Liturgia diária
Terça-feira DA SEMANA SANTA
49,1-6.
1 Terras de além-mar, escutai-me; povos de longe, prestai atenção. O Senhor chamou-me desde o ventre materno, disse o meu nome desde o seio de minha mãe.
2 Fez da minha boca uma espada afiada, abrigou-me à sombra da sua mão. Tornou-me semelhante a uma seta aguda, guardou-me na sua aljava.
3 E disse-me: «Tu és o meu servo, Israel, por quem manifestarei a minha glória».
4 E eu dizia: «Cansei-me inutilmente, em vão e por nada gastei as minhas forças». Mas o meu direito está no Senhor e a minha recompensa está no meu Deus.
5 E agora o Senhor falou-me, Ele que me formou desde o seio materno, para fazer de mim o seu servo, a fim de Lhe restaurar as tribos de Jacob
e reconduzir os sobreviventes de Israel. Eu tenho merecimento diante do Senhor e Deus é a minha força.
6 Ele disse-me então: «Não basta que sejas meu servo para restaurares as tribos de Jacob e reconduzires os sobreviventes de Israel. Farei de ti a luz das nações, para que a minha salvação chegue até aos confins da Terra».
71(70),1-2.3-4a.5-6ab.15.17.
R/ A minha boca proclamará a vossa salvação.
1 Em Vós, Senhor, me refugio,
jamais serei confundido.
2 Pela vossa justiça, defendei-me e salvai-me,
prestai ouvidos e libertai-me.
3 Sede para mim um refúgio seguro,
a fortaleza da minha salvação.
Vós sois a minha defesa e o meu refúgio:
4 meu Deus, salvai-me do pecador.
5 Sois Vós, Senhor, a minha esperança,
a minha confiança desde a juventude.
6 Desde o nascimento Vós me sustentais,
6 desde o seio materno sois o meu protetor.
15 A minha boca proclamará a vossa justiça,
dia após dia a vossa infinita salvação.
17 Desde a juventude Vós me ensinais
e até hoje anunciei sempre os vossos prodígios.
13,21-33.36-38.
21 Naquele tempo, estando Jesus à mesa com os discípulos, sentiu-Se intimamente perturbado e declarou: «Em verdade, em verdade vos digo: Um de vós Me entregará».
22 Os discípulos olhavam uns para os outros, sem saberem de quem falava.
23 Um dos discípulos, o predileto de Jesus, estava à mesa, mesmo a seu lado.
24 Simão Pedro fez-lhe sinal e disse: «Pergunta-Lhe a quem Se refere».
25 Ele inclinou-Se sobre o peito de Jesus e perguntou-Lhe: «Quem é, Senhor?».
26 Jesus respondeu: «É aquele a quem vou dar este bocado de pão molhado». E, molhando o pão, deu-o a Judas Iscariotes, filho de Simão.
27 Naquele momento, depois de engolir o pão, Satanás entrou nele. Disse-lhe Jesus: «O que tens a fazer, fá-lo depressa».
28 Mas nenhum dos que estavam à mesa compreendeu porque lhe disse tal coisa.
29 Como Judas era quem tinha a bolsa comum, alguns pensavam que Jesus lhe tinha dito: «Vai comprar o que precisamos para a festa»; ou então, que desse alguma esmola aos pobres.
30 Judas recebeu o bocado de pão e saiu imediatamente. Era noite.
31 Depois de ele sair, Jesus disse: «Agora foi glorificado o Filho do homem e Deus foi glorificado nele.
32 Se Deus foi glorificado nele, também Deus O glorificará em Si mesmo e glorificá-lo-á sem demora.
33 Meus filhos, é por pouco tempo que ainda estou convosco. Haveis de procurar-Me e, assim como disse aos judeus, também agora vos digo: não podeis ir para onde Eu vou».
36 Perguntou-Lhe Simão Pedro: «Para onde vais, Senhor?». Jesus respondeu: «Para onde Eu vou, não podes tu seguir-Me por agora; seguir-Me-ás depois».
37 Disse-Lhe Pedro: «Senhor, por que motivo não posso seguir-Te agora? Eu darei a vida por Ti».
38 Disse-Lhe Jesus: «Darás a vida por Mim? Em verdade, em verdade, te digo: não cantará o galo sem que Me tenhas negado três vezes».
Comentário ao Evangelho
«[Judas] aproximou-se de Jesus e beijou-O, dizendo: "Mestre". Então, deitaram-Lhe as mãos e prenderam-no» (Mc 14,45-46)
A paz é um dom da ressurreição de Cristo. E, no limiar da sua morte, Ele não hesitou em dar essa paz ao discípulo que O entregou: beijou o traidor como se beija um amigo fiel. Não penseis que o beijo que o Senhor deu a Judas Iscariotes foi inspirado por qualquer sentimento que não fosse a ternura. Cristo já sabia que Judas O trairia. Sabia o que significava esse beijo, que era normalmente um sinal de amor, e não Se furtou a ele. A amizade é assim mesmo: não recusa um último beijo àquele que vai morrer; não retira essa última prova de ternura aos entes queridos. Mas Jesus também esperava que esse gesto sobressaltasse Judas e que, espantado pela sua bondade, ele acabasse por não trair Aquele que o amava, por não entregar Aquele que o beijava. Assim, o beijo foi dado como um teste: se o reabilitasse, seria um laço de paz entre Jesus e o seu discípulo; mas, se Judas efetivamente O traísse, aquele beijo criminoso tornar-se-ia a sua própria acusação.
O Senhor disse-lhe: «Judas, é com um beijo que entregas o Filho do Homem?» (Lc 22,48) Onde está a conjura do inimigo? Onde se esconde a sua manha? Todos os segredos serão postos a descoberto. O traidor trai-se a si próprio antes de trair o seu mestre. Entregas o Filho do homem com um beijo? Feres com o selo do amor? Derramas sangue com um gesto de ternura? Trazes a morte com um sinal de paz? Diz-me, que amor é esse? Dás um beijo e ameaças? Esses beijos, pelos quais o servo trai o seu Senhor, o discípulo o seu mestre, o eleito o seu criador, esses beijos não são beijos, são veneno.
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