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Liturgia diária

Quinta-feira da 2ª semana da Quaresma

Quinta-Feira, 20 De Março Cor litúrgica: Roxo

17,5-10.

5 Eis o que diz o Senhor: «Maldito o homem que confia no homem e põe na carne a sua esperança, afastando o seu coração do Senhor.
6 Será como o cardo na estepe, que nem percebe quando chega a felicidade; habitará na aridez do deserto, terra salobre e inóspita.
7 Bendito o homem que confia no Senhor e põe no Senhor a sua esperança.
8 É como a árvore plantada à beira da água, que estende as raízes para a corrente: nada tem a temer quando vem o calor e a sua folhagem mantém-se sempre verde; em ano de estiagem, não se inquieta e não deixa de produzir os seus frutos.
9 O coração é o que há de mais astucioso e incorrigível. Quem o pode entender?
10 Posso Eu, que sou o Senhor: penetro os corações, sondo os mais íntimos sentimentos, para retribuir a cada um segundo o seu caminho, conforme o fruto das suas obras».

1,1-2.3.4.6.

R/ Quem Vos segue, Senhor, terá a luz da vida.

1 Feliz o homem que não segue o conselho dos ímpios,
nem se detém no caminho dos pecadores,
2 mas antes se compraz na lei do Senhor,
e nela medita dia e noite.

3 É como árvore plantada à beira das águas:
dá fruto a seu tempo
e sua folhagem não murcha.
Tudo quanto fizer será bem sucedido.

4 Bem diferente é a sorte dos ímpios:
são como palha que o vento leva.
6 O Senhor vela pelo caminho dos justos,
mas o caminho dos pecadores leva à perdição.

16,19-31.

19 Naquele tempo, disse Jesus aos fariseus: «Havia um homem rico, que se vestia de púrpura e linho fino e se banqueteava esplendidamente todos os dias.
20 Um pobre chamado Lázaro jazia junto do seu portão, coberto de chagas.
21 Bem desejava ele saciar-se com os restos caídos da mesa do rico; mas até os cães vinham lamber-lhe as chagas.
22 Ora, sucedeu que o pobre morreu e foi colocado pelos anjos ao lado de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado.
23 Na mansão dos mortos, estando em tormentos, levantou os olhos e viu Abraão com Lázaro a seu lado.
24 Então, ergueu a voz e disse: "Pai Abraão, tem compaixão de mim. Envia Lázaro, para que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nestas chamas".
25 Abraão respondeu-lhe: "Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em vida, e Lázaro apenas os males. Por isso, agora ele encontra-se aqui consolado, enquanto tu és atormentado.
26 Além disso, há entre nós e vós um grande abismo, de modo que, se alguém quisesse passar daqui para junto de vós, ou daí para junto de nós, não não poderia fazê-lo".
27 O rico exclamou: "Então peço-te, ó pai, que mandes Lázaro à minha casa paterna,
28 pois tenho cinco irmãos, para que os previna, a fim de que não venham também para este lugar de tormento".
29 Disse-lhe Abraão: "Eles têm Moisés e os profetas: que os oiçam".
30 Mas ele insistiu: "Não, pai Abraão. Se algum dos mortos for ter com eles, arrepender-se-ão".
31 Abraão respondeu-lhe: "Se não dão ouvidos a Moisés nem aos profetas, também não se deixarão convencer se alguém ressuscitar dos mortos"».

Comentário ao Evangelho

Evitemos parecer-nos com o «rico mau»!

Tem cuidado, irmão, não vá o destino do «rico mau» ser também o teu. Se esta história foi escrita, é para que evitemos ser como ele. Homem, imita a terra, dando frutos como ela; não te mostres menos bom do que ela, que não tem alma. A terra não dá frutos para si mesma, mas para o teu serviço; com a vantagem de que os benefícios da tua benevolência revertem a teu favor, pois é aos benfeitores que cabe sempre a recompensa do bem que fizeram. [...]

Porque te atormentas tanto e fazes tanto esforço para esconder a tua riqueza atrás de argamassa e tijolos? [...] Quer queiras quer não, um dia terás de deixar o teu dinheiro; pelo contrário, levarás contigo à presença do soberano Mestre a glória do bem que fizeste, quando todo um povo, correndo a defender-te perante o juiz comum, te chamar nomes que dirão que os alimentaste, que os ajudaste, que foste bom. [...]

Como deverias estar grato, feliz e orgulhoso pela honra que te foi concedida: não seres tu que vais incomodar os outros à sua porta, serem os outros que se acotovelam diante da tua. Mas tornas-te inacessível, foges a esses encontros com medo de ter de ceder um pouco daquilo que guardas com tanto zelo. E só sabes dizer: «Não tenho nada, não te dou nada, porque sou pobre». És pobre de facto, e pobre em todos os sentidos: pobre de amor, pobre de bondade, pobre de confiança em Deus, pobre de esperança eterna.

São Basílio (c. 330-379) monge, bispo de Cesareia da Capadócia, doutor da Igreja Homilia sobre a caridade

Santo do Dia