Liturgia diária
Quarta-feira da 5ª semana da Quaresma
3,14-20.91-92.95.
14 Naqueles dias, Nabucodonosor, rei de Babilónia, disse aos três jovens israelitas: «Será verdade, Sidrac, Misac e Abdénago, que não prestais culto aos meus deuses, nem adorais a estátua de ouro que mandei levantar?
15 Pois bem. Quando ouvirdes tocar a trombeta, a flauta, a cítara, a harpa, o saltério, a gaita de foles e todos os outros instrumentos, estais dispostos a prostrar-vos e adorar a estátua que mandei fazer? Se não a quiserdes adorar, sereis imediatamente lançados na fornalha ardente. E qual é o deus que poderá livrar-vos das minhas mãos?».
16 Sidrac, Misac e Abdénago responderam ao rei Nabucodonosor: «Não é necessário responder-te a propósito disto, ó rei.
17 O nosso Deus, a quem prestamos culto, pode livrar-nos da fornalha ardente e livrar-nos também das tuas mãos.
18 Mas, ainda que o não faça, fica sabendo, ó rei, que não prestamos culto aos teus deuses, nem adoraremos a estátua de ouro que mandaste levantar».
19 Então Nabucodonosor encheu-se de cólera e alterou o semblante contra Sidrac, Misac e Abdénago. Mandou aquecer a fornalha sete vezes mais do que o costume
20 e ordenou a alguns dos seus mais valentes guerreiros que ligassem Sidrac, Misac e Abdénago e os lançassem na fornalha ardente.
91 Entretanto, o rei Nabucodonosor, sobressaltado, levantou-se precipitadamente e perguntou aos seus conselheiros: «Não é verdade que ligámos e lançámos três homens na fornalha ardente?» Eles responderam: «Certamente, ó rei».
92 Continuou o rei: «Mas eu vejo quatro homens a passearem livremente no meio do fogo sem nada sofrerem e o quarto tem o aspeto de um filho dos deuses».
95 Então Nabucodonosor exclamou: «Bendito seja o Deus de Sidrac, Misac e Abdénago, que enviou o seu anjo para livrar os seus servos, que, confiando nele, desobedeceram à ordem do rei e arriscaram a sua vida a fim de não prestarem culto ou adoração a qualquer divindade que não fosse o seu Deus».
3,52.53.54.55.56.
R/ Digno é o Senhor de louvor e de glória para sempre.
52 Bendito sejais, Senhor, Deus dos nossos pais:
digno de louvor e de glória para sempre.
Bendito o vosso nome glorioso e santo:
digno de louvor e de glória para sempre.
53 Bendito sejais no templo santo da vossa glória:
digno de louvor e de glória para sempre.
54 Bendito sejais no trono da vossa realeza:
digno de louvor e de glória para sempre.
55 Bendito sejais, Vós que sondais os abismos e estais sentado sobre os querubins:
digno de louvor e de glória para sempre.
56 Bendito sejais no firmamento do céu:
digno de louvor e de glória para sempre.
8,31-42.
31 Naquele tempo, dizia Jesus aos judeus que tinham acreditado nele: «Se permanecerdes na minha palavra, sereis verdadeiramente meus discípulos,
32 conhecereis a verdade e a verdade vos libertará».
33 Eles responderam-Lhe: «Nós somos descendentes de Abraão e nunca fomos escravos de ninguém. Como é que Tu dizes: "Ficareis livres"?».
34 Respondeu Jesus: «Em verdade, em verdade vos digo: todo aquele que comete o pecado é escravo.
35 Ora, o escravo não fica para sempre em casa; o filho é que fica para sempre.
36 Mas se o Filho vos libertar, sereis realmente homens livres.
37 Bem sei que sois descendentes de Abraão; mas procurais matar-Me, porque a minha palavra não entra em vós.
38 Eu digo o que vi junto de meu Pai e vós fazeis o que ouvistes ao vosso pai».
39 Eles disseram: «O nosso pai é Abraão». Respondeu-lhes Jesus: «Se fôsseis filhos de Abraão, faríeis as obras de Abraão.
40 Mas procurais matar-Me, a Mim que vos disse a verdade que ouvi de Deus. Abraão não procedeu assim.
41 Vós fazeis as obras do vosso pai». Disseram-Lhe eles: «Nós não somos filhos ilegítimos; só temos um pai, que é Deus».
42 Respondeu-lhes Jesus: «Se Deus fosse o vosso Pai, amar-Me-íeis, porque saí de Deus e dele venho. Eu não vim de Mim próprio; foi Ele que Me enviou».
Comentário ao Evangelho
Una é a via da verdade, laborioso o caminho da mentira
«A tribulação e a angústia acometem-no como a um rei que vai para o combate» (Jb 15,24). Não há ato nenhum do homem injusto que não esteja carregado de tribulação e de angústia, pois a ansiedade e a suspeita dominam o seu coração.
Um aspira secretamente a saquear os bens alheios, e a sua mente esgota-se na tentativa de não ser apanhado. Outro abandona a verdade e resolve mentir para enganar o espírito de quem o escuta. E que grande provação é evitar que esses enganos sejam descobertos: imagina o que poderão dizer-lhe aqueles que conhecem a verdade, pensa na maneira de vencer a evidência da verdade com argumentos de falsidade. Ei-lo a precaver-se e a limitar-se; ei-lo a procurar falsas pretensões de verdade, para responder nos pontos em que poderá ser surpreendido. E tudo isto quando estaria livre de tormentos se dissesse a verdade!
Una é a via da verdade, laborioso o caminho da mentira; daí também as palavras do Profeta: «Fraude e mais fraude, falsidade e mais falsidade! Recusam conhecer-Me – oráculo do Senhor» (Jr 9,5). Por isso, é prova de sabedoria dizer: «A tribulação e a angústia acometem-no como a um rei que vai para o combate»; porque abandonar o caminho da tranquilidade, que não é senão o caminho da verdade, é fracassar, afundando-se profundamente no medo.
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