Isto sucedeu por três vezes e depois tudo foi novamente retirado para o céu.
11 Nisto, apresentaram-se três homens na casa em que estávamos, enviados de Cesareia à minha presença.
12 O Espírito disse-me então que fosse com eles sem hesitar. Foram também comigo estes seis irmãos aqui presentes e entrámos em casa daquele homem.
13 Ele contou-nos como tinha visto um anjo apresentar-se em sua casa e dizer-lhe: "Envia mensageiros a Jope e manda chamar Simão, que tem o sobrenome de Pedro.
14 Ele te dirá palavras, pelas quais receberás a salvação, assim como toda a tua família".
15 Quando comecei a falar, o Espírito Santo desceu sobre eles, como sobre nós ao princípio.
16 Lembrei-me então das palavras que o Senhor dizia: "João batizou com água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo".
17 Se Deus lhes concedeu o mesmo dom que a nós, por terem acreditado no Senhor Jesus Cristo, quem era eu para poder opor-me a Deus?».
18 Quando ouviram estas palavras, tranquilizaram-se e deram glória a Deus, dizendo: «Portanto, Deus concedeu também aos gentios o arrependimento que conduz à vida».

42(41),2-3.43(42),3.4.

R/ A minha alma tem sede do Deus vivo.

2 Como suspira o veado pelas correntes das águas,
assim minha alma suspira por Vós, Senhor.
3 Minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo:
Quando irei contemplar a face de Deus?

3 Enviai a vossa luz e verdade,
sejam elas o meu guia e me conduzam
à vossa montanha santa
e ao vosso santuário.

4 E eu irei ao altar de Deus,
a Deus que é a minha alegria.
Ao som da cítara Vos louvarei,
Senhor, meu Deus.

10,1-10.

1 Naquele tempo, disse Jesus: «Em verdade, em verdade vos digo: aquele que não entra no aprisco das ovelhas pela porta, mas entra por outro lado, é ladrão e salteador.
2 Mas aquele que entra pela porta é o pastor das ovelhas.
3 O porteiro abre-lhe a porta e as ovelhas conhecem a sua voz. Ele chama cada uma delas pelo seu nome e leva-as para fora.
4 Depois de ter feito sair todas as que lhe pertencem, caminha à sua frente; e as ovelhas seguem-no, porque conhecem a sua voz.
5 Se for um estranho, não o seguem, mas fogem dele, porque não conhecem a voz dos estranhos».
6 Jesus apresentou-lhes esta comparação, mas eles não compreenderam o que queria dizer.
7 Jesus continuou: «Em verdade, em verdade vos digo: Eu sou a porta das ovelhas.
8 Aqueles que vieram antes de Mim são ladrões e salteadores, mas as ovelhas não os escutaram.
9 Eu sou a porta. Quem entrar por Mim será salvo: é como a ovelha que entra e sai do aprisco e encontra pastagem.
10 O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir. Eu vim para que as minhas ovelhas tenham vida e a tenham em abundância».

Comentário ao Evangelho

«Caminha à sua frente e as ovelhas seguem-no»

«Ao ver as multidões, [Jesus] encheu-Se de compaixão, porque andavam fatigadas e abatidas, como ovelhas sem pastor» (Mt 9,36). [...] As ovelhas estavam dispersas, porque não havia pastor. [...] Era assim em todo o mundo quando Cristo, na sua infinita misericórdia, veio «congregar na unidade todos os filhos de Deus, que andavam dispersos» (Jo 11,52). E ainda que, por momentos, quando, no conflito com o inimigo, o Bom Pastor teve de dar a vida pelas ovelhas, elas tenham ficado sem guia – em cumprimento da já citada profecia: «Fere o pastor, para que se dispersem as ovelhas» (Za 13,7) –, logo Ele ressuscitou dos mortos para viver para sempre, segundo aquela outra profecia: «Aquele que dispersou Israel vai reuni-lo e guardá-lo como o pastor ao seu rebanho» (Jr 31,10).

E como Ele próprio diz na parábola que estamos a ler: «Ele chama cada uma delas pelo seu nome e leva-as para fora [...]; e as ovelhas seguem-no, porque conhecem a sua voz», assim também, aquando da sua ressurreição, quando Maria chorava, Ele chamou-a efetivamente pelo nome (cf Jo 20,16), e ela voltou-se, e reconheceu ao ouvir quem não tinha reconhecido ao ver. E também disse: «Simão, filho de João, tu amas-Me?»; e acrescentou: «Segue-Me» (Jo 21,16.19). E de novo, Ele e o seu anjo disseram às mulheres: «Ele ressuscitou dos mortos e vai adiante de vós para a Galileia; lá O vereis», e: «Ide avisar os meus irmãos que devem ir para a Galileia, lá Me verão» (Mt 28,7.10). Desde então, o bom Pastor, que tomou o lugar das ovelhas e morreu para que elas pudessem viver para sempre, precede-as e elas «seguem o Cordeiro para toda a parte» (Ap 14,4).

São John Henry Newman (1801-1890) teólogo, fundador do Oratório em Inglaterra Sermão «O Pastor das nossas almas», PPS, t. 8, n.° 16

Santo do Dia