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Liturgia diária

Terça-feira da 2ª semana da Quaresma

Terça-Feira, 18 De Março Cor litúrgica: Roxo

1,10.16-20.

10 Escutai a palavra do Senhor, chefes de Sodoma; dai ouvidos ao ensinamento do nosso Deus, povo de Gomorra:
16 «Lavai-vos, purificai-vos, afastai dos meus olhos a malícia das vossas ações, deixai de praticar o mal
17 e aprendei a fazer o bem. Respeitai o direito, protegei o oprimido, fazei justiça ao órfão, defendei a causa da viúva.
18 Vinde então para discutirmos as nossas razões», diz o Senhor. «Ainda que os vossos pecados sejam como o escarlate, ficarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como a púrpura, ficarão brancos como a lã.
19 Se fordes dóceis e obedientes, comereis os bens da terra.
20 Mas se recusardes e fordes rebeldes, sereis devorados pela espada». Assim falou a boca do Senhor.

50(49),8-9.16bc-17.21.23.

R/ A quem segue o caminho recto darei a salvação de Deus.

8 Não é pelos sacrifícios que Eu te repreendo:
os teus holocaustos estão sempre na minha presença.
9 Não aceito os novilhos da tua casa
nem os cabritos do teu rebanho.

16 Como falas tanto na minha lei
16 e trazes na boca a minha aliança,
17 tu, que detestas os meus ensinamentos
e desprezas as minhas palavras?

21 Fizeste isto e Eu calei-me; pensaste que Eu era como tu.
Hei de acusar-te e lançar-te tudo em rosto.
23 Honra-Me quem Me oferece um sacrifício de louvor,
a quem segue o caminho reto darei a salvação de Deus.

23,1-12.

1 Naquele tempo, Jesus falou à multidão e aos discípulos, dizendo:
2 «Na cadeira de Moisés sentaram-se os escribas e os fariseus.
3 Fazei e observai tudo quanto vos disserem, mas não imiteis as suas obras, porque eles dizem e não fazem.
4 Atam fardos pesados e põem-nos aos ombros dos homens, mas eles nem com o dedo os querem mover.
5 Tudo o que fazem é para serem vistos pelos homens: alargam os filactérios e ampliam as borlas;
6 gostam do primeiro lugar nos banquetes e dos primeiros assentos nas sinagogas,
7 das saudações nas praças públicas e que os tratem por mestres. Vós, porém, não vos deixeis tratar por mestres,
8 porque um só é o vosso Mestre e vós sois todos irmãos.
9 Na Terra, não chameis a ninguém vosso pai, porque um só é o vosso pai, o Pai celeste.
10 Nem vos deixeis tratar por doutores, porque um só é o vosso doutor, o Messias.
11 Aquele que for o maior entre vós será o vosso servo.
12 Quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado».

Comentário ao Evangelho

«Vós sois todos irmãos»

Todos os homens são meus irmãos. A paz, na sua essência e na sua realização, é isso mesmo. E isto aplica-se a toda a gente, mas aplica-se, irmãos e irmãs na fé em Cristo, especialmente a nós.

Nós, os crentes, podemos dar um apoio indispensável à sabedoria humana que, com imenso esforço, chegou a conclusão tão elevada e difícil. Antes de mais, podemos dar o apoio da certeza (porque ela é ameaçada, enfraquecida e anulada por dúvidas de todo o género), a nossa certeza na palavra divina do nosso Mestre, Cristo, gravada no seu Evangelho: «Vós sois todos irmãos». Podemos também oferecer o conforto da possibilidade de aplicação (pois como é difícil comportarmo-nos na vida prática de forma totalmente fraterna com todos!); podemos fazê-lo recorrendo, como regra prática e normal de ação, a outro ensinamento fundamental de Cristo: «Portanto, o que quiserdes que os homens vos façam, fazei-lho vós também: esta é a Lei e os profetas» (Mt 7,12). Quanto meditaram filósofos e santos nesta máxima singular e concreta da moral social!

Finalmente, somos nós que estamos em condições de fornecer o argumento supremo: o da paternidade divina, comum a todos os homens, proclamada a todos os crentes. Para ser autêntica e vinculativa, a verdadeira fraternidade entre os homens pressupõe e exige uma paternidade transcendente, cheia de amor metafísico e de caridade sobrenatural. Pela nossa parte, podemos ensinar a fraternidade humana, isto é, a paz, ensinando os homens a reconhecer, a amar e a invocar o nosso Pai que está nos Céus. Sabemos que seremos impedidos de entrar no altar de Deus se não tivermos primeiramente removido todos os obstáculos à reconciliação com os nossos semelhantes (cf Mt 5,24; 6,14-15); e sabemos que, se nos tornarmos promotores da paz, poderemos ser chamados filhos de Deus e estaremos entre aqueles que o Evangelho proclama bem-aventurados (cf Mt 5,9).

São Paulo VI (1897-1978) papa de 1963 a 1978 Mensagem para o Dia Mundial da Paz, 1 de janeiro de 1971

Santo do Dia