Liturgia diária
Segunda-feira da 5ª semana da Quaresma
13,1-9.15-17.19-30.33-62.
1 Naqueles dias, morava em Babilónia um homem chamado Joaquim.
2 Tinha desposado uma mulher chamada Susana, filha de Helcias, muito bela e temente ao Senhor.
3 Os seus pais eram justos e tinham instruído a filha na Lei de Moisés.
4 Joaquim era muito rico e tinha um jardim contíguo à sua casa. Os judeus reuniam-se com ele frequentemente, porque era o mais ilustre de todos eles.
5 Naquele ano tinham designado como juízes dois anciãos do povo, daqueles que o Senhor denunciara, dizendo: «De Babilónia veio a iniquidade de velhos que passavam por dirigentes do povo».
6 Estes dois frequentavam a casa de Joaquim e a eles recorriam todos os que tinham alguma questão de justiça.
7 Quando, ao meio do dia, o povo se retirava, Susana vinha passear para o jardim do seu marido.
8 Os dois velhos observavam-na todos os dias, quando entrava no jardim para passear, e apaixonaram-se por ela.
9 Perverteram a sua mente e desviaram os seus olhos de modo a não olharem para o Céu e não se lembrarem dos seus justos juízos.
15 Estando eles à espera de ocasião favorável, um dia Susana veio, como de costume, acompanhada somente de duas meninas; e, como estava calor, quis tomar banho no jardim.
16 Não se encontrava ali ninguém, senão os dois velhos, escondidos a espreitá-la.
17 Susana disse às meninas: «Trazei-me óleo e unguentos e fechai as portas do jardim, para eu tomar banho».
19 Logo que elas saíram, os dois velhos levantaram-se, correram para junto de Susana
20 e disseram-lhe: «As portas do jardim estão fechadas, ninguém nos vê e nós estamos apaixonados por ti. Dá-nos o teu consentimento e entrega-te a nós.
21 Senão, acusar-te-emos dizendo que estava contigo um jovem e por isso mandaste embora as meninas».
22 Então Susana gemeu e exclamou: «Estou cercada por todos os lados: se praticar semelhante coisa, espera-me a morte; se não a praticar, não poderei fugir às vossas mãos.
23 Mas prefiro cair nas vossas mãos sem ter feito nada a pecar na presença do Senhor».
24 Então Susana gritou com voz forte, mas os dois velhos gritaram também contra ela
25 e um deles correu a abrir as portas do jardim.
26 Logo que as pessoas da casa ouviram estes gritos no jardim, precipitaram-se pela porta do lado, para verem o que tinha acontecido.
27 Quando os velhos contaram a sua versão, os servos coraram de vergonha, pois nunca se tinha dito de Susana semelhante coisa.
28 No dia seguinte, quando o povo se reuniu em casa de Joaquim, marido de Susana, vieram os dois velhos cheios de rancor contra ela, pretendendo condená-la à morte.
29 E disseram diante do povo: «Mandai chamar Susana, filha de Helcias, mulher de Joaquim». Foram buscá-la
30 e ela veio com os pais, os filhos e todos os parentes.
33 Os seus familiares choravam, assim como todos os que a viam.
34 Os dois velhos levantaram-se no meio do povo e puseram as mãos sobre a cabeça de Susana.
35 Ela, a soluçar, ergueu os olhos ao Céu, porque o seu coração confiava no Senhor.
36 Os velhos disseram: «Enquanto passeávamos sós pelo jardim, entrou ela com duas servas; fechou as portas do jardim e mandou embora as servas.
37 Veio então ter com ela um jovem, que estava escondido, e deitou-se com ela.
38 Nós, que estávamos a um canto do jardim, ao ver aquela maldade, corremos sobre eles.
39 Embora os tivéssemos visto juntos, não pudemos agarrar o jovem, porque era mais forte do que nós, e, abrindo a porta, pôs-se em fuga.
40 A ela, porém, apanhámo-la e perguntámos-lhe quem era o jovem, mas ela não quis dizer-nos. Somos testemunhas do facto».
41 A assembleia deu-lhes crédito, por serem anciãos do povo e juízes, e condenou Susana à morte.
42 Então Susana disse em altos brados: «Deus eterno, que sabeis o que é secreto e conheceis todas as coisas antes que aconteçam,
43 Vós sabeis que eles proferiram contra mim um falso testemunho. E eu vou morrer, sem ter feito nada do que eles maliciosamente disseram contra mim».
44 O Senhor ouviu a oração de Susana.
45 Quando a levavam para ser executada, Deus despertou o espírito santo dum rapazinho chamado Daniel,
46 que gritou com voz forte: «Eu sou inocente da morte desta mulher».
47 Todo o povo se voltou para ele e perguntou: «Que palavras são essas que acabas de dizer?».
48 Daniel, de pé no meio deles, respondeu: «Sois tão insensatos, ó filhos de Israel, que, sem julgamento nem conhecimento claro dos factos, condenais uma filha de Israel?
49 Voltai ao tribunal, porque estes dois homens levantaram contra ela um falso testemunho».
50 O povo regressou a toda a pressa e os anciãos disseram a Daniel: «Vem sentar-te no meio de nós e expõe-nos o teu pensamento, pois Deus concedeu-te a dignidade dos anciãos».
51 Daniel disse-lhes: «Separai-os um do outro e eu os julgarei».
52 Quando os separaram, Daniel chamou o primeiro e disse-lhe: «Envelheceste na prática do mal, mas agora aparecem os pecados que outrora cometeste,
53 quando lavravas sentenças injustas, condenando os inocentes e absolvendo os culpados, apesar de o Senhor dizer: "Não dareis a morte ao inocente e ao justo".
54 Pois bem. Se viste esta mulher, debaixo de que árvore descobriste os dois juntos?». Ele respondeu: «Debaixo de um lentisco».
55 Replicou Daniel: «A tua mentira cairá sobre a tua cabeça, pois o anjo de Deus já recebeu a sentença, para te rachar ao meio».
56 Depois de o terem afastado, Daniel ordenou que trouxessem o outro e disse-lhe: «Raça de Canaã e não de Judá, a beleza seduziu-te e o desejo perverteu-te o coração.
57 Era assim que procedíeis com as filhas de Israel e elas por medo entregavam-se a vós.
58 Pois bem, diz-me então: Debaixo de que árvore os surpreendeste juntos?» Ele respondeu: «Debaixo de um carvalho».
59 Replicou Daniel: «A tua mentira cairá sobre a tua cabeça, pois o anjo de Deus está à tua espera com a espada na mão para te cortar ao meio. Assim acabará convosco».
60 Toda a assembleia clamou em alta voz, bendizendo a Deus, que salva aqueles que esperam nele.
61 Levantaram-se então contra os dois velhos, porque Daniel os tinha convencido de falso testemunho, pela sua própria boca.
62 Para cumprirem a Lei de Moisés, aplicaram-lhes a mesma pena que tão impiamente tinham preparado para o seu próximo e executaram-nos; e foi salva naquele dia uma vida inocente.
23(22),1-3a.3b-4.5.6.
R/ Habitarei para sempre na casa do Senhor.
1 O Senhor é meu pastor: nada me falta.
2 Leva-me a descansar em verdes prados,
conduz-me às águas refrescantes
3 e reconforta a minha alma.
3 Ele me guia por sendas direitas por amor do seu nome.
4 Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos,
não temerei nenhum mal, porque Vós estais comigo:
o vosso cajado e o vosso báculo me enchem de confiança.
5 Para mim preparais a mesa,
à vista dos meus adversários;
com óleo me perfumais a cabeça,
e o meu cálice transborda.
6 A bondade e a graça hão de acompanhar-me
todos os dias da minha vida,
e habitarei na casa do Senhor
para todo o sempre.
8,12-20.
12 Naquele tempo, disse Jesus aos judeus: «Eu sou a luz do mundo. Quem Me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida».
13 Disseram-Lhe então os fariseus: «Tu dás testemunho de Ti próprio: o teu testemunho não é verdadeiro».
14 Jesus respondeu-lhes: «Embora Eu dê testemunho de Mim próprio, o meu testemunho é verdadeiro, porque sei de onde vim e para onde vou. Vós, porém, não sabeis de onde venho nem para onde vou.
15 Vós julgais pelas aparências, mas Eu não julgo ninguém;
16 e se julgar, o meu juízo é verdadeiro, porque não estou só: estou Eu e o Pai que Me enviou.
17 Está escrito na vossa Lei que o testemunho de duas pessoas é verdadeiro.
18 Eu dou testemunho de Mim próprio e também o Pai, que Me enviou, dá testemunho de Mim».
19 Perguntaram-lhe, então: «Onde está o teu Pai?» Jesus respondeu: «Não me conheceis a Mim, nem a meu Pai. Se Me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai».
20 Jesus disse estas palavras quando ensinava no Templo, junto à sala do tesouro. E ninguém O prendeu, porque ainda não chegara a sua hora.
Comentário ao Evangelho
Senhor, Tu és luz!
Como podemos falar de Ti, Senhor? Incompreensíveis e inacessíveis são as tuas obras, a tua glória e o teu conhecimento. No entanto, temos esperança, temos fé e conhecemos o amor que nos deste, um amor ilimitado, indizível, que nada pode conter; um amor que é luz, luz inacessível, luz que em tudo opera.
O que não faz esta luz , o que não é! Ela é encanto e alegria, doçura e paz, misericórdia sem conta, abismo de compaixão. Sendo invisível, vemo-la; e compreendemo-la sem podermos contê-la. É intocável, impalpável, mas pode ser apreendida pelo meu espírito. Quando a possuo, não reparo nela; só a vejo quando desaparece; precipito-me para a agarrar, mas ela levanta voo. Não sei o que fazer e fico consumido; então, aprendo a pedir e a procurar com lágrimas e grande humildade, e a não considerar como possível o que está para além da natureza, nem como efeito do meu poder ou do esforço humano aquilo que é fruto da compaixão e da misericórdia infinita de Deus. [...]
A luz convida ao silêncio e ensina a humildade omnipotente. Por isso, quando a adquiro e me torno humilde, ela passa a habitar inseparavelmente comigo, une-se a mim e ilumina-me; olha para mim e eu olho para ela; está no meu coração e está no Céu. Esta luz revela-me as Escrituras, traz-me conhecimento e ensina-me mistérios que não consigo exprimir.
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